Mercados

Juros globais disparam e renovam máximas de décadas com nova onda de ataques no Oriente Médio

01 set 2026, 18:21
Imagem: (alexsl / iStock)

Uma nova liquidação dos títulos globais levou os juros de dívidas soberanas para as máximas de várias décadas nesta terça-feira (1º), em meio à reescalada das tensões no Oriente Médio.

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Nos Estados Unidos, o rendimento do título do Tesouro, Treasury, de 10 anos — referência para empréstimos imobiliários, financiamento de veículos e dívidas de cartão de crédito — atingiu 4,80%, no maior nível desde janeiro de 2025.

Enquanto isso, no Japão, o rendimento do título (JGBs) de 10 anos subiu mais de 6 pontos-base, a 3%, no maior patamar desde 1996.

O movimento também foi observado na Europa. O rendimento do título do governo britânico, conhecido como Gilts, com vencimento de 10 anos alcançou 5,2341%, o nível mais alto desde junho de 2008. Já o Gilt de 30 anos teve alta de 9 pontos-base, a 5,8856%, no maior patamar desde março de 1998.

Os títulos do governo alemão — geralmente vistos como um indicador dos custos de empréstimo da zona do euro — também subiram. O Bund de 10 anos registrou nova máxima do ano a 3,3546%, enquanto o rendimento do título de dois anos superou o nível mais alto desde julho de 2024, a 2,9496%.

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A disparada dos juros globais tem um fator comum por trás: a nova onda de ataques entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio impulsionou os preços do petróleo para a cotação acima US$ 90 o barril e reacendeu as preocupações com inflação às vésperas de decisões de política monetária.

“Sem um caminho claro para a reabertura do Estreito após seis meses de guerra, as preocupações com a inflação permanecem elevadas”, avaliam os estrategistas do UBS BB.

Ainda segundo o banco, as incerteza sobre as perspectivas para a política do Federal Reserve, as preocupações fiscais e o aumento das emissões de dívida relacionadas à inteligência artificial (IA) mantiveram os títulos sob pressão.

Na visão do banco, a forte volatilidade dos rendimentos dos títulos soberanos provavelmente persistirá no curto prazo.

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Considerando apenas os títulos dos Estados Unidos, um dos ativos mais seguros do mundo, o UBS projeta que os rendimentos dos Treasuries de 30 e 10 anos terminem o ano em 5% e 4,5%, respectivamente.

De olho no Oriente Médio

Nesta terça-feira, o Comando Central dos EUA (Centcom, em inglês) confirmou relatos de que as forças norte-americanas iniciaram ataques contra alvos da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) no Irã.

O presidente norte-americano Donald Trump defendeu a ação e disse que o mais recente ataque dos EUA ao Irã foi “justificado” e ameaçou com ataques mais intensos caso Teerã retaliasse.

Do outro lado, o Irã responderá aos ataques de hoje de “maneira intensa”, segundo a agência iraniana Tasnim.

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Com a escalada de tensões, o contrato mais líquido do petróleo Brent, referência para o mercado internacional, para novembro fechou com alta de 4,6%, a US$ 94,65 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres, no maior nível desde julho.

Mas, na avaliação do UBS BB, embora os preços do petróleo ainda estejam elevados em relação aos níveis anteriores ao conflito, eles devem permanecer bem abaixo daqueles associados a um choque significativo no crescimento global, à medida que continuam os esforços para reabrir o Estreito de Ormuz.

“Nosso cenário-base continua sendo de que o tráfego pela hidrovia deve se recuperar gradualmente ao longo do tempo, em meio às pressões econômicas sobre os EUA, o Irã e os países do Golfo”, destacaram os estrategistas do banco.

Para eles, uma retomada gradual do fornecimento de petróleo deve reforçar a tendência desinflacionária evidente nos dados recentes dos EUA.

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“Embora o índice geral e o núcleo de preços das despesas de consumo pessoal (PCE) de julho não tenham apontado para uma desaceleração significativa da inflação, a contribuição das categorias sensíveis ao petróleo e às tarifas para a parcela dos componentes do PCE com inflação elevada caiu pela metade nos últimos quatro meses”, afirmaram.

Na semana passada, porém, o presidente do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA), Kevin Warsh, afirmou que o BC “terá trabalho a fazer” caso a inflação não caminhe rapidamente para a meta de 2%. Segundo ele, “o progresso [de levar a inflação à meta] nos últimos dois anos tem sido modesto”.

O PCE, a inflação preferida do Fed, registrou alta de 3,7% em agosto — acima da meta e das expectativas do mercado.

E no Brasil?

Na contramão do exterior, as taxas de Depósito Interfinanceiro (DI) fecharam em baixa após dados do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre mostrarem retração no consumo das famílias.

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A economia brasileira cresceu 0,5% no segundo trimestre ante os três meses anteriores, após expansão de 1,1% no primeiro trimestre.

Na comparação com o segundo trimestre de 2025, o PIB cresceu 2,0%. Os economistas ouvidos em pesquisa da Reuters projetavam alta de 0,4% na margem e de 1,8% na comparação anual.

O resultado reforçou a percepção no mercado de que o Banco Central caminha para promover mais cortes da taxa Selic, hoje em 14,00%.

“Dá para continuar cortando devagarzinho, de forma gradual, com parcimônia”, avaliou Caio Megale, economista-chefe da XP Investimentos, durante evento pela manhã em São Paulo, destacando a fraqueza do consumo das famílias.

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“Ao mesmo tempo, temos choques de custo muito relevantes. Vale o BC ser cauteloso, esperar esses choques passarem, se consolidarem neste cenário eleitoral. Aí sim (o BC) vai encontrar espaço mais claro para redução de taxas de juros”, avaliou Megale.

No final da tarde, a taxa do contrato de DI para janeiro de 2028 estava em 13,745%, com baixa de 7 pontos-base ante o ajuste de 13,815% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, o DI para janeiro de 2035 marcava 14,5%, com recuo de 9 pontos-base ante 14,594%.

*Com informações de Reuters

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Repórter
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter de Mercados no Money Times e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise política da XP Investimentos.
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter de Mercados no Money Times e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise política da XP Investimentos.

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