Gerdau (GGBR4) vê cenário brasileiro melhorando após ações do governo para barar aço chinês
A Gerdau (GGBR4) indicou, durante teleconferência de resultados do primeiro trimestre de 2026, que começa a ver sinais de melhora no mercado brasileiro, ainda que em ritmo gradual, ao mesmo tempo em que mantém no radar eventuais vendas de ativos e reforça o compromisso com a remuneração ao acionista.
O CEO da companhia, Gustavo Werneck, afirmou que o ambiente doméstico segue desafiador, mas já apresenta mudanças na margem, especialmente com algum alívio em preços e demanda. “Começamos a ver sinais de melhora no mercado interno, ainda que de forma gradual, com alguns reajustes de preços e uma demanda um pouco mais estável em determinados segmentos”, disse.
Segundo o executivo, medidas recentes do governo têm ajudado a equilibrar o setor, principalmente no combate à concorrência chinesa. O país asiático vem, já há algum tempo, inundando o mercado de aço brasileiro.
O governo brasileiro vem adotando uma série de medidas para conter a entrada de aço importado, sobretudo da China, que vinha pressionando preços e margens da indústria local. Entre as principais ações estão a abertura de investigações antidumping — que identificaram práticas de venda a preços artificialmente baixos — e a aplicação de tarifas adicionais sobre produtos siderúrgicos, com alíquotas chegando a 25% em alguns casos.
“As discussões e ações relacionadas à defesa comercial, como medidas antidumping, são importantes para restabelecer condições mais equilibradas de competição no Brasil”, afirmou.
Apesar disso, Werneck ponderou que o cenário ainda exige cautela, diante da elevada presença de importados e de um ambiente competitivo mais pressionado.
“O mercado segue desafiador, especialmente em aços planos, mas vemos avanços na direção correta”, acrescentou.
Gerdau monitora possíveis desinvestimentos
No campo estratégico, a companhia também voltou a mencionar a possibilidade de otimização de portfólio, incluindo eventuais vendas de ativos, ainda que sem movimentos imediatos.
“Estamos constantemente avaliando nosso portfólio e oportunidades de criação de valor, sempre com disciplina de capital”, disse o CEO.
A leitura da gestão é de que eventuais desinvestimentos fazem parte da estratégia, mas não há pressão para execução no curto prazo. “Não temos nenhuma necessidade de fazer movimentos neste momento, mas seguimos atentos a oportunidades que façam sentido estratégico”, afirmou.
Já o CFO, Rafael Japur, reforçou que a companhia segue com uma estrutura de capital confortável, o que permite flexibilidade tanto para investimentos quanto para retorno ao acionista.
“Temos uma alavancagem bastante equilibrada, o que nos dá espaço para continuar executando nossa estratégia e, ao mesmo tempo, remunerar os acionistas”, disse.
Segundo ele, a política da Gerdau continua baseada em uma combinação de dividendos e recompra de ações. “Seguimos comprometidos com a disciplina na alocação de capital, equilibrando crescimento, solidez financeira e retorno ao acionista”, afirmou.
A companhia anunciou recentemente o pagamento de dividendos e mantém em andamento seu programa de recompra, reforçando a estratégia de distribuição de capital mesmo em um ambiente ainda desafiador no Brasil.