Petrobras (PETR4) deve entregar trimestre forte e dividendos robustos, diz BTG
Depois de revisar para cima as estimativas, a Petrobras (PETR4) deve entregar um primeiro trimestre forte, com espaço para mais uma rodada relevante de dividendos, na visão do BTG Pactual.
A leitura do banco vem na esteira dos dados operacionais já divulgados pela companhia, que indicaram avanço consistente da produção e um ambiente mais favorável de preços do petróleo. Para os analistas, o conjunto reforça o momento positivo da estatal no início de 2026.
“A Petrobras combina valor de escassez com um momentum robusto”, destaca o banco, ao comparar o posicionamento da companhia com seus pares globais de energia.
O BTG projeta um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) próximo de US$ 13 bilhões no 1T26. Já os dividendos devem girar em torno de US$ 2,1 bilhões, o que implicaria um dividend yield de cerca de 1,5% apenas no trimestre.
Com a revisão, o banco também elevou o preço-alvo dos ADRs negociados em Nova York para US$ 25 (ante US$ 22,03), reiterando a recomendação de compra.
Geração de caixa no centro da tese
Um dos principais pilares da visão construtiva segue sendo a geração de caixa. Mesmo com investimentos estimados em US$ 4,9 bilhões e efeitos de capital de giro no período, o fluxo de caixa livre deve ficar próximo de US$ 4,8 bilhões no trimestre.
Esse patamar sustenta a expectativa de proventos elevados ao longo do ano. Para 2026, o BTG trabalha com um dividend yield próximo de 9%, além de um rendimento ao acionista (FCFE) ao redor de 11%.
“Essa geração excessiva de caixa, que esperamos que continue em 2027, pode abrir espaço para dividendos extraordinários”, aponta o banco.
Produção forte e petróleo mais caro ajudam
Do lado operacional, a Petrobras deve se beneficiar de um trimestre marcado por produção recorde. A extração doméstica atingiu cerca de 2,58 milhões de barris por dia, superando o guidance anual e avançando tanto na base trimestral quanto anual.
O desempenho reflete o avanço de plataformas no pré-sal, especialmente em campos como Búzios e Mero, além de ganhos de eficiência.
No ambiente externo, a alta do Brent — de aproximadamente 23% na comparação trimestral — também deve impulsionar os resultados. O aumento da produção, por sua vez, contribui para diluir custos, com o lifting cost estimado em cerca de US$ 8,9 por barril.
O segmento de refino segue como ponto de atenção, com compressão de margens ao longo do trimestre, especialmente em março, por conta de spreads mais fracos.
Ainda assim, o tom é menos negativo do que se projetava anteriormente.
“A unidade de refino poderia estar melhor, mas não está tão ruim quanto se temia”, avaliam os analistas.
Parte dos derivados acompanha os preços internacionais — ainda que com alguma defasagem — e medidas como a subvenção ao diesel ajudam a sustentar a rentabilidade. Além disso, preços mais favoráveis nas exportações de petróleo compensam, em parte, a tributação sobre embarques.
Valuation e cenário político no radar
Na visão do BTG, a Petrobras segue como um ativo raro entre emergentes, combinando crescimento de produção com baixo custo de extração, especialmente no pré-sal.
O banco também chama atenção para o potencial de reprecificação das ações, caso haja melhora na percepção de risco. Segundo as estimativas, uma compressão de 200 pontos-base no custo de capital poderia adicionar cerca de US$ 5 por ADR ao valuation.
Com preços de Brent projetados em US$ 82 por barril em 2026 e ajustes na curva de produção, o BTG mantém a estatal entre suas principais apostas, apoiada na forte geração de caixa e no potencial de dividendos adicionais
*Com Seu Dinheiro