ETF

“Nem tudo que funcionou nos EUA vai funcionar no Brasil”, diz diretor do Itaú sobre avanço do mercado de ETFs

28 out 2026, 15:46
Renato Eid Tucci, sócio e head de Estratégias Indexadas e Integração ESG da Itaú Asset Management. Foto: S&P Global/ Divulgação.

A preferência do investidor brasileiro por renda fixa é uma questão cultural e estrutural que pode ser ignorada ao se pensar em novos produtos financeiros, segundo o diretor de estratégias indexadas do Itaú Asset Management, Renato Eid Tucci.

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Para Tucci, não é porque um produto deu muito certo nos Estados Unidos que ele vai desempenhar no Brasil. A fala do executivo aconteceu durante um dos painéis do encontro anual sobre índices e ETFs no Brasil 2026, promovido nesta quarta-feira (28) pela S&P Global.

Os participantes discutiam a criação das Trump’s accounts, uma contribuição governamental de US$ 1 mil do governo Trump para crianças elegíveis nascidas entre 2025 e 2028. Esse dinheiro é alocado em um ETF atrelado ao S&P 500.

Para Catherine Clay, CEO do S&P Dow Jones Indices, trata-se de um ótimo programa para apresentar o produto para a população e promover a educação financeira desde a infância.

“Essas contas são muito importantes porque são muito fáceis para as famílias aderirem. Você remove a fricção de passar por muitas etapas e decisões de alocação que desmotivam as pessoas a migrarem o dinheiro de uma conta poupança para uma conta de investimento”, afirmou a executiva.

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Eid concordou com a premissa da política pública, porém discordou da efetividade óbvia no Brasil. “Devemos ser cautelosos ao incorporar no Brasil o que está sendo bem-sucedido em outras geografias. Nossa cultura de investimento é diferente e as demandas dos brasileiros são diferentes”, disse.

Foco na renda fixa

O diretor do Itaú acredita que os produtos brasileiros precisam endereçar problemas dos brasileiros. Dentro dessa lógica, o foco em renda fixa é importante e os ETFs, mesmo os de renda fixa, ainda tem algumas barreiras, em sua opinião.

Eid destacou o fato de os fundos de índice serem negociados em bolsa. “Quando falamos em bolsa de valores, todo mundo pensa em ações. Você compra um ETF de renda fixa, mas no seu extrato mensal esse investimento aparece em ‘ações’. Ainda é bastante confuso para o investidor brasileiro”, disse o diretor.

Para ele, o Brasil ainda exige um processo de educação financeira pra demonstrar para o investidor que bolsa de valores não negocia apenas ações, mas também renda fixa, investimentos internacionais e todo tipo de ativo de uma forma muito eficiente.

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Segundo Clay, independentemente do país, em todo lugar os ETFs ainda têm algumas barreiras, mas também têm demanda para crescimento. Ela vê no instrumento méritos de transparência e simplicidade que fazem destes fundos um “ótimo” instrumento para iniciar uma pessoa no mundo dos investimentos.

“A grande questão é como remover todos os pontos de fricção que impedem as pessoas de migrarem da poupança para os investimentos”, disse.

A indústria de fundos de investimento no Brasil soma cerca de R$ 12 trilhões em ativos sob gestão. No entanto, os ETFs representam apenas 1,3% desse total. Grande parte desse crescimento aconteceu nos últimos dois anos, quando o avanço foi de cerca de metade do tamanho atual.

Atualmente, o mercado brasileiro conta com aproximadamente 1 milhão de investidores individuais utilizando ETFs, o que corresponde a uma penetração de 1% a 2% da população.

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Monique Lima é jornalista com atuação em renda fixa, finanças pessoais, investimentos e economia, com passagem por veículos como VOCÊ S/A, Forbes, InfoMoney e Suno Notícias. Formada em Jornalismo em 2020, atualmente, integra a equipe do Seu Dinheiro como repórter, produzindo conteúdos sobre renda fixa, crédito privado, Tesouro Direto, previdência privada e movimentos relevantes do mercado de capitais.
Monique Lima é jornalista com atuação em renda fixa, finanças pessoais, investimentos e economia, com passagem por veículos como VOCÊ S/A, Forbes, InfoMoney e Suno Notícias. Formada em Jornalismo em 2020, atualmente, integra a equipe do Seu Dinheiro como repórter, produzindo conteúdos sobre renda fixa, crédito privado, Tesouro Direto, previdência privada e movimentos relevantes do mercado de capitais.

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