Juros

Juros nos EUA: mercado retoma apostas de alta e precifica movimento em março

04 maio 2026, 15:34 - atualizado em 04 maio 2026, 15:34
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(Imagem: REUTERS/Joshua Roberts)

A nova escalada das tensões geopolíticas com o impasse nas negociações de paz no Oriente Médio aumentou o temor de choque inflacionário e refez as apostas sobre a trajetória dos juros nos Estados Unidos.

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Nesta segunda-feira (4), por volta de 15h (horário de Brasília), o mercado passou a precificar uma elevação nos juros pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) já em março de 2027.

De acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group, os traders veem 51,6% de chance de o Fed retomar o aperto monetário na segunda reunião do próximio ano, em 17 de março.

Contudo, entre as apostas, a probabilidade majoritária segue de manutenção dos juros, com 45,5%, enquanto a chance de alta de 25 pontos-base é de 37,5%.

A ferramenta também precifica 55,5% de alta nos juros nas decisões de abril e junho de 2027.

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Na semana passada, o Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) manteve os juros inalterados pela terceira vez consecutiva, na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano.

O que fez o mercado voltar apostar em alta nos EUA?

Os preços do petróleo voltaram a operar acima de US$ 100 o barril com o temor de uma reescalada das tensões entre Estados Unidos e Irã e possível choque inflacionário.

No último domingo (3), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que ainda não havia analisado o texto exato de uma nova proposta de paz do Irã, mas que era improvável que a aceitasse, pois os iranianos ainda não haviam “pagado um preço suficientemente alto”.

Em resposta, o Irã afirmou que as conversas com Washington não podem ser retomadas a menos que um cessar-fogo seja mantido no Líbano – que Israel invadiu em março para atacar o Hezbollah.

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Já hoje, Trump disse que o Irã será “varrido da face da Terra” caso ataque embarcações do país, segundo a Fox News. A declaração acontece após os iranianos alertarem os norte-americanos para não entrarem no Estreito de Ormuz.

Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, o fechamento do Estreito de Ormuz, controlado pelo Irã – sendo uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo–, era o principal ponto de atenção do mercado.

Cerca de um quinto do consumo global da commodity passa pelo ‘corredor’, que conecta grandes produtores do Oriente Médio — como Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Catar — aos mercados da Ásia, Europa e América do Norte.

Vale lembrar que, na semana passada, o Bureau of Economic Analysis (BEA) informou que o índice de preços de despesas de consumo pessoal (PCE) – métrica preferida do Federal Reserve para monitorar a inflação – subiu 4,5% no período, uma aceleração expressiva frente aos 2,9% registrados no trimestre anterior.

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Na mesma linha, o núcleo do PCE, que exclui itens voláteis como alimentos e energia, avançou 4,3%, também acima dos 2,7% do quarto trimestre.

Na prática, o dado reforça um cenário de política monetária dependente dos próximos indicadores, especialmente aqueles ligados ao consumo e à inflação, em um momento em que o banco central americano busca calibrar o equilíbrio entre crescimento e estabilidade de preços.

Há também atenção sobre o mercado de trabalho. De acordo com os dados mais recentes, o número de norte-americanos que entraram com pedidos de auxílio-desemprego caiu em 26.000, para 189.000 em dado com ajuste sazonal, na semana encerrada em 25 de abril. Os economistas consultados pela Reuters previam 215.000 pedidos para o período.

O relatório oficial de empregos, o payroll, que será divulgado na próxima sexta-feira (8). As estimativas do Dow Jones apontam para a criação de apenas 53.000 vagas de emprego nos EUA em abril, bem abaixo da previsão anterior de 178.000, enquanto a taxa de desemprego deve permanecer em 4,3%.

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E os juros no Brasil?

No Brasil, o mercado espera a continuidade do ciclo de cortes na taxa básica de juros, a Selic.

O afrouxamento monetário – ou “calibração” dos juros, como os membros do Comitê de Política Monetária (Copom) têm defendiddo – foi iniciado na decisão passada, em março, com redução de 25 pontos-base. Na semana passada, o Copom fez mais um corte, trazendo a Selic para 14,50% ao ano.

A desancoragem das expectativas no horizonte relevante, por sua vez, segue sendo o principal “incômodo” do Banco Central.

Na última decisão, na quarta-feira (29) passada, os diretores mantiveram a menção ao conflito no Oriente Médio, afirmando que o cenário externo permanece incerto em meio à incertezas quanto a duração, extensão e desdobramentos do conflito.

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As projeções para inflação para 2026 e no horizonte relevante também tiveram ajustes para cima. A projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu de 3,9% para 4,6% em 2026, acima do teto da meta, que é de 4,5%.

Para o horizonte relevante, quarto trimestre de 2027, a estimativa de IPCA do Copom subiu de 3,3% para 3,5%.

No Relatório Focus desta segunda-feira, os economistas consultados pelo BC elevaram a projeção do IPCA de 4,86% para 4,89% no final deste ano, pela oitava semana consecutiva.

A meta do BC é de 3% com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

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Repórter
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter do MoneyTimes e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise politica da XP Investimentos.
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter do MoneyTimes e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise politica da XP Investimentos.
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