JBS (JBSS32): Novo negócio reforça DNA de ‘comprar barato e vender caro’ e pode gerar até US$ 1,4 bilhão, diz BTG
A nova joint venture da JBS (JBSS32) com a Danantara Investment Management (DIM), braço do fundo soberano da Indonésia, reforça o DNA da companhia de “comprar barato e vender caro” e pode gerar até US$ 1,4 bilhão em valor para os acionistas, segundo o BTG Pactual.
Para o banco, a operação representa uma nova fronteira de crescimento para a JBS e pode destravar entre 5% e 16% de valor para a companhia, com potencial de geração adicional conforme os recursos captados sejam utilizados em novas oportunidades de expansão.
“Acreditamos que esse negócio, em última instância, reflete a disposição permanente da JBS de ‘comprar barato e vender caro’”, afirmaram os analistas Thiago Duarte e Guilherme Guttilla, do BTG.
JBS mira expansão na Indonésia
Pelo acordo anunciado pela JBS, a companhia contribuirá para a joint venture com sua participação integral nas operações da Austrália e da Nova Zelândia. A Danantara, por sua vez, investirá US$ 2,5 bilhões para adquirir inicialmente 25% da nova empresa.
A integração entre as duas empresas terá como objetivo buscar crescimento orgânico e por meio de aquisições na Indonésia e no Sudeste Asiático. A participação da Danantara poderá aumentar para até 30%, dependendo do desempenho do EBITDA da operação em 2026 e 2027.
Na avaliação do BTG, a operação coloca a JBS em uma região com elevado potencial de crescimento no consumo de proteínas.
A Indonésia tem cerca de 290 milhões de habitantes, mas apresenta um dos menores níveis de consumo per capita de proteínas animais do mundo, o que, na visão do banco, cria uma oportunidade relevante para expansão.
Até US$ 1,4 bilhão em valor
O BTG estima que as operações australianas da JBS gerarão US$ 760 milhões de EBITDA em 2026. Considerando os termos iniciais do negócio, a joint venture terá cerca de US$ 8,5 bilhões em valor de firma (EV), incluindo aproximadamente US$ 1 bilhão em dívida líquida.
Isso implica um múltiplo de 11,2 vezes EV/Ebitda, enquanto a JBS é negociada atualmente a cerca de 7 vezes EV/Ebitda estimado para 2026.
É justamente essa diferença de múltiplos que, segundo o BTG, está no centro da criação de valor da operação.
Inicialmente, os analistas calculavam uma criação de valor de US$ 2,5 bilhões para a JBS, equivalente a 16% de sua capitalização de mercado.
Existe, porém, um mecanismo de ajuste na participação da Danantara. Para cada queda de 5% no EBITDA médio da JBS Austrália em 2026 e 2027 em relação a 2025, a participação do fundo na join venture aumentará em 1 ponto percentual, até o limite de 30%.
Como o BTG projeta que o Ebitda médio no período ficará 16% abaixo do registrado em 2025, a expectativa é de que a participação da Danantara chegue a 28%.
Nesse cenário, o valor patrimonial pré-money implícito da joint venture cairia para aproximadamente US$ 6,4 bilhões. Ainda assim, o negócio representaria uma criação de valor de aproximadamente US$ 1,4 bilhão para a JBS, equivalente a cerca de 9% da capitalização de mercado da companhia.
Plataforma para novas aquisições
Além da criação de valor imediata, o BTG vê a joint venture como uma possível plataforma para a JBS acelerar sua expansão na Ásia.
Historicamente, a companhia não demonstrou grande apetite por parcerias com outros grupos, embora tenha feito algumas exceções recentes, como a parceria no Oriente Médio e a entrada no segmento de ovos.
Na visão do BTG, a nova estrutura reúne governança sólida, balanço patrimonial robusto e uma trajetória estratégica clara, condições que podem permitir à JBS buscar ativos de aquisição negociados a múltiplos baixos.
“Agora, sob uma joint venture com governança sólida, um balanço patrimonial extremamente robusto e uma trajetória estratégica clara, acreditamos que ela buscará alvos de aquisição negociados a múltiplos baixos”, afirmaram os analistas.
BTG mantém recomendação de compra
O BTG mantém a recomendação de compra (buy) para a JBS e preço-alvo de R$ 100 em 12 meses.
O preço-alvo representa um potencial de valorização de 43,1%. Somado ao dividend yield projetado de 7,2%, o retorno potencial total chega a 50,3%.
“Considerando nosso universo de cobertura de proteínas nos Estados Unidos e no Brasil, a JBS continua oferecendo a combinação mais atraente de valuation, diversificação, disciplina na alocação de capital e geração de fluxo de caixa no médio prazo”, afirmaram os analistas.
Para o BTG, o anúncio da parceria reforça essa tese ao adicionar uma nova camada de desalavancagem e, ao mesmo tempo, abrir espaço para novos investimentos em crescimento.
A JBS continua como a única recomendação de compra do BTG no segmento de proteínas.