Mercado descarta novo corte da Selic em setembro com disparada dos juros globais
Na curva de juros futuros, o mercado praticamente zerou as apostas de corte na Selic em setembro nesta quinta-feira (23) em meio a disparada dos juros globais. Hoje, a taxa básica de juros está em 14,25% ao ano.
Desde a semana passada, os agentes financeiros precificavam mais uma redução na taxa básica de juros na decisão de setembro após dados de inflação mais benignos no Brasil e nos Estados Unidos.
Na última atualização – ontem (22) –, as Opções do Copom, negociadas na B3, apontavam 52% de chance de algum corte na Selic no mês em questão. Já na curva a termo, o mercado precifica um corte de 5 pontos-base para setembro.
Os investidores também ampliaram as apostas de alta nos juros dos Estados Unidos nos próximos meses. Segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group, a probabilidade de elevação nos juros pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) em setembro superou 80%.
A reprecificação deve-se disparada dos juros globais com a escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio e o retorno do barril do petróleo Brent, referência mundial da commodity, ao nível de US$ 100.
Nos EUA, por exemplo, o retorno do título de dez anos — referência para empréstimos imobiliários, financiamento de veículos e dívidas de cartão de crédito — atingiu o maior nível desde janeiro de 2025, a 4,714% pela manhã, superando a máxima intradia de 4,687% registrada em maio deste ano.
Por aqui, as taxas de Depósito Interfinanceiro (DI) voltaram a se aproximar de 15%, com avanço de mais de 20 pontos-base nos vértices de médio prazo.
A taxa de DI para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, fechou a 14,045% ante 13,950% do fechamento anterior, uma alta de quase 10 pontos-base. Já a taxa de DI para janeiro de 2029, de médio prazo, subiu 21 pontos-base e encerrou as negociações em 14,705%, ante 14,490% do fechamento da véspera.
A taxa de DI para janeiro de 2036, de longo prazo, terminou o dia a 14,825% ante 14,685% do fechamento de ontem, avanço de 14 pontos-base.
Último corte na Selic?
A curva a termo, por sua vez, mantém a chance de corte na Selic na próxima decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, em 5 de agosto. Há cerca de 68% de chance de redução de 25 pontos-base, segundo Flávio Serrano, economista-chefe do banco BMG, ante a manutenção de 32%.
Nos Estados Unidos, o mercado também precifica manutenção dos juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano.
No fechamento do pregão regular, a ferramenta FedWatch, do CME Group, apontava 66,3% de juros inalterados pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) na decisão de 29 de julho, ante 33,7% de chance de alta de 25 pontos-base e nenhuma probabilidade de corte.
*Com informações de Estadão Conteúdo