Hapvida (HAPV3) salta mais de 10% com melhora na sinistralidade; hora de comprar as ações?
As ações da Hapvida (HAPV3) têm a melhor performance do Ibovespa (IBOV) com disparada de mais de 10% em reação aos números do balanço do primeiro trimestre (1T26), com destaque para a sinistralidade.
Por volta de 10h30 (horário de Brasília), HAPV3 subia 10,31%, a R$ 12,62. Mais cedo, os papéis bateram máxima intradia com avanço de 15,65% (R$ 13,23). Acompanhe o Tempo Real.
No 1T26, a operadora de saúde registrou lucro líquido ajustado de cerca de R$ 244 milhões no primeiro trimestre de 2026, queda de 41,4% em relação ao mesmo período do ano anterior.
De janeiro a março, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) somou R$ 346 milhões, um recuo de 46,8% ante um ano antes. Já o indicador ajustado totalizou R$ 803 milhões, queda de 20,0%.
No primeiro trimestre, a sinistralidade caixa alcançou 72,2%, alta de 0,4 ponto porcentual (p.p.) em relação ao mesmo período do ano anterior, refletindo a dinâmica de utilização e a evolução da operação ao longo do período.
- CONFIRA OS NÚMEROS EM DETALHES: Hapvida (HAPV3) registra lucro líquido ajustado de cerca de R$ 244 milhões no 1T26, queda de 41%
Sinalistralidade: a ‘boa’ supresa do balanço
Os analistas, em consenso, consideraram que a operadora de saúde reportou um conjunto de resultados acima do esperado.
“No geral, considerando todos os fatores, o trimestre apresentou uma melhora inspiradora na base trimestral após um quarto trimestre (4T25) bastante desafiador, com tendência mais favorável de sinistralidade e melhor geração de fluxo de caixa”, escreveram os analistas do BTG Pactual, em relatório.
O destaque do balanço foi a melhora da sinistralidade (MLR, na sigla em inglês), que atingiu 72,2% no 1T26, alta de 40 pontos-base na comparação anual e uma queda de 330 pontos-base na base trimestral.
“O resultado do MLR do 1T26 é significativamente melhor e traz uma alívio bem-vindo após dois trimestres difíceis, mercados por preocupações com a pressão da concorrência e a desconexão entre preço e lucratividade”, escreveu a equipe liderada por Vinicius Figueiredo, do Itaú BBA.
Os analistas do Safra afirmaram que a base de comparação antes do resultado era excepcionalmente baixa, já que a projeção do banco assumia MLR caixa estável em 75,5% e perda líquida de 88 mil beneficiários — “premissas que se mostraram excessivamente conservadoras.”
De acordo com a equipe, o MLR caixa puxou “uma surpresa positiva” de 25% no Ebitda ajustado frente a uma base particularmente baixa.
O Bradesco BBI, por sua vez, chamou a atenção para a base de beneficiários, que seguiu “encolhendo” com perda líquida de 45 mil vidas no trimestre, “embora uma melhora relevante frente à perda de 140 mil no 4T25 e à expectativa do banco de –70 mil”, destacaram os analistas Márcio Osako.
Na mesma linha, os analistas do BTG Pactual afirmaram que os “desafios” permanecem como adições líquidas negativas, pressão persistente de judicialização, dinâmica fraca de receita líquida e despesas corporativas ainda elevadas.
Hapvida: Reorganização do alto de escalão
Na visão do BTG Pactual, a recente reoganização da equipe de gestão da Hapvida é positiva para o processo de reestruturação.
“Nesse sentido, entendemos que o primeiro trimestre mostrou sinais iniciais encorajadores, sugerindo que o ponto de partida da reestruturação pode não ser tão negativo quanto anteriormente temido”, afirmaram Maria Resende, Samuel Alves e Marcel Zambello, em relatório.
“A situação ainda permanece desafiadora, mas talvez menos severa do que os investidores passaram a precificar, o que naturalmente é positivo”, acrescentaram.
A equipe ainda destacou que, embora continuem monitorando os próximos passos da reestruturação, o banco prefere não antecipar uma recuperação “que ainda exige evidências mais consistentes”.
Em abril, a operadora de assistência médica anunciou a indicação de Lucas Garrido para ocupar a vice-presidência de finanças (CFO).
Jorge Pinheiro também deixou o comando da companhia, após 27 anos, para assumir uma posição no conselho de administração. Luccas Adib, até então vice-presidente financeiro, passou ao comando da Hapvida.
O que fazer com as ações agora?
Para os analistas do JP Morgan, os números do 1T26 sugerem que as expectativas do consenso foram muito baixas e, com os resultados recentes, deve haver revisões positivas nos lucros.
O Itaú BBA reconhece que existe “um caminho” para uma premissa melhor do MLR, “o que poderia abrir espaço para revisões positivas dos resultados”.
Já o Citi reiterou a classificação ‘alto risco’ para HAPV3, com base na volatilidade acentuada das ações no período recente e baixa visibilidade dos lucros.
Para os analistas, os principais riscos são: execução na recuperação da margem, tendências de receitas piores do que o esperado e mudanças regulatórias.
Apesar da melhora dos resultados de Hapvida, os bancos, em geral, mantiveram as recomendações como neutra.
Confira as recomendações e preços-alvo que o Money Times teve acesso:
| Banco/Corretora | Recomendação | Preço-alvo | Potencial de valorização* |
| Bradesco BBI | Neutra | R$ 14,00 | +22,38% |
| BTG Pactual | Neutra | R$ 15,00 | +31,12% |
| Citi | Neutra/Alto risco | R$ 11,00 | -3,85% |
| Itaú BBA | Neutra | R$ 15,00 | +31,12% |
| JP Morgan | Neutra | – | – |
| Safra | Neutra | R$ 16,00 | +39,86% |
*potencial de valorização sobre o preço de fechamento anterior. Em 11 de maio de 2026, HAPV3 encerrou as negociações cotada a R$ 11,44.