Irã e EUA concordam em interromper ataques e retomar negociações, diz autoridade dos EUA
O Irã e os Estados Unidos concordaram em interromper as recentes hostilidades no Golfo e retomar as negociações sobre sua disputa em relação ao Estreito de Ormuz, disse uma autoridade norte-americana neste domingo (28), aumentando as esperanças de salvar um acordo de paz provisório que vinha sofrendo pressão após dias de ataques e contra-ataques.
“As negociações técnicas devem continuar em todas as áreas do memorando de entendimento (MOU). Ambos os lados irão suspender as ações por enquanto, e as embarcações poderão navegar livremente”, afirmou a autoridade, referindo-se ao memorando de entendimento de 14 pontos acordado em 17 de junho, segundo o qual o estreito seria reaberto ao tráfego marítimo.
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O Axios, que foi o primeiro veículo a noticiar a interrupção das hostilidades, citando uma alta autoridade dos EUA, informou que as negociações serão retomadas nesta terça-feira (30), no Catar.
O retorno à diplomacia ocorre após vários dias de ataques e contra-ataques desde que um projétil iraniano atingiu um navio de carga no Estreito de Ormuz, na última quinta-feira, com tanto os EUA quanto o Irã acusando um ao outro de violar um cessar-fogo provisório acordado em 17 de junho.
O Irã lançou mísseis e drones contra instalações militares dos EUA no Kuwait e no Bahrein na madrugada de domingo, pouco depois de o presidente Donald Trump ameaçar que a República Islâmica deixaria de existir caso não cumprisse o acordo para encerrar a guerra.
Enquanto isso, Israel informou que voltou a atacar militantes do Hezbollah apoiados pelo Irã no Líbano, destruindo infraestrutura subterrânea utilizada pelo grupo em uma vila no sul do país. O ataque ocorreu após outra ofensiva realizada no sábado, pouco depois do mais recente acordo de cessar-fogo firmado entre Israel e o Líbano na sexta-feira (26). O Irã afirma que os combates no Líbano precisam terminar para que o acordo mais amplo seja mantido.
Mais cedo, os militares dos EUA disseram ter voltado a atacar o Irã, poucas horas depois de um navio-tanque ter sido atingido no Estreito de Ormuz, a mais importante rota marítima do mundo para o transporte de energia, que Teerã manteve amplamente fechada durante a maior parte do conflito.
“Pode chegar um momento em que não sejamos mais capazes de agir com razoabilidade e sejamos forçados a concluir militarmente o trabalho que iniciamos com muito sucesso”, escreveu Trump nas redes sociais, antes da reportagem do Axios.
“Se isso acontecer, a República Islâmica do Irã deixará de existir!”, acrescentou.
O acordo provisório de paz de 14 pontos tinha como objetivo interromper os combates, iniciados pelos EUA e por Israel em 28 de fevereiro, e reabrir o estreito enquanto prosseguiam as negociações sobre questões como o programa nuclear iraniano.
Violência e acusações após o acordo de paz
Uma rodada de negociações mediadas, liderada pelo vice-presidente JD Vance e pelo presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, foi realizada na Suíça há uma semana, e Washington suspendeu sanções contra Teerã. No entanto, desde então os combates foram retomados e se intensificaram.
Cerca de uma hora após a publicação de Trump, o Exército do Kuwait informou que seus sistemas de defesa aérea estavam respondendo a ataques com mísseis e drones, enquanto o Bahrein informou que sirenes de alerta haviam soado no país.
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã afirmou, em comunicado, que sua Marinha e sua Força Aeroespacial lançaram operações com mísseis e drones contra instalações militares dos EUA no Kuwait e no Bahrein.
A Guarda declarou que os ataques norte-americanos violaram o cessar-fogo e “resultarão na interrupção completa de todos os processos diplomáticos”, informou a emissora estatal Press TV. O comando naval da Guarda Revolucionária afirmou que as bases americanas na região “viverão um inferno nos próximos dias”.
Uma autoridade dos EUA, confirmando que o Irã havia atacado instalações norte-americanas, disse à Reuters que não havia relatos de vítimas entre os militares dos EUA nem de danos significativos às bases americanas no Oriente Médio, embora a situação ainda estivesse em desenvolvimento.
Horas depois, alarmes voltaram a soar no Bahrein. As autoridades informaram que um ataque iraniano danificou um edifício residencial na província de Muharraq, sem registro de vítimas. O Bahrein pediu ao Conselho de Segurança da ONU que convoque uma sessão de emergência para responsabilizar o Irã.
O Exército do Kuwait informou ter interceptado dois mísseis balísticos, sem registrar danos ou vítimas.
Separadamente, o Catar informou que um de seus cidadãos morreu após sofrer ferimentos causados por estilhaços a bordo de uma embarcação que havia desaparecido no sábado. Uma segunda pessoa ficou ferida no incidente, que, segundo o Ministério do Interior, foi provocado por “operações militares na região”, sem informar o local exato nem atribuir responsabilidade a qualquer das partes.