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Itaú (ITUB4) e Bradesco (BBDC4): Bancões são estratégia defensiva frente à incerteza das eleições de 2026; saiba se é hora de comprar ou vender

18 maio 2026, 8:00 - atualizado em 15 maio 2026, 16:55

Analistas do mercado financeiro avaliaram de forma positiva algumas das principais empresas do setor financeiro, após resultados do primeiro trimestre 2026 (1T26). As análises são feitas em um momento de maior incerteza local diante das eleições presidenciais.

Nas últimas semanas, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou o Desenrola 2.0, pacote contra o crime organizado, suspensão da taxa das blusinhas, entre outras medidas que já visam as eleições deste ano.

Ainda no campo político, o vazamento do áudio do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para o dono do banco Master, Daniel Vorcaro, no qual pedia dinheiro para a produção do filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, também agitou o mercado.

Com isso, o desfecho do cenário político na economia parece imprevisível, e a cautela pode ser uma aliada, de acordo com analistas.

Descubra se é hora de comprar ou vender no Money Picks desta semana.

O Itaú tem combinado rentabilidade elevada, crescimento consistente e distribuição de dividendos. Por isso, BTG, Bradesco e Genial mantiveram recomendação de compra e citam a instituição como a principal referência entre os incumbentes brasileiros.

O banco entregou um resultado forte no 1T26 em relação ao lucro e ao retorno sobre o patrimônio, que esbarrou em 25%, o maior nível em 10 anos. O que mais chamou atenção foi o controle da inadimplência, mesmo com juros altos e sazonalidade negativa.

Sua ação, contudo, já caiu mais de 10% desde abril e se afastou das máximas históricas, em razão do lucro antes dos impostos cerca de 2% abaixo do esperado e da decepção com a receita de serviços, com maiores gastos com provisões.

Além disso, ITUB4 é um dos papéis mais líquidos da bolsa. Assim, quando o investidor estrangeiro reduz posição no Brasil, a instituição sente o movimento rapidamente.

BB Investimentos e Safra seguem otimistas com a recuperação operacional do Bradesco, mantendo recomendação de compra diante do balanço do 1T26, marcado pelo aumento do lucro, melhora da rentabilidade e avanço das margens.

Outro ponto que animou os analistas foi a área de seguros e saúde. A Genial destacou que a reorganização desses ativos pode destravar valor relevante para o banco e ainda aprimorar sua posição de capital.

Mesmo assim, a ação caiu forte: desde a máxima do ano, em fevereiro, o papel já tombou cerca de 14% e, na prática, devolveu todos os ganhos de 2026. O motivo é o aumento relevante das provisões, cuja linha subiu mais de 26% em um ano, quase alcançando R$ 10 bilhões no trimestre.

Como consequência, o mercado se assustou com a possibilidade de o Bradesco ver uma deterioração maior da economia e da qualidade do crédito no futuro. Mas o CEO disse que o aumento veio de um caso específico no atacado e que a decisão foi tomada por prudência, e não por questões estruturais.

Apesar do lucro recorde, com avanço de 38% no 1T26 em relação ao mesmo período do ano anterior e alta de 15,5% no retorno sobre o patrimônio líquido, os papéis do banco tiveram a maior queda em aproximadamente três anos — mais de 14% na Nasdaq.

A razão é a piora da inadimplência, com os atrasos acima de 90 dias subindo para 5,1%, ao mesmo tempo em que a inadimplência de curto prazo também acelerou. Para o Safra, o resultado veio abaixo do esperado e parece ir além de um efeito sazonal do início do ano.

O BB Investimentos também mencionou uma “perda gradual de fôlego” no crescimento do Inter. De acordo com os analistas, o ritmo parece menos exuberante do que antes, apesar de o lucro continuar aumentando.

A Visa é um dos principais gateways (sistema para facilitar transações financeiras online) com potencial para capturar o crescimento dos pagamentos eletrônicos nos próximos anos, afirma o analista de ações internacionais Enzo Pacheco, da Empiricus Research.

No segundo trimestre fiscal de 2025, encerrado em março deste ano, a companhia processou 257,5 bilhões de transações, alta de 10% em comparação com o mesmo período do ano anterior.

A vantagem, segundo Pacheco, é que a ação da empresa está imune a riscos como inadimplência e crédito, que ficam por conta dos bancos. Isso porque a Visa cuida somente da comunicação entre as partes envolvidas na operação, definindo as regras da transação, autorizando-a ou liquidando-a.

Dessa forma, sua receita vem majoritariamente das tarifas cobradas de bancos e parceiros comerciais em cada compra realizada com cartões de crédito da bandeira, que já alcançam 4,9 bilhões.

*Com supervisão de Kaype Abreu

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Estagiário no Money Times e estudante de Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero. Foi trainee e repórter freelancer na Folha de S.Paulo.
Estagiário no Money Times e estudante de Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero. Foi trainee e repórter freelancer na Folha de S.Paulo.
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