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JBS (JBS32): cotas da China pressionam carne bovina no Brasil e na Austrália no 3T26, mas EUA dão alívio

22 out 2026, 13:34
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(Foto: Divulgação JBS)

A JBS (JBSS32) deve enfrentar um terceiro trimestre de 2026 (3T26) desafiador, com as cotas chinesas de importação de carne bovina pressionando os volumes, os preços e as margens das operações no Brasil e na Austrália.

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A recuperação da rentabilidade da carne bovina nos Estados Unidos deve ser o principal ponto positivo do balanço, mas não será suficiente para compensar as dificuldades enfrentadas pelas demais unidades de negócios, segundo prévias de resultados de XP Investimentos, BTG Pactual e Itaú BBA.

O BTG Pactual projeta Ebitda ajustado de US$ 1,28 bilhão no período, queda de 30% na comparação anual, com margem de 5,5%.

A XP Investimentos estima receita de US$ 22,8 bilhões, alta de 1% em um ano e recuo de 5% frente ao segundo trimestre, além de Ebitda de US$ 1,3 bilhão e margem de 5,8%.

O Itaú BBA também prevê Ebitda de aproximadamente US$ 1,3 bilhão e avalia que o resultado pode ficar abaixo das expectativas dos investidores.

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No Brasil, a operação de carne bovina da Friboi deve estar entre os principais detratores dos resultados. O esgotamento da cota anual de importação da China reduziu as oportunidades de exportação e pressionou os preços realizados, enquanto os custos do gado continuam sendo uma preocupação. A XP espera que as margens da operação recuem para níveis baixos de um dígito.

Na Austrália, a combinação entre o preenchimento das cotas chinesas e os preços mais elevados dos animais também deve prejudicar o desempenho. O BTG, contudo, vê possibilidade de recuperação dos embarques no quarto trimestre, para entregas dentro da cota chinesa de 2027.

Na direção oposta, a carne bovina nos Estados Unidos deve apresentar os primeiros sinais mais claros de recuperação.

A redução dos custos do gado, favorecida pela reabertura da fronteira mexicana para a entrada de animais vivos e pelo aumento da disponibilidade de animais, deve melhorar os spreads de processamento.

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O Itaú BBA projeta expansão de 175 pontos-base na margem da operação em relação ao trimestre anterior, com retorno à rentabilidade positiva e Ebitda estimado em US$ 32 milhões.

Ainda assim, a sustentabilidade dessa recuperação ao longo de 2027 será determinante para a trajetória dos resultados da companhia.

As operações de aves e suínos também devem contribuir para um trimestre mais fraco. A Pilgrim’s Pride (PPC), nos Estados Unidos, tende a sofrer com a normalização das margens de frango após níveis historicamente elevados.

Na Seara, a rentabilidade deve recuar em relação ao segundo trimestre, apesar de margens ainda saudáveis, diante de spreads mais fracos, excesso de oferta global de carne suína e maiores custos de embalagens.

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A operação de suínos nos EUA também deve enfrentar pressão, com menores volumes de exportação, consumo mais fraco e grãos mais caros para alimentação animal.

Além das condições de mercado, o setor acompanha os possíveis efeitos do surto de doença de Newcastle no Brasil sobre o comércio internacional de aves.

A China já sinalizou que as restrições devem ser regionalizadas, o que reduz o risco de uma interrupção generalizada das exportações brasileiras, embora a evolução das medidas sanitárias continue no radar.

Para os próximos trimestres, a recuperação da carne bovina norte-americana e a possibilidade de retomada dos embarques brasileiros e australianos são fatores de sustentação.

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A XP avalia que o ciclo de revisões negativas das estimativas de resultados da JBS pode ter ficado para trás, com revisões positivas ganhando espaço gradualmente.

O BTG, por sua vez, pondera que a recuperação deve ser parcial no quarto trimestre, diante da virada dos ciclos de aves e suínos e dos primeiros sinais de retenção de gado no Brasil, que podem contribuir para a alta dos custos.

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A recomendação para JBS

Apesar do trimestre difícil, as três casas mantêm uma visão favorável para a ação. A XP reitera recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 104,60 para os BDRs da JBS, enquanto o BTG Pactual também recomenda compra, com preço-alvo de R$ 100.

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O Itaú BBA mantém recomendação equivalente a desempenho acima da média do mercado (outperform), equivalente à compra, para os papéis negociados nos Estados Unidos, com preço-alvo de US$ 18 para 2027.

Para o banco, a companhia ainda combina potencial de recuperação dos resultados com espaço para expansão de múltiplos.

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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