Lavvi (LAVV3) cai 5% após balanço do 2T26; analistas veem potencial de alta de até 129% para a ação
As ações da Lavvi Empreendimentos (LAVV3) operam em forte queda nesta quinta-feira (6), um dia após a incorporadora divulgar seu balanço do segundo trimestre de 2026 (2T26).
Por volta das 10h35 (de Brasília), os papéis recuavam quase 5% na bolsa de valores, negociados a R$ 10,05, enquanto, no mesmo horário, o Ibovespa (IBOV), principal índice da B3, caía 0,32%, aos 177.153 pontos. Acompanhe o tempo real.
O balanço da Lavvi
Entre abril e junho, a Lavvi reportou lucro líquido de R$ 83 milhões, o que representou uma queda de 30% em relação ao apurado no mesmo período de 2025.
A receita líquida da construtora somou R$ 495,3 milhões, expansão de 3% frente aos R$ 481,8 milhões registrados um ano antes e avanço de 33% versus o trimestre anterior (1T26).
Já o Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado totalizou R$ 137 milhões, retração de 6% na base anual, com margem de 27,7%, recuo de 2,6 pontos percentuais.
Apesar da retração no lucro líquido, o BTG Pactual avaliou que o número ficou 13% acima de suas projeções, impulsionado por margens melhores que o esperado e por uma maior contribuição da linha de equivalência patrimonial, principalmente em projetos desenvolvidos em parceria com a Cyrela (CYRE3).
Em relatório, o banco também apontou que o ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) anualizado da Lavvi permaneceu “robusto” em 23%, mesmo diante de juros elevados que dificultam o segmento de média e alta renda.
Endividamento aumenta, mas permanece controlado
Segundo os analistas da instituição, a incorporadora reportou uma queima de caixa de R$ 27 milhões no trimestre, movimento que já havia sido antecipado na prévia operacional, refletindo principalmente desembolsos para aquisição de terrenos para recomposição do landbank.
Como resultado, a empresa encerrou junho com dívida líquida de R$ 529 milhões e um índice de dívida líquida sobre patrimônio líquido de 30,6%, ante 28,8% no trimestre passado, ainda em um “nível adequado”, na avaliação do BTG.
“Jardim da Hípica” impulsiona vendas
O banco destacou também que o 2T26 da Lavvi foi marcado por um” forte desempenho operacional”, impulsionado pelo lançamento da primeira fase do “Jardim da Hípica”, considerado o maior empreendimento da história da companhia.
Com VGV (Valor Geral de Vendas) potencial de aproximadamente R$ 2,6 bilhões na visão 100%, o projeto foi lançado em abril e acumulava R$ 565 milhões em comercialização até o fim de junho.
A empresa também colocou no mercado a primeira fase do “Novvo Santa Marina”, um empreendimento da marca Novvo, que é voltada ao segmento econômico, com VGV potencial de R$ 406 milhões.
Também lançado em abril de 2026, o projeto encerrou o segundo trimestre com 51% do VGV comercializado.
“A Lavvi apresentou resultados acima das expectativas. O desempenho operacional foi impulsionado pelo lançamento das primeiras fases do projeto Jardim da Hípica, mantendo a companhia em posição de destaque mesmo em um ambiente mais desafiador para o segmento de média e alta renda”, disse o BTG.
“Mantemos nossa recomendação de compra para a ação, pois a empresa tem superado seus pares, ao mesmo tempo em que ganha exposição ao MCMV e negocia a um atraente múltiplo P/L de três vezes estimado para 2027”, acrescentou.
O que diz o Itaú BBA
Em uma leitura mais cautelosa, o Itaú BBA afirmou que o balanço da Lavvi ficou “ligeiramente abaixo de suas expectativas”, embora a rentabilidade tenha permanecido elevada, com ROE anualizado de 23,5%.
Segundo o banco, o principal impacto veio da participação de acionistas minoritários, que ficou negativa em R$ 20 milhões, acima da previsão de R$ 13 milhões negativos, afetando o lucro líquido, que totalizou R$ 83 milhões, 10% abaixo da projeção.
As despesas operacionais, por sua vez, vieram em linha com as expectativas da casa, mesmo com alta de 51% na comparação anual.
O avanço, de acordo com o BBA, foi explicado pelo aumento dos gastos comerciais, que cresceram 79% em base anual devido ao lançamento do Jardim da Hípica, além da alta de 22% nas despesas gerais e administrativas.
“Reconhecemos que o cenário macroeconômico apresenta desafios, com as taxas de juros ainda elevadas e os estoques em São Paulo crescendo. Ainda assim, esperamos que a Lavvi continue apresentando desempenho superior ao de seus pares, apoiada por seu pipeline de projetos de alta qualidade, execução sólida e crescente exposição ao segmento de baixa renda”, ponderou o banco.
“As ações da companhia são negociadas atualmente a múltiplos atraentes. Portanto, mantemos nossa recomendação outperform (compra)”, acrescentou.
Confira as recomendações:
| Banco | Recomendação | Preço-alvo | Upside |
|---|---|---|---|
| BTG Pactual | Compra | R$ 23,00 | 129% |
| Itaú BBA | Outperform (compra) | R$ 20,00 | 99% |