Lula: Meu filho não tem proteção, só quero que ele tenha a igualdade que há para todos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (15), em entrevista à Record, que seu filho Fábio Luís Lula da Silva, conhecido na mídia como Lulinha, “não tem proteção” e que “se tiver culpa, vai pagar”.
De uma forma não muito clara, Lula esboçou um pedido para que o processo sobre seu filho seja divulgado. Pediu que “abram as coisas do meu filho”, sem ser explícito quanto à quebra do sigilo do processo. No caso Master, o presidente foi explícito ao pedir a quebra de sigilo nos últimos dias.
“Já disse publicamente, o meu filho não tem proteção. Quero que ele tenha a igualdade que tem que se dar para todo mundo. Ele não nasceu para errar, nasceu para acertar. Agora, abram as coisas do meu filho. Se ele tiver culpa, vai pagar pela culpa dele. E ele sabe disso”, afirmou.
“Sempre digo às pessoas: só você sabe a verdade. Se você fez um erro, pague. Se não fez, se defenda. É isso que vale para o meu filho”, declarou.
Ministros do STF não podem ter trégua
Na entrevista, Lula afirmou que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, tem a “faca e o queijo na mão” para revelar o envolvimento de ministros da Corte com o escândalo do Banco Master. “Não tem trégua, é preciso investigar todos, sem distinção”, disse.
“A Suprema Corte agora já está dotada de todas as informações, o sigilo já foi quebrado. Portanto, o Fachin tem a faca e o queijo na mão para abrir tudo e saber quem fez o quê na Suprema Corte”, afirmou Lula.
Durante a sabatina, Lula disse que o ministro André Mendonça guardou informações como “segredo de Estado” divulgando apenas o que era de interesse pessoal dele. Lula também questionou o fato de os ministros Dias Toffolli e Kassio Nunes Marques terem se declarado impedidos de votar.
“Aquilo que o André Mendonça tinha guardado como segredo de Estado, e só soltando aquilo que interessava para ele, agora pode ser aberto para toda a sociedade saber quem estava metido nisso. Por que o (Dias) Toffoli não votou? Por que o Kassio (Nunes Marques) não votou? Quem é que levou dinheiro? Quem participou dessa trama do Vorcaro?”, declarou o presidente.
Ao falar sobre o escândalo, Lula disse que Vorcaro cooptou instâncias do Poder Judiciário e da classe política, e que é necessário “colocar o Brasil a nu”. O presidente declarou ainda que não há um brasileiro capaz de fugir de julgamentos sobre crimes.
“É muito difícil um torneiro mecânico ficar dando palpite e julgando a Suprema Corte. Chegamos a um momento determinante na história desse País: não há absolutamente ninguém que possa fugir do julgamento quando tem suspeita ou acusações contra”, disse o presidente.
O presidente também disse que os brasileiros estão diante de uma crise de credibilidade com o STF, e que o Tribunal precisa responder a isso com uma apuração rigorosa sobre a conduta dos ministros. “Ninguém do STF pode ficar sob suspeita, é preciso apurar e quem cometeu erro que pague”, declarou.
“Não há como o povo brasileiro ficar vendo uma Suprema Corte perder credibilidade na sociedade. A instância máxima da Justiça brasileira precisa ser exemplo. Então, que se apure com todo rigor, abra-se o sigilo telefônico de todo mundo.”
Lula também repetiu é preciso ter uma reforma profunda no Poder Judiciário. Segundo ele, é preciso discutir tempo de mandato de ministros e redefinir os critérios de escolha dos magistrados do STF.
“Acho que temos que ter uma reforma profunda no Poder Judiciário, em que a gente discuta o tempo de mandato, o critério de escolher o candidato e como a pessoa pode ser escolhida”, declarou o presidente.
Lula também defendeu o estabelecimento de “critérios de moralização”, declarando que membros do Judiciário não podem querer enriquecer e nem ter parentes advogando em processos relacionados ao STF.
“Tem que ter uma coisa clara: quem for ministro ou estiver no Poder Judiciário, não pode querer ficar rico. As pessoas não podem estar no Poder Judiciário e um filho advogando, uma mulher advogando e um pai advogando na própria Suprema Corte. É preciso criar critérios de moralização”, disse Lula.