Axia

Lucro líquido da Axia (AXIA3) cai 19%, para R$ 1,759 bilhão no 3T26; veja os números

04 nov 2026, 20:01 - atualizado em 04 nov 2026, 20:11
Axia Energia (AXIA3)
(Imagem: Divulgação)

A Axia Energia (AXIA3) teve lucro líquido ajustado de R$ 1,759 bilhão no terceiro trimestre de 2026 (3T26), queda de 19,1% ante os R$ 2,176 bilhões registrados um ano antes. No acumulado dos nove primeiros meses, o lucro ajustado somou R$ 7,071 bilhões, alta de 98,3% frente a igual período de 2025.

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A retração ocorreu apesar do crescimento do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) regulatório ajustado, que chegou a R$ 6,915 bilhões, avanço de 8,4% na comparação anual. Segundo a companhia, o desempenho refletiu o aumento das margens de geração e transmissão, a redução das despesas com pessoal, materiais, serviços e outros (PMSO), e a melhora do resultado de participações societárias.

O lucro líquido sem ajustes, foi de R$ 1,113 bilhão no trimestre, ante prejuízo de R$ 5,448 bilhões no 3T25. Nos nove meses, a Axia registrou lucro líquido IFRS de R$ 4,934 bilhões, revertendo o prejuízo de R$ 7,127 bilhões apurado no mesmo intervalo do ano passado.

A receita operacional líquida ajustada foi de R$ 10,037 bilhões, em linha com o número apresentado ano passado e queda de 10,3% em base trimestral.

Geração e transmissão avançam

A margem de contribuição ajustada da geração aumentou 9,1%, para R$ 3,071 bilhões. A contribuição da energia vendida no mercado livre e liquidada no mercado de curto prazo (ACL e MCP) cresceu 10,6%, para R$ 1,754 bilhão. A empresa relacionou o avanço ao maior preço médio no ACL, à maior disponibilidade de energia e ao resultado de modulação. O preço médio do ACL subiu 18,6%, para R$ 195,60/MWh.

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A margem de transmissão cresceu 8,3%, para R$ 4,533 bilhões. O resultado foi favorecido pela elevação da Receita Anual Permitida (RAP) homologada — de R$ 4,134 bilhões para R$ 4,451 bilhões — e pela redução do desconto da Parcela de Ajuste. A Axia informou ainda uma reversão de R$ 109 milhões relacionada a ativos e passivos de restituição regulatória, prática contábil que, segundo a empresa, não tem efeito caixa.

A geração líquida avançou 13,5% no trimestre, para 27,8 TWh. A capacidade instalada encerrou setembro em 44.430 MW, distribuída por 81 usinas: 47 hidrelétricas, 33 eólicas e uma solar. A empresa afirma que toda a capacidade instalada é proveniente de fontes limpas de baixa emissão de gases de efeito estufa.

Na transmissão, a Axia somava 72.090 quilômetros de linhas e 422 subestações ao fim do trimestre. O número de linhas ficou abaixo dos 74.769 quilômetros registrados um ano antes.

Despesas menores e investimentos em alta

O PMSO regulatório ajustado caiu 9,9% em relação ao 3T25, para R$ 1,385 bilhão. Na visão IFRS ajustada, a despesa recuou 10,4%, para R$ 1,381 bilhão. A companhia apontou economias em pessoal e serviços, além de ganhos associados à capitalização de custos em projetos de investimento.

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Os investimentos totalizaram R$ 2,855 bilhões no trimestre, alta de 5,7% na comparação anual. Nos nove meses, somaram R$ 7,327 bilhões, aumento de 27,7%. A transmissão recebeu R$ 2,006 bilhões no trimestre; desse total, R$ 681 milhões foram destinados a ampliações e R$ 1,272 bilhão a reforços e melhorias.

A empresa informou que executa 269 empreendimentos de grande porte em transmissão, com previsão de adicionar R$ 2 bilhões à RAP entre 2026 e 2030. O investimento estimado para a carteira é de R$ 15,2 bilhões. Há também 7.042 iniciativas de pequeno porte em fase de implantação ou previstas.

Dívida cresce, mas custo médio recua

A dívida líquida ajustada atingiu R$ 47,568 bilhões em setembro, aumento de 11,7% em relação ao ano passado. A alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda regulatório ajustado dos últimos 12 meses, ficou em 2,0 vezez, ante 2,1 vez no 3T25.

O prazo médio da dívida chegou a 56,3 meses, ante 55,5 meses um ano antes. Já o custo médio caiu de CDI mais 0,64% ao ano no 3T25 para CDI mais 0,19% ao ano no 3T26.

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De julho a outubro, a companhia captou R$ 14,3 bilhões. O montante incluiu R$ 6,6 bilhões em debêntures, operações bancárias e renovações de dívidas. Em setembro, a Axia também contratou R$ 1,9 bilhão com o BNDES, com vencimento em 20 anos: R$ 1,4 bilhão destinado ao Parque Eólico Coxilha Negra e R$ 500 milhões por meio do Fundo Clima.

Proventos, ações preferenciais e indicadores ambientais

Em setembro, o conselho aprovou a alocação de até R$ 4 bilhões aos acionistas referente ao resultado parcial do segundo semestre. Somados aos até R$ 7,7 bilhões aprovados no primeiro semestre, os valores podem chegar a R$ 11,7 bilhões em 2026. A companhia informou que, em novembro, restava um saldo de R$ 515 milhões a alocar.

A Axia também anunciou, em outubro, uma operação de resgate ou conversão de ações preferenciais classe C (PNC), no valor de R$ 3,48 bilhões, com pagamento do resgate previsto para 6 de novembro. Segundo o balanço, no ano 32,54% das PNCs haviam sido resgatadas e 24,53% convertidas em ações ordinárias.

No acumulado do ano até o terceiro trimestre, as emissões de gases de efeito estufa dos escopos 1, 2 e 3 caíram 61%, para 487.925 toneladas de CO₂ equivalente. A empresa associou a redução principalmente à retirada da geração termelétrica a carvão de seu portfólio. A Axia também reportou aumento na taxa de frequência de acidentes entre empregados próprios e estabilidade da participação feminina em cargos de liderança.

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Jornalista pela Universidade de São Paulo (USP). Em 2025 e 2026, esteve entre os 50 jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. A cobertura atual é de empresas abertas na bolsa de valores, com foco em blue chips. Já trabalhou como coordenadora e editora de conteúdo das redes sociais do Seu Dinheiro e Money Times. Além disso, é pós-graduada em Comunicação digital e Business intelligence pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).
Jornalista pela Universidade de São Paulo (USP). Em 2025 e 2026, esteve entre os 50 jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. A cobertura atual é de empresas abertas na bolsa de valores, com foco em blue chips. Já trabalhou como coordenadora e editora de conteúdo das redes sociais do Seu Dinheiro e Money Times. Além disso, é pós-graduada em Comunicação digital e Business intelligence pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

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