Maré ainda não virou para a Hapvida (HAPV3) no curto prazo, alerta Itaú BBA
A Hapvida (HAPV3), apesar dos resultados fracos do terceiro e quarto trimestres de 2025, é uma companhia em transição, na avaliação do Itaú BBA.
Recentemente, a família controladora da Hapvida aumentou a participação na empresa, enquanto a gestão passou por uma reformulação significativa, ao mesmo tempo em que um acionista minoritário pressionou pela nomeação de conselheiros independentes.
Enquanto isso, as debêntures da empresa têm sofrido pressão no mercado secundário, sendo negociadas com prêmios elevados em meio a crescentes preocupações com as tendências de fluxo de caixa.
Na avaliação do BBA, essas preocupações diminuíram ligeiramente após os primeiros sinais de que a empresa está estudando o desinvestimento de regiões não essenciais — venda de ativos que pode não resolver os desafios operacionais, mas podem trazer algum alívio ao balanço.
Segundo o banco de investimentos, a companhia já demonstrou anteriormente sua capacidade de melhorar a rentabilidade e ainda existem alavancas relevantes disponíveis para impulsionar novos ganhos. “No entanto, a situação atual é caracterizada por visibilidade limitada e uma ampla gama de possíveis desfechos”, pondera.
Nesse contexto, o BBA considera a preocupação do mercado com a Hapvida compreensível, diante da incerteza operacional, pressão competitiva e um custo de capital percebido mais elevado, o que cria um ambiente desafiador para a tese de investimento em ações.
O banco prevê a HAPV3 sendo negociada a um múltiplo de preço em relação ao lucro (P/L) de 31x para 2026 e 10x para 2027, o que não é avaliado como atraente diante do atual nível de incerteza operacional.
Por volta das 13h27 (horário de Brasília), o papel recuava 5,44%, a R$ 12,34.
Cautela em relação à HAPV3
O BBA avaliou positivamente as mudanças recentes implementadas pela empresa, incluindo o início do processo de desinvestimento e um diagnóstico mais claro dos desafios em São Paulo. Ainda assim, a expectativa é de uma transição complexa para a Hapvida, que deve resultar em um 2026 ainda desafiador em termos de margens e fluxo de caixa livre (FCF), detalha.
Segundo o BBA, por ora, uma postura cautelosa em relação à ação é apropriada. Nesse sentido, o banco gostaria de ver evidências mais claras de que a Hapvida diagnosticou plenamente seus desafios operacionais e, mais importante, que está executando de forma eficaz um plano crível de recuperação de margens.
“Embora vejamos com bons olhos os sinais recentes de desinvestimentos, que poderiam atuar como um gatilho positivo para a tese de investimento, permanecemos cautelosos”, afirmam os analistas liderados por Vinicius Figueiredo.
O BBA manteve recomendação neutra para HAPV3, com preço-alvo de R$ 15 para o papel, com potencial de valorização de 15,2% para a ação em relação ao fechamento anterior.
Expectativas para a Hapvida
Com o ambiente ainda desafiador em São Paulo, a expectativa do BBA é de que o ticket médio siga pressionado, enquanto o custo por beneficiário deve continuar elevado no curto e médio prazo, à medida que a empresa permaneça investindo na expansão da rede e na percepção de qualidade.
Os planos da operadora de plano de encerrar capacidades ociosas e explorar oportunidades em que redes de terceiros podem ser mais custo-efetivas do que sua estrutura vertical atual é um movimento positivo, segundo o banco de investimentos.
Além disso, uma reformulação bem-sucedida de sua oferta para PMEs pode melhorar o mix de adições brutas e trazer algum alívio de margem, acrescenta.
Diante desse cenário, o BBA prevê que o índice de sinistralidade (MLR) siga elevado ao longo de 2026, em linha geral com o ritmo observado no segundo semestre de 2025, apesar de alguma melhora no primeiro trimestre.
“Combinado com uma alavancagem operacional limitada devido ao crescimento mais lento da receita, investimentos contínuos em iniciativas comerciais e multas relacionadas à ANS, estimamos um Ebitda de R$ 2,5 bilhões, representando uma revisão para baixo de 20% em relação às nossas estimativas anteriores”, diz.
Além disso, o banco avalia ainda que há uma oportunidade de fortalecer o balanço da Hapvida com desinvestimentos tanto na região Sul quanto em Minas Gerais.
No entanto, o banco ressalta que, embora essas regiões não sejam fortes contribuintes de margem, também não são os principais responsáveis pelo consumo de caixa ou pela recente deterioração dos resultados.