Comprar ou vender?

Magazine Luiza (MGLU3): lojas físicas brilham, mas queda do e-commerce ofusca resultado; e agora, o que fazer com as ações?

07 ago 2026, 9:50 - atualizado em 07 ago 2026, 10:35
Magazine Luiza Magalu MGLU3 grupamento agrupamento ações proporção 10 para 1 abril maio 2024
(Imagem: Divulgação/ Magazine Luiza)

O Magazine Luiza (MGLU3) apresentou um balanço do segundo trimestre de 2026 (2t26) que reforça o principal dilema da companhia: a rentabilidade está melhorando, mas o crescimento continua cada vez mais difícil de encontrar.

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A varejista entregou um resultado operacional ligeiramente acima das expectativas do mercado, sustentado pelo forte desempenho das lojas físicas, controle de despesas e uma contribuição mais robusta da Luizacred.

Ainda assim, a queda acentuada das vendas online e o prejuízo acima do esperado impediram uma recepção mais favorável por parte dos analistas.

As ações da companhia abriram o pregão desta sexta-feira (7) em queda. Por volta das 10h35, os papéis recuavam 5,47%.



Na visão do JPMorgan, os números devem gerar uma reação entre neutra e levemente negativa das ações.

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O banco destacou que, embora a margem Ebitda tenha surpreendido positivamente, a companhia continua enfrentando dificuldades para crescer em um ambiente marcado por juros elevados, consumo pressionado e forte competição no comércio eletrônico.

Por isso, manteve recomendação underweight, equivalente à venda, para os papéis.

Canais de venda

O contraste entre os canais de venda ficou evidente no trimestre. Enquanto as lojas físicas mostraram resiliência e registraram crescimento de 9,7% nas vendas mesmas lojas (SSS), o comércio eletrônico encolheu.

O GMV (Volume Bruto de Mercadorias) digital caiu 12% na comparação anual, com retração tanto nas operações próprias quanto no marketplace. O desempenho reflete o repasse da alta dos custos de produtos eletrônicos aos consumidores, especialmente em categorias como celulares, computadores e tecnologia.

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As lojas físicas, por outro lado, voltaram a ser o principal motor do negócio. Impulsionadas pela demanda por televisores e outros produtos relacionados à Copa do Mundo, as unidades registraram crescimento de 10% no GMV, ajudando a compensar parte das perdas do canal online.

No consolidado, o GMV total recuou 5%, para R$ 14,5 bilhões, enquanto a receita líquida caiu 3%, para R$ 8,9 bilhões.

Mesmo diante da pressão sobre as vendas, a empresa conseguiu preservar a rentabilidade: a margem bruta ficou em 30,6% e a margem Ebitda ajustada permaneceu estável em 8%, resultado atribuído à disciplina comercial e ao rígido controle de custos.

O problema apareceu abaixo da linha operacional. O Magazine Luiza registrou prejuízo líquido ajustado de R$ 50 milhões no trimestre, número pior que as estimativas do JPMorgan e do consenso do mercado. As despesas financeiras mais elevadas, principalmente relacionadas à antecipação de recebíveis, pesaram sobre o resultado final.

Crédito

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A Luizacred foi um dos pontos de alívio do balanço. O braço financeiro da companhia apresentou lucro de R$ 135 milhões, alta de cerca de 33% em relação ao ano anterior, beneficiado por menores provisões para inadimplência e redução de despesas administrativas.

Os indicadores de crédito também mostraram melhora, reforçando a percepção de que a operação financeira segue saudável mesmo em um cenário macroeconômico desafiador.

Apesar da cautela do JPMorgan, o BTG Pactual enxergou aspectos mais positivos no resultado. Para o banco, a capacidade da empresa de preservar margens mesmo em meio à forte contração do e-commerce mostra que a estratégia de priorizar rentabilidade está funcionando.

O BTG manteve recomendação de compra para as ações e destacou que a gestão continua focada em eficiência, geração de caixa e preservação de lucro, em vez de perseguir crescimento a qualquer custo.

Magalu no 2T26

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O Magazine Luiza reportou prejuízo líquido de R$ 72,5 milhões no segundo trimestre de 2026 (2T26), uma variação de 197,5% ante o prejuízo de R$ 24,4 milhões reportado no mesmo período em 2025.

Já na linha ajustada, que desconsidera as receitas e despesas não recorrentes, o prejuízo foi de R$ 50,4 milhões, ante lucro ajustado de R$ 1,8 milhão no mesmo período do ano anterior.

Apesar do resultado, o segundo prejuízo neste ano após a entrega de lucros em 2025, o tom da administração é positivo no que diz respeito aos próximos trimestres.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), que mede o desempenho operacional, foi de R$ 675,3 milhões no 2T26, uma queda de 1,7% na comparação anual. Na linha ajustada, a cifra é de R$ 708,8 milhões, recuo de 2,5% na comparação com o mesmo período em 2025.

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A receita bruta da companhia totalizou R$ 11,1 bilhões, um recuo de 2,2% na comparação anual. Já a receita líquida recuou 2,6%, totalizando R$ 8,89 bilhões no período de abril a junho deste ano.

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Coordenadora de redação
Formada em Jornalismo pela PUC-SP, tem especialização em Jornalismo Internacional. Atua como coordenadora de redação no Money Times e já trabalhou nas redações do InfoMoney, Você S/A, Você RH, Olhar Digital e Editora Trip.
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