Magazine Luiza (MGLU3): Ações sobem 10% nesta quarta-feira (30); o que mexe com a varejista?
As ações do Magazine Luiza (MGLU3) são o destaque positivo do Ibovespa (IBOV) no pregão desta quarta-feira (30). Os papéis da varejista são beneficiados pelo alívio na curva de juros futuros na esteira dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, os Treasuries.
Por volta de 14h20 (horário de Brasília), as ações da companhia saltavam 10,11%, cotadas a R$ 7,30. Acompanhe o tempo real.
Em relatório recente, o JP Morgan apontou o Magalu, junto com o Assaí (ASAI3), como as varejistas mais alavancadas na cobertura do banco, apresentando elevada sensibilidade à queda de juros e do custo de capital próprio.
Na análise de sensibilidade, para cada variação de 100 pontos-base nos juros em relação ao cenário-base, o EPS (lucro por ação) se altera em 10% e 5% para MGLU3 e ASAI3, respectivamente, considerando os números estimados para 2028, enquanto essa variação seria de aproximadamente 2% em média para os demais varejistas, que em sua maioria possuem baixa alavancagem.
Os modelos já incorporam cortes de juros, com taxa básica de juros (Selic) média de 11,25% em 2028 e encerramento do ano em 10,5%.
No varejo como um todo, o JP Morgan revisou para baixo o lucro líquido em aproximadamente 2% em média e em 5% considerando a mediana, após um ciclo contínuo de revisões negativas desde junho, impulsionado por desaceleração do consumo diante de consumidores financeiramente pressionados.
Além disso, os analistas consideraram a intensificação da concorrência transfronteiriça e maior atividade promocional e pressão sobre a alavancagem operacional.
Por outro lado, o Magalu aparece entre as revisões positivas mais relevantes nas expectativas, após o banco incorporar ganhos esperados de participação de mercado decorrentes da recuperação judicial da Casas Bahia (BHIA3) e da recente parceria com o Mercado Livre (MELI34), fatores que devem contribuir para um crescimento de vendas de cerca de 10% em 2027.
“O varejo online ainda é muito pouco penetrado no Brasil, o que provavelmente deve melhorar daqui para frente. Nesse contexto, players como o Magazine Luiza devem capturar parte do crescimento do setor nos próximos anos, antes de vermos uma grande consolidação da indústria”, diz o banco.
Ainda assim, o cenário macroeconômico difícil e os consumidores pressionados têm sido obstáculos relevantes para a demanda por bens duráveis de alto valor, pressionando o crescimento do GMV (volume bruto de mercadorias), especialmente no canal online.
Por isso, o JP Morgan tem classificação Underweight (equivalente à venda) para o Magazine Luiza.
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Os números do Magazine Luiza
O Magazine Luiza (MGLU3) reportou prejuízo líquido de R$ 72,5 milhões no segundo trimestre de 2026 (2T26), uma variação de 197,5% ante o prejuízo de R$ 24,4 milhões reportado no mesmo período em 2025.
Já na linha ajustada, que desconsidera as receitas e despesas não recorrentes, o prejuízo foi de R$ 50,4 milhões, ante lucro ajustado de R$ 1,8 milhão no mesmo período do ano anterior.
Apesar do resultado — o segundo prejuízo neste ano após a entrega de lucros em 2025 — o tom da administração é positivo no que diz respeito aos próximos trimestres.
A combinação de crescimento das lojas físicas, crescimento da parceria com a Amazon no e-commerce e novas iniciativas nesta frente, além de melhora no capital de giro e geração de caixa, estão entre os pontos animadores citados por Roberto Belissimo, CFO da varejista, em entrevista ao Money Times.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), que mede o desempenho operacional, foi de R$ 675,3 milhões no 2T26, uma queda de 1,7% na comparação anual. Na linha ajustada, a cifra é de R$ 708,8 milhões, recuo de 2,5% na comparação com o mesmo período em 2025.