Câmbio

Iene enfraquece mesmo com juros no maior nível em mais de três décadas

18 set 2026, 15:22 - atualizado em 18 set 2026, 15:47
O iene japonês e o dólar norte-americano. (Imagem: REUTERS/Florence Lo)

O iene voltou a perder força ante o dólar, mesmo após o Banco Central do Japão (BoJ, na sigla em inglês) elevar os juros para o maior nível em 31 anos. A moeda japonesa bateu mínima a 157,11 por dólar, no menor valor em duas semanas, com a falta de novas sinalizações mais duras sobre os próximos passos.

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“O iene enfraqueceu em relação ao dólar, à medida que o comunicado ofereceu pouca orientação adicional em tom hawkish para sustentar posições compradas em JPY”, avaliou Frantisek Taborsky, estrategista de câmbio e renda fixa do ING.

Como o esperado, o BoJ elevou os juros em 25 pontos-base, para 1,25% ao ano, por 7 votos a 2, sendo Toichiro Asada e Ayano Sato os dissidentes.

“A dissidência de Asada e Sato aponta para uma resistência ao ritmo mais acelerado de aumento de juros em mais de três décadas e sugere que eles podem atuar cada vez mais como um freio a um aperto monetário adicional”, destacou o estrategista.

Ou seja, para o banco, a dissidência pode dificultar que o conselho alcance consenso sobre outro aumento de juros ainda este ano.

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O ING também destacou que a surpresa ‘dovish’ também reforçou o alto nível de exigência estabelecido pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos) nesta semana, que elevou os juros para a faixa de 3,75% para 4,00% ao ano.

Além disso, a ministra das Finanças do Japão, Satsuki Katayama, afirmou que o país não hesitará em realizar novas intervenções cambiais coordenadas.

Depois da fala, o jornal Nikkei noticiou que autoridades japonesas realizaram verificações de taxas no mercado cambial, o que os operadores consideram como um indício de intervenção cambial.

O banco holandês continua a ver risco de alta para USD/JPY, com uma possível volta para a faixa de 157 a 160 nas próximas semanas, caso os preços do petróleo permaneçam elevados e o Fed volte a subir os juros já em outubro.

Decisão do BoJ

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Em comunicado, o BC afirmou que, embora a evolução econômica e dos preços esteja ocorrendo em linha com sua previsão básica, havia o risco de a inflação subjacente se desviar de sua meta de 2%.

“A inflação no atacado permanece elevada e as pressões sobre os preços decorrentes do comércio entre empresas começaram a se refletir nos preços ao consumidor”, afirmou o banco central.

“A inflação subjacente vem se aproximando de 2%”, diz o comunicado.

O presidente do Banco do Japão, Kazuo Ueda, reforçou a postura durante a coletiva de imprensa. “Se os riscos de a inflação subjacente ultrapassar 2% se concretizarem, isso poderá ter um impacto negativo na economia do Japão”, disse ele.

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“É importante estabilizar a inflação subjacente em 2%. Nossa fase de política monetária mudou”, acrescentou.

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Repórter
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter de Mercados no Money Times e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise política da XP Investimentos.
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter de Mercados no Money Times e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise política da XP Investimentos.

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