Ibovespa avança 1% na máxima, enquanto Wall Street cai — o que influencia o mercado brasileiro hoje (20)?
O Ibovespa (IBOV), principal índice da bolsa brasileira, chegou a avançar mais de 1% nesta quinta-feira (20), destoando da cautela no exterior com novas ameaças do presidente norte-americano, Donald Trump, ao Irã e disparada dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, os Treasuries.
Por volta das 12h10, o Ibovespa subiu 1,15%, aos 169.752,35 pontos. O movimento, porém, logo perdeu força. Não há um vetor doméstico específico para a alta do índice, segundo especialistas consultados pelo Money Times.
Com a pressão nos preços do petróleo, com o barril do Brent para outubro perto de US$ 94, na Intercontinental Exchange (ICE), de Londres, a Petrobras (PETR3;PETR4) dispara mais de 3%, ajudando a impulsionar o índice.
Já na contramão do minério de ferro, que fechou em baixa de 1,19% na Bolsa de Dalian, na China, a Vale (VALE3) tem ganhos de mais de 2%.
Na avaliação do economista-chefe da Nomos Investimentos, Beto Saadia, o cenário, em todos os aspectos, não corrobora para uma alta da bolsa brasileira na sessão de hoje, visto que os índices no exterior estão caindo e não houve notícia positiva relevante ao longo do dia.
“Mas a alta do petróleo influenciando a Petrobras e, na sequência, a Vale também está subindo e puxando o Ibovespa”, afirma Saadia. “Vemos um fluxo comprador após muitas posições vendidas nas últimas duas semanas que estão sendo desfeitas hoje, o que gera compra. Além disso, temos níveis muitos depreciados da bolsa brasileira, depois de vários dias de queda”, complementa.
De acordo com Saadia, tanto o investidor pessoa física quanto o estrangeiro estão entrando na bolsa hoje olhando para os níveis baratos dela. Contudo, ele reitera que não há gatilhos específicos para o movimento de hoje tirando a alta das ações “peso-pesado” do índice.
Na mesma linha, o analista e sócio da Fatorial Investimentos, Fábio Lemos, afirma que o que está guiando o mercado é a combinação entre petróleo e juros dos Estados Unidos. No doméstico, complementa, a Petrobras e Vale impulsionam o Ibovespa.
“Os juros longos dos Treasuries voltaram a subir, mostrando que as recompras anunciadas ontem pelo Tesouro norte-americano aliviaram a liquidez, mas não eliminaram a preocupação com a inflação e a dívida”, detalha Lemos.
Ontem, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos informou que a dívida pública total dos EUA atingiu US$ 40,05 trilhões, ultrapassando a marca dos US$ 40 trilhões pela primeira vez na história, e, assim, representando mais que o dobro do que era há uma década.
Leia mais: Dívida dos EUA ultrapassa os US$ 40 trilhões pela 1ª vez, diz Tesouro
Além disso, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou nesta quinta-feira que pode aumentar novamente o volume de títulos do Tesouro que o governo irá recomprar, um dia depois de surpreender o mercado com planos de duplicar as recompras.
“Vamos aumentar o volume da recompra”, disse Bessent em entrevista à CNBC. “Gostaria de ressaltar que o valor pode ser superior a US$ 4 bilhões por emissão.
Diante desse cenário, a avaliação de Lemos é de ajuda das ações ligadas a commodities no Ibovespa, em vez de sinais suficientes que indiquem uma mudança estrutural de fluxo estrangeiro para o Brasil.
No mês de agosto, até o dia 18, houve retirada líquida de R$ 20,425 bilhões por parte dos investidores gringos.
Altas e baixas do Ibovespa
Na liderança da ponta positiva, aparece a Marcopolo (POMO4), com alta de 6,70%, a R$ 4,46, por volta das 12h58 (horário de Brasília).
Já a ponta negativa é encabeçada pelo Magazine Luiza (MGLU3), com recuo de 6,67%, a R$ 3,78.
Dólar
O dólar à vista opera em alta ante o real, com avanço de 0,19%, a R$ 5,1863, por volta das 13h14 (horário de Brasília).
O DXY, que compara o dólar a outras moedas fortes, tinha ligeira alta de 0,01%, aos 98.844 pontos, no mesmo horário.
Receba gratuitamente as newsletters do Money Times
*Com informações de Reuters