JP Morgan avalia 1T26 do varejo e elege 3 ações favoritas para ficar de olho; veja
Após a divulgação dos balanços de grande parte das empresas do varejo sob cobertura do JP Morgan, o banco gringo avalia que, de forma geral, a demanda do consumidor segue limitada pelos fundamentos macroeconômicos.
O endividamento das famílias e a taxa básica de juros (Selic) em patamares elevados permanecem pressionando o consumo discricionário e mantendo o consumidor focado em preço.
Os analistas do banco destacam que a maioria das varejistas mencionou em seus balanços o ambiente macroeconômico mais fraco e consumo pressionado devido ao combo de endividamento, juros e crescimento acelerado das apostas esportivas (bets).
“Além disso, a deflação nos preços de commodities alimentícias pressionou o ticket médio do atacarejo. O programa Desenrola Brasil foi citado por três companhias como um fator potencialmente positivo, mas insuficiente para alterar materialmente o cenário. As empresas também destacaram que Norte e Nordeste vêm apresentando desempenho abaixo da média nacional”, diz o banco.
A preferência do JP Morgan no varejo continua concentrada em empresas com forte crescimento de lucro por ação (EPS), como RD Saúde (RADL3), Smart Fit (SMFT3). Além disso, o banco segue com visão favorável para a C&A (CEAB3), devido à valuation atrativa e tendências operacionais sólidas.
Destaques do trimestre
O JP Morgan pontua que as varejistas de vestuário estão olhando para a janela agregada do segundo e terceiro trimestre de 2026 e há uma visão construtiva em margem bruta.
As vendas mesmas lojas (SSS) e a margem bruta das divisões de varejo da C&A Brasil e da Riachuelo surpreenderam positivamente, enquanto a Lojas Renner ficou levemente abaixo das expectativas (e dos pares), mas com rentabilidade melhor, de acordo com os analistas.
“Para o segundo trimestre deste ano, as companhias mostraram uma cautela otimista, mas alertaram que é mais apropriado analisar o desempenho agregado dos segundo e terceiro trimestre, especialmente por conta da base de comparação forte do 2T25 (inverno muito robusto)”, diz o banco.
No caso da Azzas 2154, os resultados devem continuar fracos devido ao processo de turnaround da Hering.
A retirada do imposto sobre compras internacionais (cross-border tax, a chamada “taxa das blusinhas”) foi repetidamente citada como um risco relevante para o setor.
Do lado das redes de farmácia, as varejistas comentaram que o fornecimento de Mounjaro (Tirzepatida) ainda é irregular, mas deve melhorar a partir do 2T26.
Além disso, tanto RD Saúde quanto Pague Menos apontaram para um mercado paralelo massivo, que poderia ser cerca de 3 a 4 vezes maior que o mercado oficial de Mounjaro no Brasil.
“A chegada de genéricos e similares da semaglutida (esperada para o fim de 2026 ou 2027) é vista como um ponto de inflexão importante, que pode formalizar o mercado consumidor e expandir estruturalmente o mercado endereçável”, dizem os analistas.