Ibovespa cai 2% com cautela fiscal e tributação em foco; dólar recua
O Ibovespa (IBOV) engatou o terceiro dia de perdas após eleições, com os investidores mais cautelosos com o cenário fiscal e político.
Nesta quarta-feira (28), o principal índice da bolsa brasileira terminou as negociações com queda de 2,68%, aos 171.006,10 pontos.
Já o dólar à vista encerrou o dia a R$ 5,3402, com queda de 0,19%.
Por aqui, os investidores operaram à espera de novas sinalizações do governo reeleito sobre a política fiscal e a indicação para o Ministério da Fazenda.
“Quanto mais o governo demorar ara sinalizar algum ajuste, mas tenderemos a ver desvalorizações relevantes no mercado de ações”, afirma Lucas Xavier, head da mesa de renda variável da AW Capital.
Notícias sobre tributação dos títulos isentos, como LCI, LCA, CRI, CRA e debêntures incentivadas, que não têm cobrança de imposto de renda para a pessoa física, também repercutiram. Segundo o jornal O Globo, a equipe econômica do governo Lula estuda criar uma cobrança de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para esses papéis de renda fixa.
Além disso, o Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou uma alíquota de 11,3% para a Contribuição Social sobre Bens e Serviços (CBS), que passará a vigorar em 2027 com a entrada em vigor da reforma tributária sobre o consumo.
Altas e quedas do Ibovespa
Com a continuidade dos ajustes técnicos, apenas seis ações fecharam em alta: MBRF (MBRF3), WEG (WEGE3), Prio (PRIO3), Hapvida (HAPV3), Hypera (HYPE3) e Suzano (SUZB3).
Em destaque, HYPE3 subiu 1,35% (R$ 21,74), em reação ao balanço do terceiro trimestre. A farmacêutica reportou lucro líquido de R$ 527 milhões referente ao terceiro trimestre de 2026, um crescimento anual de 16,1%.
Para o BTG Pactual, os números vieram amplamente em linha com as expectativas, tendo como principal destaque positivo uma redução da dívida líquida um pouco melhor do que o esperado, com a companhia encerrando o trimestre com dívida líquida de R$ 5,61 bilhões.
Já a ponta negativa foi encabeçada por Cosan (CSAN3), com queda de 12,31% (R$ 2,35).
As blue chips puxaram o Ibovespa para o tom negativo mais uma vez. Vale (VALE3), que detém 8% de participação no índice, teve queda de 2,14% (R$ 63,00), na contramão do desempenho do minério de ferro na China. O contrato mais líquido da commodity, para janeiro, subiu 1,05%, a US$ 100,80 por tonelada.
Já as ações da Petrobras (PETR4;PETR3), que juntas representam cerca de 13,5% do índice, terminaram o dia no vermelho, também na contramão dos preços do petróleo. PETR3 teve baixa de 1,02% (US$ 59,03) e PETR4 recuou 0,53% (R$ 52,51).
Ainda entre os ‘pesos-pesados’, os bancos caíram em bloco, diante das incertezas domésticas. O Índice Financeiro (IFNC), que reúne as ações do setor bancário, teve de 4,76%.
Exterior
Os índices de Wall Street encerraram o pregão desta quarta-feira (28) em alta com a manutenção dos juros pelo Federal Reserve (Fed), como o esperado, e apesar do avanço nos preços do petróleo. Dow Jones e S&P 500 registraram o terceiro dia de ganhos consecutivos.
Confira o fechamento:
- Dow Jones: +0,19%, aos 52.475,10 pontos;
- S&P 500: +0,28%, aos 7.743,98 pontos;
- Nasdaq: +0,27%, aos 26.549,851 pontos.