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JP Morgan mantém cautela com varejo alimentar, mas prefere Assaí (ASAI3) a Grupo Mateus (GMAT3); veja

25 maio 2026, 15:19 - atualizado em 25 maio 2026, 15:19
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(Imagem: Assai/Divulgação)

O varejo alimentar passa por um período de cautela, em meio à dinâmica da inflação dos alimentos e cenário de juros elevados. O JP Morgan atualizou as estimativas para as empresas do setor após o primeiro trimestre de 2026 (1T26), com preferência pelo Assaí (ASAI3) em relação ao Grupo Mateus (GMAT3).

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Olhando para o setor, do lado da receita as tendências devem melhorar ao longo do ano, com a inflação de alimentos acelerando de 0%-2% para cerca de 7% até o fim do ano, o que pode sustentar uma retomada do crescimento de vendas de mesmas lojas (SSS, na sigla em inglês).

Ainda assim, na visão do banco, a elasticidade da demanda segue sendo um ponto de atenção nesse cenário, já que a renda disponível continua pressionada no Brasil.

A equipe de analistas liderada por Joseph Giordano mantém uma visão cautelosa sobre o segmento, mas pondera que cenário de inflação de alimentos está evoluindo melhor do que o esperado, o que pode ajudar o momentum de SSS no segundo semestre.

“A inflação de alimentos continua surpreendendo para cima e ultrapassando as expectativas, impulsionada pelo aumento dos preços no atacado, com potencial adicional de alta caso o fenômeno climático “El Niño” se mostre mais forte do que o esperado”, diz o JP Morgan.

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As ações do Assaí são destaque positivo na Bolsa no pregão desta segunda-feira (25). Por volta de 15h (horário de Brasília), ASAI3 saltava 6,75%, cotada a R$ 9,01. Acompanhe o tempo real.

Assaí pode capturar oportunidade

Os analistas avaliam que as tendências seguem fracas para Assaí, mas um potencial de alta pode vir da aceleração da inflação de alimentos. O momentum de vendas no segundo trimestre do ano deve continuar decepcionante e o JP Morgan projeta SSS de -0,9%, com aceleração gradual para cerca de 2% no segundo semestre.

“Apesar do ritmo fraco, acreditamos que o ASAI3 é o melhor nome para capturar uma eventual aceleração da inflação de alimentos, embora ainda não estejamos incorporando uma melhora relevante de SSS devido à baixa visibilidade sobre elasticidade e volumes em um cenário de alta de preços”, dizem os analistas.

Caso esse cenário se concretize, a visão é de que cortes relevantes de juros podem ser ainda mais postergados, algo parcialmente compensado por uma monetização mais forte do que o esperado dos créditos tributários de PIS/COFINS, ajudando na desalavancagem.

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Nesse contexto, o banco vê crescimento tímido de vendas brutas, de cerca de 3% em 2026 (isolando o efeito do ICMS-ST), com margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustada estável (pré-IFRS 16) em 5,8%.

Com isso, o lucro líquido ajustado pré-IFRS 16 deve atingir cerca de R$ 800 milhões neste ano (com Selic média de 14,2%) e aproximadamente R$ 1,3 bilhão em 2027 (Selic média de ~12,2%).

“Após a revisão das estimativas, as projeções de Ebitda ficaram praticamente inalteradas, mas o lucro por ação ajustado (pré-IFRS 16) para 2026 e 2027 caiu 7%/9%, refletindo juros mais altos por mais tempo. Isso, combinado com um maior custo de capital, levou o preço-alvo para dezembro de 2026 a cair de R$ 11,00 para R$ 10,00”, diz o JP Morgan.

A recomendação do banco para ASAI3 é Neutra.

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Sinal amarelo para o Grupo Mateus

Na leitura do banco gringo, em termos relativos, o Grupo Mateus se encontra em uma situação mais desafiadora, que pode impedir a companhia de capturar os benefícios da inflação mais alta, tendo em vista a queda nos auxílios financeiros aos estados do Nordeste na comparação anual e o encerramento do atacado em lojas físicas em alguns estados.

“A aceleração da inflação de alimentos deve favorecer o setor como um todo, mesmo em um contexto de possível migração do consumidor para produtos mais baratos e substituição de itens.

“Ainda assim, acreditamos que o Grupo Mateus tende a capturar menos esse benefício, considerando que as tendências de vendas no Nordeste vêm rodando abaixo da média nacional, refletindo um consumidor mais fragilizado”, diz o banco.

Dessa maneira, o crescimento mais lento da receita deve provocar desalavancagem operacional neste ano, parcialmente compensada por iniciativas contínuas de eficiência de despesas e foco em margem bruta.

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No consolidado, a expectativa é de um crescimento de vendas de cerca de 7% neste ano, enquanto a margem Ebitda ajustada deve cair 70 pontos-base na comparação anual, para 6,6%, resultando em leve queda nominal do Ebitda .

“O capital de giro deve continuar melhorando, embora acreditemos que o mercado permanecerá focado nas tendências de SSS e margem, já que as melhorias no ciclo de caixa devem ocorrer apenas gradualmente e ganhos de eficiência mais relevantes tendem a se acumular apenas no longo prazo”, dizem os analistas.

Após revisarem as estimativas, o JP Morgan reduziu o Ebitda ajustado ao final de 2026 e 2027 em 10% e 8%, respectivamente, e o lucro líquido majoritário em 9%. Com isso, a projeção é de que o Grupo Mateus entregue lucro líquido majoritário de R$ 1,1 bilhão (ex-IFRS 16).

O banco tem classificação underweight para as ações GMAT3, equivalente à venda.

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Repórter
Formada em jornalismo pela Universidade Nove de Julho. Ingressou no Money Times em 2022 e cobre empresas, com foco em varejo e setor aéreo.
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