Lula diz que BC independente não resolveu os problemas econômicos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu a interferência do presidente da República na economia durante sabatina para à Record. Segundo Lula, a independência do Banco Central (BC) não resolveu os problemas econômicos.
“Alguém achava que o Banco Central independente resolvia os problemas do mundo, não resolve. O que resolve é o presidente da República eleito ter o poder de interferir na economia, coisa que nós não temos mais”, disse Lula.
O presidente disse também que ele não deve ser questionado sobre resultados fiscais pelos resultados dos primeiros mandatos dele.
“Eu fiz isso e vou continuar tendo responsabilidade fiscal, porque tomar conta do dinheiro da nossa casa e do nosso País é da nossa responsabilidade. Se a gente deixar as contas desequilibradas, quem perde é o povo pobre”, disse.
Lula também disse que, em um eventual quarto mandato, pretende atuar para reduzir a inflação, enquanto gera empregos e promove redistribuição de renda.
“É preciso fazer a economia continuar crescendo, continuar fazendo redistribuição de renda, continuar a aumentar o salário mínimo acima da inflação, gerar mais empregos de qualidade e fazer com que a inflação baixe para as pessoas pagarem”, disse.
Cartões de crédito incentivam o endividamento
Lula também afirmou que os cartões de crédito são “coisas criminosas” por incentivarem brasileiros a se endividar.
“Pelo celular, as pessoas fazem tudo. Tem pessoas que recebem três, quatro cartões de crédito. O cartão de crédito é uma coisa criminosa que facilita as pessoas a se endividarem. Tudo que você pode comprar sem ver dinheiro, você compra com mais facilidade”, afirmou.
O presidente declarou ainda durante a sabatina que é necessário fazer orientações aos brasileiros sobre educação financeira. Lula disse que 80% dos brasileiros estão endividados e que 29% estão inadimplentes: “É um problema sério”, afirmou;
“Precisamos orientar a sociedade que está comprando e está devendo que não pode gastar mais do que ganha. Se você comprar alguma coisa acima do seu ganho, você vai quebrar a cara”, disse o presidente.
O endividamento dos brasileiros é uma das grandes preocupações da campanha à reeleição de Lula. Por isso, no início do ano, Lula lançou uma nova fase do Desenrola Brasil para tentar contornar os números e, desta forma, melhorar a avaliação perante o eleitorado na economia.
Plano de segurança para o Rio
O presidente afirmou durante entrevista a Record que vai anunciar nesta sexta-feira (18) um plano de segurança para o Rio de Janeiro. Ele afirmou que o plano vai prever uma cooperação entre o governo federal, o governo estadual e a prefeitura.
Sem dar detalhes, Lula limitou-se a dizer que quer “livrar o povo da periferia dos traficantes”. Questionado sobre o fato de não chamar as facções criminosas, como o PCC e o Comando Vermelho, de “terroristas”, o presidente discordou.
“Não é verdade que não chamo as facções de terroristas. Não confunda. Eu chamo de terrorista para o povo brasileiro. Não é o terrorista que o Trump fala. O Trump fala em terrorismo de Estado. São diferentes. Uma coisa é o terrorismo de Estado, é o cara que quer derrubar governo, outra coisa é o terrorismo do narcotráfico e do crime organizado, que só querem dinheiro. São terroristas para a população, porque ocupam o bairro e a rua do povo. Isso a gente vai acabar”, disse.
“Vamos fazer uma primeira experiência no Rio de Janeiro na sexta-feira. Vou lá com o governador anunciar um plano entre governo federal, governo estadual e prefeitura para começarmos a livrar o povo da periferia dos traficantes e do contrabando de armas”, anunciou.
Lula afirmou que a “participação da União na segurança é ínfima” pelo texto da Constituição Federal de 1988. Disse, porém, que “se não fosse a Polícia Federal, o mandante do assassinato da Marielle Franco não estava preso. Mas não podemos interferir se o crime não for federalizado”. O ex-deputado Chiquinho Brazão e seu irmão, o ex-presidente do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro Domingos Brazão, foram presos e condenados como mandantes do assassinato da vereadora do Rio.
Lula voltou a prometer criar o Ministério da Segurança Pública, caso a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da segurança pública seja aprovada no Congresso Nacional. Disse, em tom de brincadeira, que o Ministério da Fazenda “vai ter que se preparar” para garantir recursos para a nova pasta.
“O ministro da Fazenda vai ter que se preparar, porque para fazer segurança pública vai ter que dobrar o efetivo da PF, vai ter que investir mais em inteligência, vai ter que dobrar o número da PRF. Vamos ter que ocupar”, afirmou.
A promessa de criar o Ministério da Segurança Pública é antiga. Vem desde a eleição de 2022, mas nunca foi cumprida pelo presidente. O argumento, ao longo do mandato, foi o de que, para se criar a pasta, é preciso que haja uma mudança constitucional aumentando as prerrogativas da União na segurança. Lula disse que, “na hora em que o governo federal entrar, vamos colocar ordem na casa”. O presidente afirmou, ainda, que o número de denúncias de casos de violência contra a mulher aumentou porque as pessoas se sentem mais seguras e acreditam nas políticas que estão sendo implementadas na área, como o pacto nacional contra o feminicídio.
Bolsonaro tinha ministros da Saúde ‘mequetrefes’
Na área da saúde, Lula disse ainda que o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) teve “ministros da Saúde mequetrefes” e que a gestão anterior deixou o setor abandonado.
“Pegamos esse País com 12 mil médicos, agora temos 28 mil. O País estava abandonado. Você está lembrado dos ministros da Saúde do outro governo, um bando de mequetrefes que não servia para nada”, afirmou Lula.
Durante a sabatina, Lula prometeu que vai universalizar o programa Pé-de-Meia, além do retorno do programa Ciências sem Fronteiras para formar engenheiros e matemáticos para os setores de inteligência artificial.
“Vamos dever nada aos chineses e aos americanos. Nós queremos ser respeitados e vamos provar que nós somos iguais ou melhores do que eles”, disse Lula.