Fundos têm melhor captação em 5 anos com R$ 159 bi no 1º tri; renda fixa lidera e crédito privado ganha espaço
A indústria de fundos de investimento registrou captação líquida de R$ 159,2 bilhões no primeiro trimestre de 2026, o melhor resultado para o período nos últimos cinco anos, em forte recuperação frente aos R$ 8,3 bilhões captados um ano antes.
O movimento vem acompanhado de um crescimento relevante no patrimônio líquido da indústria, que atingiu R$ 10,8 trilhões em março, alta de 12,9% na comparação anual.
A dinâmica, trazida em relatório da Anbima publicado nesta segunda-feira (13), reflete um cenário ainda marcado por juros elevados, que segue favorecendo estratégias mais conservadoras e impulsionando a migração de recursos para a renda fixa.
A classe foi a principal responsável pela captação no período, com destaque para fundos de baixa duração — especialmente aqueles com crédito privado — que concentraram boa parte dos fluxos.
Dentro da renda fixa, os fundos com maior exposição a crédito vêm ganhando espaço. Dados da apresentação mostram que a fatia de produtos com concentração entre 50% e 70% em crédito privado cresceu, tanto em número de fundos quanto em patrimônio, indicando uma busca maior por retorno adicional em relação ao CDI.
Esse movimento ocorre mesmo em um ambiente recente de resgates líquidos na classe ao longo de 12 meses — de cerca de R$ 11 bilhões — concentrados nos fundos com menor exposição a crédito, o que reforça a rotação interna dentro da própria renda fixa.
Renda fixa e ETFs são destaques
Além da renda fixa, os ETFs também chamaram atenção, com captação líquida de R$ 17,8 bilhões no trimestre, sendo a maior parte direcionada para produtos atrelados à renda fixa, reforçando a preferência dos investidores por ativos mais defensivos.
Os multimercados, por sua vez, seguem em processo de estabilização. Apesar de o patrimônio ter se mantido em torno de R$ 1,5 trilhão nos últimos 12 meses, houve aumento no número de contas, sugerindo retomada gradual do interesse dos investidores pela classe.
Já os fundos de ações apresentaram recuperação relevante em patrimônio — alta de 25,9% em 12 meses, para R$ 709,5 bilhões —, embora ainda enfrentem um ambiente mais desafiador em termos de captação, diante da concorrência com os retornos da renda fixa.
Outro ponto relevante é que a captação no ano contou com contribuição positiva de todos os perfis de investidores, indicando um movimento mais disseminado de alocação, e não concentrado em um único segmento.
No pano de fundo, o cenário reforça a tese de que os juros seguem como principal vetor de alocação no mercado brasileiro, mantendo a renda fixa como protagonista e abrindo espaço para estratégias que buscam ganho adicional via crédito privado.