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SLC Agrícola (SLCE3) vira top pick do JP Morgan e lidera altas da B3; para analistas, agro se aproxima do fim da crise

09 set 2026, 12:00
slc agrícola máquinas campo slce3
Banco elevou a recomendação para as ações da SLC Agrícola de neutra para compra e aumentou o preço-alvo do papel. (Foto: ME Produtora)

As ações da SLC Agrícola (SLCE3) lideravam as altas da B3 nesta quarta-feira (9), após o JP Morgan elevar a recomendação para os papéis de neutra para overweight, equivalente à compra, e escolher a companhia como sua nova favorita no agronegócio.

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Por volta das 11h30, SLCE3 avançava 6,71%, cotada a R$ 17,98. No mesmo horário, o Ibovespa operava em queda de 0,7%, aos 186.086 pontos.



O banco também aumentou o preço-alvo para dezembro de 2027 de R$ 18 para R$ 23. O novo valor representa potencial de valorização de aproximadamente 36% em relação ao fechamento de terça-feira (8), de R$ 16,85.

Na avaliação dos analistas, o setor agrícola brasileiro pode estar próximo de encerrar uma crise de aproximadamente três anos, período marcado pela compressão das margens e pelo aumento da alavancagem das empresas.

Apesar dos riscos relacionados ao El Niño, o JP Morgan enxerga uma combinação mais favorável entre os preços das commodities agrícolas e os custos de produção, capaz de sustentar a recuperação das margens.

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A melhora, porém, não deve ocorrer de maneira uniforme. O banco ressalta que as condições de rentabilidade e endividamento permanecem bastante diferentes entre as empresas do setor.

Nesse ambiente, a SLC estaria mais bem posicionada por ter antecipado a compra de fertilizantes e realizado operações de proteção de preços em momentos considerados favoráveis.

Com a revisão, a ordem de preferência do JP Morgan entre as companhias do agronegócio passou a ser SLC Agrícola, 3tentos (TTEN3), São Martinho (SMTO3) e Adecoagro (AGRO).

O que esperar da SLC Agrícola em 2027?

O JP Morgan projeta Ebitda ajustado de R$ 3,2 bilhões para a SLC em 2027, montante 11% superior à estimativa anterior. A margem Ebitda ajustada deve alcançar 34,2%, avanço de 3,1 pontos percentuais em um ano e acima da média de 33% registrada pela companhia nos últimos dez anos.

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Segundo o banco, a recente valorização dos grãos ainda não está refletida no preço das ações. Caso as cotações permaneçam em patamares mais elevados, o Ebitda de 2027 poderá superar em aproximadamente 10% o consenso do mercado, atualmente em R$ 2,9 bilhões.

O JP Morgan também elevou suas projeções para o lucro por ação da SLC. A estimativa para 2026 subiu 9,7%, de R$ 1,20 para R$ 1,32, enquanto a previsão para 2027 aumentou 6,3%, de R$ 1,34 para R$ 1,42.

A revisão das projeções considera aumentos de 10% a 22% nas estimativas médias para os preços agrícolas, além da redução dos custos diante da queda dos fertilizantes para níveis anteriores à guerra entre Rússia e Ucrânia.

Grãos mais caros ajudam a tese

Para a soja, o JP Morgan projeta preço de US$ 13 por bushel em 2027. A SLC já protegeu quase metade da produção da safra 2026/27 a aproximadamente US$ 12 por bushel.

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Embora os estoques globais permaneçam relativamente confortáveis, o balanço norte-americano está mais apertado. A demanda das esmagadoras dos Estados Unidos e a recuperação das margens de processamento na China podem sustentar as importações e os preços.

No milho, o banco trabalha com uma cotação de R$ 59 por saca para 2027. A companhia ainda não havia iniciado as operações de hedge da safra 2026/27.

Os analistas enxergam risco de quebra na produção brasileira diante de uma janela mais estreita para o plantio da segunda safra nos estados do Norte. Ao mesmo tempo, a expansão do etanol de milho deve elevar o consumo doméstico e limitar os volumes disponíveis para exportação.

Para o algodão, o JP Morgan estima um preço de US$ 0,85 por libra-peso em 2027. A SLC já protegeu aproximadamente 55% da produção da próxima safra a cerca de US$ 0,79 por libra-peso.

Fertilizantes comprados antecipadamente

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A estratégia de compra de insumos é um dos principais pilares da visão positiva do JP Morgan. Ao final do segundo trimestre, a SLC havia adquirido 70% dos fertilizantes nitrogenados necessários para a próxima safra, ante nenhuma compra registrada no primeiro trimestre.

A empresa também já havia garantido 90% das necessidades de potássio, 100% de fosfato e 96% dos defensivos agrícolas.

Fertilizantes e defensivos representam, juntos, aproximadamente 40% dos custos da SLC nas diferentes culturas. O avanço das compras oferece maior visibilidade para a expectativa da administração de aumento de apenas 2,4% nos custos desembolsáveis da safra 2026/27.

Com os preços agrícolas avançando mais do que os custos unitários, o JP Morgan considera razoável a perspectiva de melhora das margens em 2027 — movimento que, segundo o banco, ainda não está incorporado às estimativas do mercado.

El Niño ainda preocupa SLCE3

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O El Niño permanece como o principal risco para a tese. O JP Morgan projeta quedas anuais de produtividade de 7% para o algodão, 8% para a soja e 15% para o milho de segunda safra.

As estimativas consideram um desempenho ligeiramente melhor do que o observado durante o forte El Niño de 2015/16, devido à maior participação de áreas maduras e irrigadas no portfólio da empresa.

Mesmo assim, o banco avalia que parte do impacto climático já está precificada nas ações. As chuvas previstas para setembro em Mato Grosso também devem favorecer a umidade do solo e o início do plantio.

Queda da alavancagem e risco de short squeeze

O JPMorgan espera que a alavancagem da SLC caia para aproximadamente duas vezes ao final de 2027, apoiada pela melhora operacional e pela redução dos investimentos.

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O capex deve recuar de R$ 1,5 bilhão em 2026 — incluindo cerca de R$ 600 milhões destinados à expansão — para R$ 900 milhões em 2027. Com os principais projetos de crescimento próximos da conclusão, devem restar aproximadamente R$ 200 milhões em investimentos de expansão ligados à irrigação.

O banco calcula uma geração de caixa próxima de R$ 500 milhões em 2027, equivalente a um rendimento de fluxo de caixa livre de 6,2%. A ação negocia a 5,9 vezes o Ebitda projetado para o período, ligeiramente abaixo de sua média histórica.

Além da recuperação dos fundamentos, o JPMorgan destaca a possibilidade de um short squeeze. As posições vendidas correspondem a cerca de 27% das ações da SLC em circulação no mercado, a segunda maior proporção entre as companhias negociadas na bolsa brasileira.

Caso os resultados mostrem uma melhora, mesmo que moderada, investidores que apostam na queda de SLCE3 podem ser obrigados a recomprar as ações, criando uma pressão adicional de alta sobre os papéis.

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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