Mercados

Gringo volta à B3 após pior mês desde 2020 e 3 fatores ajudam o movimento, segundo a XP

09 set 2026, 11:53
ações - carteira recomendada - ibovespa - mercados
(Imagem: Asbe/ iStock)

Os investidores estrangeiros promoveram em agosto a maior retirada líquida de recursos do mercado brasileiro desde março de 2020, em movimento que coincidiu com o desempenho mais fraco da Bolsa brasileira diante da retomada global do interesse por empresas ligadas à inteligência artificial (IA) e de uma temporada de resultados corporativos abaixo das expectativas no Brasil.

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De acordo com relatório da XP Investimentos divulgado nesta terça-feira (9), o fluxo externo registrou saída líquida total de R$ 22,2 bilhões no mês passado, sendo R$ 18,1 bilhões no mercado à vista e R$ 4,1 bilhões em contratos futuros.

Apesar do forte movimento de retirada em agosto, setembro começou com sinalização positiva, segundo a XP. Até o momento, investidores estrangeiros acumulam ingresso líquido de R$ 10,8 bilhões, com entradas de R$ 3,9 bilhões no mercado à vista e de R$ 6,8 bilhões no segmento futuro.

A corretora avalia que o Brasil voltou a atrair atenção de investidores internacionais com o avanço do “trade eleitoral”, a melhora das perspectivas para inflação e juros, além dos preços considerados atrativos dos ativos brasileiros.

Ainda assim, a XP avalia que a proximidade do ciclo eleitoral deve manter a volatilidade em patamares elevados nos próximos meses. No acumulado de 2026, as entradas líquidas de estrangeiros no mercado à vista somam R$ 26,9 bilhões, abaixo do pico de R$ 69,1 bilhões registrado em meados de abril.

Saídas da B3 atingiram a maioria dos setores

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De acordo com a XP, o movimento de retirada de recursos em agosto foi disseminado entre os setores da Bolsa. Apenas seis dos 17 segmentos monitorados registraram fluxo líquido positivo.

Entre os destaques de entrada de capital estiveram os setores de bens de capital, saúde, alimentos e bebidas, além de papel e celulose. Por outro lado, saneamento, bancos, energia elétrica e óleo, gás e petroquímicos concentraram as maiores saídas.

Em setembro, o cenário melhorou, com 10 dos 17 setores apresentando fluxo líquido positivo.

Investidores locais compensaram parte das saídas

Enquanto os estrangeiros reduziram exposição ao mercado brasileiro em agosto, investidores domésticos atuaram na direção oposta, segundo a corretora.

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Os investidores institucionais registraram entradas líquidas de R$ 15 bilhões, resultado de aportes de R$ 11,4 bilhões no mercado à vista e de R$ 3,7 bilhões em futuros. Já as pessoas físicas acrescentaram R$ 2,9 bilhões ao mercado, com R$ 2,1 bilhões em compras líquidas à vista e R$ 0,8 bilhão em futuros.

Em setembro, entretanto, esses grupos inverteram o comportamento. Os institucionais passaram a registrar saídas líquidas de R$ 7,7 bilhões, enquanto os investidores pessoa física retiraram R$ 2,8 bilhões.

Fundos captam R$ 33,9 bilhões

De acordo com o relatório da XP, a indústria brasileira de fundos voltou a registrar captação líquida em agosto, com entrada total de R$ 33,9 bilhões.

O principal destaque ficou com os fundos de renda fixa, que receberam R$ 47,2 bilhões em novos recursos no período. Em contrapartida, os fundos multimercados tiveram resgates líquidos de R$ 8,7 bilhões, ampliando para sete meses consecutivos a sequência de saídas.

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Os fundos de ações também permaneceram no campo negativo, com retiradas líquidas de R$ 0,5 bilhão em agosto. Foi o oitavo mês seguido de resgates na categoria, que acumula saída de R$ 8,2 bilhões em 2026.

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Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.
Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.

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