Juros futuros: Taxas de médio e longo prazos avançam na esteira dos Treasuries de olho em Oriente Médio
A curva de juros futuros encerrou as negociações desta quarta-feira (14) sem direção única. Os vencimentos mais curtos fecharam em queda, enquanto os vértices de médio e longo prazos avançaram na esteira dos títulos norte-americanos.
A taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, caiu 30 pontos-base e fechou a 13,960% ante 13,990% do ajuste anterior.
Já a taxa de DI para janeiro de 2029, de médio prazo, encerrou as negociações em alta, a 13,220% ante 13,210% do fechamento anterior.
A DI para janeiro de 2036, de longo prazo, terminou o dia a 13,470% ante 13,425% do fechamento da última terça-feira (15).
Nos Estados Unidos, os rendimentos (yields) dos títulos do Tesouro norte-americano, os Treasuries, registraram alta e fecharam próximos das máximas intradia.
O yield do Treasury de dois anos – mais sensível a política monetária – terminou a 3,761% ante 3,751% do ajuste anterior. Durante a sessão, o rendimento renovou máxima a 3,78%.
Já o retorno do título de dez anos – referência global para decisões de investimento – subiu a 4,281% ante 4,256% do fechamento anterior.
O que mexeu com os DIs hoje?
Os investidores continuaram em compasso de espera por novas negociações entre Estados Unidos e Irã para um cessar-fogo definitivo.
Pela manhã, uma autoridade iraniana disse à Reuters que o governo Trump não concordou formalmente com a extensão da ‘trégua’ nos combates.
“Há um engajamento contínuo entre EUA e Irã para chegar a um acordo”, afirmou a autoridade sênior à agência de notícias.
Na semana passada, os dois países firmaram um acordo de cessar-fogo por 15 dias.
Já no final da tarde, os EUA emitiram novas sanções relacionadas ao Irã e ao contraterrorismo, atingindo três pessoas, 17 entidades e nove embarcações, de acordo com um aviso publicado no site do Departamento do Tesouro norte-americano.
Um dos sancionados é Mohammad Hossein Shamkhani, filho de Ali Shamkhani, figura-chave na política de segurança e nuclear do Irã, morto em ataques conjuntos dos EUA e de Israel contra Teerã em 28 de fevereiro.
“O Tesouro está agindo de forma agressiva com a Operação Fúria Econômica, visando elites do regime como a família Shamkhani, que tentam lucrar às custas do povo iraniano”, disse o secretário do Tesouro, Scott Bessent, em comunicado.
Eleições, dados e expectativas para a Selic
O cenário doméstico também movimentou a curva de juros futuros.
Por aqui, a pesquisa Genial/Quaest mostrou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um potencial segundo turno da eleição presidencial de outubro.
Entre os dados, o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-10) saltou 2,94% em abril, acima do esperado, após queda de 0,24% em março, de acordo com dados da Fundação Getulio Vargas (FGV). O avanço da inflação em abril foi decorrente de reflexos diretos e indiretos da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã.
Já o setor varejista do Brasil seguiu em expansão em fevereiro e renovou o recorde de volume de vendas da série histórica iniciada em 2000.
As vendas tiveram alta de 0,6% na comparação com o mês anterior, acelerando em relação a avanço de 0,4% em janeiro, mas o resultado ficou abaixo da expectativa em pesquisa da Reuters de ganho de 1,0%.
No final da tarde, o diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, disse que os membros da autoridade monetária não estão satisfeitos com o fato de as expectativas de inflação para 2028 estarem subindo, acrescentando que o BC vai mirar na meta de 3%.
“É claro que não estamos felizes que a expectativa de inflação para 2028 está subindo”, disse David, durante palestra em seminário do JP Morgan em Washington.
No último Boletim Focus, a mediana das projeções de economistas do mercado para a inflação em 2028 estava em 3,60% – acima dos 3,50% projetados um mês antes. O centro da meta de inflação perseguida pelo BC é de 3%.
David ainda reiterou que o processo atual de cortes da Selic é de “calibração”, e não de “flexibilização”, já que ao fim do ciclo a taxa básica seguirá em campo restritivo.