O que faz o Ibovespa saltar para os 176 mil pontos nesta quarta-feira (22)
O Ibovespa (IBOV) ganhou 3,5 mil pontos na primeira hora do pregão e retornou ao nível de 176 mil pontos, na contramão dos índices em Wall Street e apesar do ‘tarifaço’ dos Estados Unidos sobre os produtos brasileiros, de 25%, que entrou em vigor nesta quarta-feira (22).
Por volta de 10h40 (horário de Brasília), o principal índice da bolsa brasileira bateu a máxima intradia, aos 176.807,27 pontos, com alta de 2,01%. A pontuação representa um ganho de 3.481,62 pontos em relação ao fechamento anterior.
O iShares MSCI Brazil (EWZ), que é um fundo de índice (ETF, na sigla em inglês) negociado na Bolsa de Nova York (NYSE) que replica o desempenho do mercado acionário brasileiro – e que também opera influenciado por fatores externos -, também opera em forte alta. No mesmo horário, o EWZ subia 2,13%, a US$ 36,44, na máxima intradia.
O IBOV tem forte impulso das ações da Vale (VALE3). Considerado um dos ‘pesos-pesados’ do índice, com 11% de participação na carteira, os papéis da mineradora registram alta de mais de 3% nesta manhã em reação à prévia operacional e à eleição do conselho de administração – fatores que contribuem para a entrada de fluxo estrangeiro.
O relatório de produção da companhia confirmou a esperada recuperação operacional no segundo trimestre de 2026 (2T26). A prévia foi divulgada ontem (21) depois do fechamento do mercado.
A mineradora registrou avanço na produção e nas vendas de seus principais segmentos de negócios, com destaque para o minério de ferro, que alcançou seu melhor desempenho para um segundo trimestre desde 2018.
Os resultados também mostraram crescimento anual na produção de cobre e níquel, reforçando o momento positivo das operações da companhia.
Já na manhã de hoje, os acionistas da Vale (VALE3) elegeram, em Assembleia Geral Extraordinária (AGE) realizada nesta quarta-feira (22), Manuel Lino de Sousa Oliveira, conhecido como “Ollie”, para a presidência do conselho de administração da mineradora.
Ollie, que já integrava o colegiado e contou com o apoio da Previ, derrotou Marcelo Gasparino, em uma disputa que ganhou relevância por reacender o debate sobre a influência dos grandes acionistas na governança da companhia.
Ainda entre os pesos-pesados, Petrobras (PETR4;PETR3) ganha fôlego com a disparado do petróleo no exterior e salta 2%. O contrato futuro do Brent, referência mundial, opera com o barril sendo negociado a US$ 93.
Além disso, o BB Investimentos elevou a recomendação das ações PETR4 de neutra para compra. O preço-alvo é de R$ 45, o que implica em um potencial de valorização de 8% sobre o preço de fechamento de ontem.
O analista Daniel Cobucci avalia que a recente escalada das tensões no Oriente Médio com redução do tráfego no Estreito de Ormuz e o bloqueio dos Houthis no Mar Vermelho, deve ancorar os preços do petróleo em níveis elevados por mais tempo do que o previsto.
Esse cenário, na visão dele, beneficia Petrobras enquanto produtora de baixo custo sem exposição direta à zona de conflito.
A alta do IBOV ainda é patrocinada por bancos: o Índice Financeiro (IFNC) registra avanço de 1,18% com a melhora do apetite a risco,
WEG (WEGE3) também é um dos destaques positivos do IBOV, encabeçando a ponta positiva do índice e figurando como a ação mais negociada da B3.
A companhia reportou lucro líquido de R$ 1,55 bilhão no segundo trimestre, um recuo de 2,1% ante o mesmo período do ano anterior e avanço de 7% sobre o último trimestre, mostra relatório de resultados divulgado ao mercado nesta quarta-feira (22).
A cifra veio em linha com as expectativas do mercado. Projeções reunidas pela Bloomberg apontavam para um lucro de R$ 1,5 bilhão no período.
Na ponta negativa, Caixa Seguridade (CXSE3) lidera as perdas.
E o dólar?
O dólar opera em queda ante as moedas globais, como euro e libra. Por volta de 11h, o indicador DXY, que compara o dólar a uma cesta de seis divisas fortes, caía 0,10%, a 101.077 pontos.
Na comparação com o real, o dólar acompanha o movimento externo e ainda é pressionado pela entrada de fluxo estrangeiro. No mesmo horário, a divisa norte-americana operava a R$ 5,0591, com baixa de 0,29%.
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