Light (LIGT3): XP reduz preço-alvo, mas projeta ganhos com revisão tarifária e regulação; hora de comprar?
A XP Investimentos revisou suas estimativas para a Light (LIGT3), reduziu o preço-alvo para o fim de 2027 de R$ 6,30 para R$ 5,50 por ação e manteve a recomendação de compra. Segundo a corretora, a atualização reflete ajustes no modelo da companhia e uma reavaliação dos cenários para a revisão tarifária e possíveis mudanças regulatórias.
Na visão da XP, a Light negocia a um retorno real implícito (IRR) de 18,5% e 0,8 vez EV/RAB projetado para 2027. A corretora avalia que a percepção de risco da companhia ainda é elevada, mas pode diminuir nos próximos 12 meses.
A XP estima que o EBITDA da distribuidora pode passar de R$ 1,2 bilhão para R$ 2,3 bilhões após a revisão tarifária. Além disso, vê potencial de até R$ 400 milhões adicionais caso avancem as discussões regulatórias sobre perdas em áreas de risco e inadimplência.
Reconhecimento de perdas regulatórias
Segundo a XP, a revisão tarifária deve elevar o reconhecimento das perdas regulatórias incorporadas às tarifas, de cerca de 41% para aproximadamente 55% a 60%. A corretora também espera aumento do custo regulatório de capital (WACC) e possível elevação das despesas operacionais regulatórias (Opex).
Em conjunto, esses fatores podem adicionar cerca de R$ 1,1 bilhão ao EBITDA da Light e reduzir em aproximadamente R$ 800 milhões a diferença entre o EBITDA regulatório e o desempenho atual da companhia.
A XP também destaca como potenciais catalisadores uma nova metodologia da Aneel para reconhecer perdas em áreas de alto risco e a atualização da base de cálculo da inadimplência regulatória. A corretora estima que essas mudanças possam gerar até R$ 400 milhões adicionais de EBITDA. No cenário-base, entretanto, a XP considera apenas metade desse potencial, o que já está parcialmente refletido no novo preço-alvo.
Na atualização do modelo, a XP reduziu sua estimativa para a base regulatória de ativos líquidos (RAB) da Light de R$ 13,5 bilhões para R$ 11 bilhões após revisar as projeções de investimentos da companhia. A corretora também passou a considerar R$ 4 bilhões em prejuízos acumulados que poderão reduzir o pagamento de impostos em caixa.