Economia

Mercadante quer BNDES a 2% do PIB, pede ‘pacto’ entre empresários e afirma: ‘É fácil resolver o Brasil’

31 ago 2026, 17:52
aloisio mercadante bndes btg
(Foto: Divulgação)

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, defendeu que o banco alcance uma dimensão equivalente a 2% do Produto Interno Bruto (PIB) nos próximos anos, atuando em parceria com o mercado privado.

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Durante o painel “Investimento e Crescimento: Papel do Financiamento Público e Privado”, do Macro Day, evento realizado pelo BTG Pactual, Mercadante descartou, porém, um retorno ao tamanho registrado no passado, quando o BNDES chegou a representar entre 4% e 5% do PIB.

“Não precisamos voltar ao tamanho que o banco já teve. Acho que 2% do PIB é um tamanho adequado, mas também não pode ser menor do que isso”, afirmou.

O presidente argumentou que a instituição deve complementar o setor privado e assumir riscos em áreas nas quais o financiamento de longo prazo é mais difícil, como inovação, transição energética e reconstrução após desastres climáticos.

Mercadante resumiu seu otimismo com uma frase: “É fácil resolver o Brasil. É só abaixar os juros”.

O problema que falta resolver: os juros

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Apesar do tom otimista, Mercadante afirmou que o país ainda precisa solucionar um obstáculo estrutural: a taxa de juros.

“A prioridade nacional tem que ser baixar os juros de forma sustentável e duradoura. É isso que falta para o Brasil. E acho que o mercado pode ajudar muito a dialogar com o Legislativo e o Judiciário e cobrar isso de governadores e prefeitos. Precisamos de um entendimento em torno dessa prioridade”, declarou.

Ele lembrou que o Plano Real controlou a hiperinflação e que, posteriormente, o Brasil reduziu sua vulnerabilidade externa, acumulou reservas internacionais e ampliou o superávit comercial.

“Vamos fazer US$ 290 bilhões de saldo comercial e fechar o ano com algo em torno de US$ 330 bilhões. Voltamos a acumular reservas, o que é fundamental. A inflação aleija, mas a crise cambial mata. Resolvemos a hiperinflação e o câmbio; agora faltam os juros”, disse, citando uma frase do economista Mario Henrique Simonsen.

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“Antes, a inflação comia a renda. Hoje, são os juros que estão comendo a renda das famílias e das empresas”, acrescentou.

O dirigente alertou que o custo elevado do crédito contribuiu para o aumento das recuperações judiciais e extrajudiciais. Ele mencionou a Braskem e Raízen como exemplo de empresas para a qual o BNDES procura, de forma reservada, construir soluções.

“O sistema bancário é extremamente sólido, mas, se os juros permanecerem nesse patamar, isso também vai chegar ao balanço dos bancos. E não há por que isso acontecer. Temos um sistema extremamente sólido”, afirmou.

BNDES quer chegar a 2% do PIB

Mercadante afirmou que o BNDES alcançou R$ 366 bilhões em indução ao crédito em 2025, volume equivalente a cerca de R$ 1 bilhão por dia. Nos primeiros seis meses de 2026, foram R$ 198 bilhões.

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“Em 2025, nós chegamos a R$ 366 bilhões de indução ao crédito. É R$ 1 bilhão por dia”, disse.

Segundo ele, as consultas ao banco cresceram aproximadamente 40% durante sua gestão, enquanto as aprovações avançaram 70%, as contratações aumentaram 75% e os desembolsos subiram 35%.

Mercadante também destacou que o BNDES obteve o segundo melhor resultado de sua história e registrou lucro recorrente recorde. A inadimplência, acrescentou, está em 0,05%, índice que classificou como o menor do sistema financeiro.

“É o menor nível de inadimplência do sistema financeiro”, afirmou.

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O dirigente também rejeitou a percepção de que bancos públicos de desenvolvimento seriam uma peculiaridade brasileira. Segundo ele, existem 555 instituições desse tipo em 155 países, com aproximadamente US$ 23 trilhões em ativos.

“Banco público de desenvolvimento não é uma jabuticaba brasileira”, declarou.

“Pacto para falar bem do Brasil”

Mercadante também pediu aos empresários presentes no evento que ajudem a promover o Brasil entre os investidores estrangeiros.

“Precisamos fazer um pacto aqui neste evento para falar bem do Brasil. Vamos mostrar nossa agenda de futuro”, afirmou.

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Na avaliação do presidente do BNDES, grandes fundos internacionais, incluindo investidores do Oriente Médio, passaram a enxergar o país como um destino relativamente seguro em meio às tensões geopolíticas.

Entre as vantagens brasileiras, ele citou segurança alimentar, segurança energética, riqueza mineral, estabilidade institucional, democracia e a ausência de conflitos com países vizinhos há cerca de 150 anos.

“O mundo está olhando para o Brasil. Os grandes fundos estão batendo à nossa porta. Estamos sendo procurados para fazermos fundos binacionais. É investidor de toda parte chegando”, disse.

“Estado forte e mercado forte”

No encerramento, Mercadante rejeitou tanto a ideia de que o mercado consiga resolver sozinho os desafios do desenvolvimento quanto a defesa de um Estado que substitua a iniciativa privada.

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“Essa ideia de que o mercado resolve os problemas sozinho é um equívoco. O que precisamos é de um Estado forte e de um mercado forte. Temos que ter uma relação criativa. O BNDES está aqui para ajudar vocês a ganhar dinheiro e a investir”, explicou.

Para ilustrar o papel do BNDES, Mercadante recorreu a uma metáfora futebolística.

“O nosso papel é jogar um pouco na defesa, distribuindo a bola para vocês fazerem o gol. Com isso, o brasileiro terá mais emprego, renda, felicidade e desenvolvimento”, disse.

Mercadante encerrou reafirmando que o Brasil possui as condições necessárias para acelerar o crescimento, desde que reduza os juros, atraia capital estrangeiro e transforme suas vantagens naturais em investimentos.

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“O Brasil tem tudo para dar um salto extraordinário. Eu sou muito otimista com o Brasil e vejo um futuro promissor. Espero que vocês acreditem nisso”.

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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