Taxa Selic

HSBC muda rota para os juros e vê Selic em 14,25% até 2027

16 jun 2026, 13:35 - atualizado em 16 jun 2026, 13:35
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(Imagem: iStock/ Rmcarvalho)

O HSBC revisou suas projeções para a taxa Selic e agora espera que os juros permaneçam em 14,25% até o início de 2027. Embora ainda veja espaço para um corte de 0,25 ponto percentual na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) desta quarta-feira (17), o banco avalia que o aumento dos riscos inflacionários deve forçar uma pausa prolongada no ciclo de flexibilização monetária.

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Em relatório divulgado nesta segunda-feira (15), o economista-chefe do HSBC para o Brasil, Daniel Lavarda, afirma que o Banco Central deve reduzir a taxa básica de juros de 14,50% para 14,25%, mas adotar um tom mais duro em sua comunicação diante da deterioração do cenário para a inflação.

A mudança de avaliação levou o HSBC a revisar sua projeção para a Selic ao fim de 2026, de 13,25% para 14,25%. A expectativa agora é que os cortes sejam retomados apenas no primeiro trimestre de 2027, encerrando aquele ano em 12,25%.

“O balanço de riscos para a inflação piorou substancialmente desde a última reunião”, destaca o relatório.

Mercado reduziu apostas em cortes

Segundo o HSBC, a decisão desta semana se tornou uma das mais divididas dos últimos meses. A probabilidade implícita de um corte de 0,25 pontos percentuais chegou a atingir 94% no fim de maio, mas despencou para 24% em 9 de junho, antes de se recuperar parcialmente para 57% nos dias seguintes.

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O banco atribui essa mudança na precificação a três fatores principais: a desvalorização recente do real, a piora das expectativas de inflação captadas pelo Relatório Focus e a volatilidade dos preços do petróleo em meio às incertezas envolvendo o conflito no Oriente Médio.

Apesar disso, a instituição acredita que o Copom ainda deve entregar um último ajuste de 0,25 ponto percentual, preservando a coerência com a estratégia de “calibragem” sinalizada nas últimas reuniões.

Comunicação deve indicar pausa

Para o HSBC, o principal destaque da reunião pode não estar na decisão em si, mas na mensagem que acompanhará o anúncio.

A expectativa é que o Banco Central abandone a narrativa de ajustes graduais e passe a indicar de forma mais explícita que uma interrupção do ciclo de cortes já em agosto é o cenário-base.

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Além disso, a autoridade monetária deve reconhecer uma assimetria altista no balanço de riscos para a inflação, refletindo um ambiente mais desafiador para a convergência dos preços à meta.

Entre os fatores de preocupação citados pelo banco estão a política fiscal mais expansionista, possíveis mudanças na legislação trabalhista que podem elevar custos para as empresas e a crescente influência do cenário eleitoral sobre os ativos brasileiros.

El Niño e petróleo entram no radar

O HSBC também chama atenção para riscos climáticos e energéticos. Na avaliação da instituição, o fenômeno El Niño pode se tornar o principal vetor de pressão inflacionária no segundo semestre de 2026. Modelos climáticos apontam para um evento potencialmente mais intenso do que a média histórica, o que poderia pressionar os preços dos alimentos e da energia elétrica.

Ao mesmo tempo, os riscos ligados ao petróleo seguem elevados. Embora os preços da commodity tenham recuado recentemente, o banco avalia que um bloqueio prolongado do Estreito de Ormuz ou dificuldades na normalização dos fluxos da região podem provocar novas altas ao longo dos próximos meses.

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Diante desse conjunto de fatores, o HSBC entende que o corte esperado para esta semana deve marcar o encerramento do atual ciclo de afrouxamento monetário.

“Esperamos um corte de 25 pontos-base em 17 de junho como o último movimento de calibragem do ciclo atual”, afirma o relatório. A partir daí, a avaliação é de que o Banco Central manterá a Selic em 14,25% por um período prolongado, aguardando maior clareza sobre o comportamento da inflação e dos riscos para 2027.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.

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