Cigarros

Lei antitabaco completa 30 anos com transformação nos hábitos e na saúde dos brasileiros

15 jul 2026, 6:06
Pessoas fumando vape e cigarro na escuridão. Imagem gerada por IA.
Proibição a tabaco e cigarros eletrônicos entra em vigor em breve. Imagem gerada por IA.

Há não muito tempo, cinzeiros em mesas de restaurantes e fumantes acendendo cigarros em ambientes fechados como escritórios, consultórios médicos e até mesmo dentro de aviões eram cenas comuns do cotidiano brasileiro. Esse cenário mudou radicalmente no decorrer das últimas décadas — e existe uma boa razão para isso. A lei que alterou para sempre a bilionária indústria do tabaco no Brasil e os hábitos de consumo dos brasileiros completa 30 anos nesta quarta-feira (15).

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Sancionada em 15 de julho de 1996, a Lei nº 9.294 foi pioneira. A legislação baniu comerciais de cigarro, restringiu severamente o fumo em locais fechados e abriu caminho para transformar o Brasil em referência global de saúde pública.

O 30º aniversário deste marco legal reacende o debate econômico sobre o futuro do setor, a arrecadação de impostos e o avanço do cerco regulatório contra os dispositivos eletrônicos, os chamados vapes.

Os efeitos da medida foram além da legislação.

Dados reunidos pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca) revelam que a prevalência de fumantes caiu de forma consistente nas últimas décadas, resultado atribuído ao conjunto de políticas públicas que combinaram restrições à publicidade, o aumento progressivo da carga tributária sobre o produto, avisos sanitários rígidos nas embalagens e a criação de ambientes livres de tabaco.

Queda do número de fumantes transformou Brasil em referência de saúde pública

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A combinação de barreiras comerciais adotadas nas últimas décadas produziu resultados econômicos e sociais expressivos.

De acordo com o Inca, o percentual de fumantes caiu continuamente desde os anos 1990, reduzindo drasticamente a exposição da população ao fumo e contribuindo para a diminuição de dezenas de doenças, incluindo diversos tipos de câncer, enfermidades cardiovasculares e doenças respiratórias crônicas.

O sucesso do modelo regulatório brasileiro passou a ser reconhecido internacionalmente, influenciando tratados globais e estratégias de controle do tabagismo em outros países.

Para José Rosemberg, médico, pesquisador do Inca e um dos pioneiros da luta antitabagista no Brasil, a mudança cultural gerada pela lei foi profunda. “O Brasil passou a entender que fumar não era apenas uma escolha individual, mas também uma questão de saúde pública.”

Lei antitabaco proporciona alívio bilionário para o SUS

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O controle do tabaco é considerado uma das políticas públicas de maior sucesso na prevenção de doenças crônicas no Brasil.

A diminuição do volume de fumantes reduziu de forma direta o número de internações hospitalares e mortes evitáveis.

Isso gerou um alívio financeiro bilionário nos custos operacionais do Sistema Único de Saúde (SUS).

Legislação inaugurou uma nova política de controle do tabaco

Antes de 1996, a publicidade de cigarros era uma das principais fontes de receita publicitária para emissoras de televisão, rádio, revistas e grandes eventos esportivos, como a Fórmula 1.

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A Lei nº 9.294 de 1996 quebrou essa dinâmica ao estabelecer limites para a propaganda e ao proibir o consumo em recintos fechados.

A norma representou o primeiro grande pilar de uma política de controle que seria endurecida nos anos seguintes, especialmente após a adesão do Brasil à Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco, coordenada pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Em entrevista à Agência Senado, o ex-senador José Serra (PSDB-SP), autor do projeto que deu origem à lei, relembrou a forte resistência corporativa durante a tramitação no Congresso. “Foi uma luta muito grande. A indústria do tabaco tinha enorme influência e fez uma pressão muito forte para impedir a aprovação da lei.”

Próximo alvo: o avanço do cerco regulatório contra os cigarros eletrônicos

Embora o consumo do cigarro tradicional de papel tenha encolhido significativamente no mercado formal, autoridades e analistas enfrentam novos desafios comerciais e sanitários, liderados principalmente pela expansão dos cigarros eletrônicos (vapes) e dispositivos de tabaco aquecido.

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O debate atual envolve fortes interesses econômicos relacionados à cadeia produtiva agrícola do tabaco, perdas de arrecadação fiscal para o Estado devido ao mercado ilegal, combate ao contrabando nas fronteiras e fiscalização.

*Sob supervisão de Ricardo Gozzi.

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Amanda Cristina de Souza é estudante de jornalismo no IESB. Ela atua como estagiária em um núcleo de conteúdo mantido pelo Money Times, em Brasília (DF), em parceria com outros veículos de informação.
Amanda Cristina de Souza é estudante de jornalismo no IESB. Ela atua como estagiária em um núcleo de conteúdo mantido pelo Money Times, em Brasília (DF), em parceria com outros veículos de informação.

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