Moody’s rebaixa rating da Cosan (CSAN3) em meio à deterioração da qualidade de crédito da Raízen (RAIZ4)
A Moody’s Local Brasil rebaixou nesta segunda-feira (10) o rating de emissor da Cosan (CSAN3) para A+.br, ante AA.br, e manteve a perspectiva negativa. A decisão conclui a revisão dos ratings iniciada em fevereiro deste ano.
Segundo a agência de classificação de risco, o rebaixamento reflete o enfraquecimento do perfil de negócios da Cosan, principalmente em razão da deterioração da qualidade de crédito da Raízen (RAIZ4), uma das principais investidas do grupo e atualmente em recuperação extrajudicial.
A Moody’s também citou os desinvestimentos realizados pela Cosan nos últimos dois anos, que resultaram em um portfólio de menor valor de mercado e em um fluxo de dividendos estruturalmente menor e mais concentrado.
Na avaliação da agência, esse cenário contrasta com a diversificação que historicamente ajudava a Cosan a amortecer a ciclicidade dos diferentes setores em que atua.
O rating também incorpora uma cobertura de juros pressionada, que depende da monetização de ativos para ser recomposta, além de uma flexibilidade financeira mais restrita em um ambiente de mercado desafiador.
A Moody’s ainda considera os potenciais efeitos de contágio relacionados à situação financeira da Raízen.
Por outro lado, a agência destacou como fatores de mitigação a capacidade da Cosan de executar desinvestimentos, que permitiu a implementação de medidas de gestão de passivos ao longo de 2025 e 2026, além da forte posição de caixa e de um cronograma alongado de amortização da dívida.
A Moody’s ressaltou ainda que a avaliação de crédito da Cosan considera sua posição como uma empresa de investimentos, com um portfólio que ainda reúne companhias competitivas e diversificadas. No entanto, as dívidas da holding estão estruturalmente subordinadas às dívidas de suas investidas, enquanto o histórico financeiro da companhia é considerado mais agressivo.
Perspectiva negativa
A perspectiva negativa, segundo a Moody’s, reflete os elevados riscos de execução na trajetória de recuperação das métricas de crédito da holding e as incertezas sobre a composição final do portfólio da Cosan.
A agência avalia que essas mudanças podem ter impactos relevantes tanto sobre o perfil de negócios quanto sobre o perfil financeiro da companhia.