Mercado Livre (MELI34) do vídeo à compra: Entenda a nova aposta da gigante do e-commerce
Enquanto a guerra do e-commerce se acirra com a crescente competitividade entre os principais nomes do segmento, ao passo que o mercado monitora de perto os impactos nas margens, o Mercado Livre (MELI34) continua focado no desenvolvimento das frentes que compõem o negócio.
Neste sentido, a gigante argentina recentemente inaugurou seu estúdio, localizado em São Paulo.
Criado em parceria com a Community Creators Academy e a California Content House, o Estúdio Mercado Livre fica na zona Oeste da capital paulista e consiste em uma estrutura audiovisual voltada para vendedores, afiliados e criadores da plataforma, que poderão fazer uso do espaço para aprimorar a realização de lives para a venda de produtos presentes no Meli.
A iniciativa reforça a frente de social commerce da companhia, estratégia que busca aproximar conteúdo, descoberta de produtos e compra dentro da própria plataforma.
Na prática, o Mercado Livre permite que criadores, afiliados e vendedores apresentem produtos em transmissões ao vivo, com o consumidor podendo realizar a compra sem sair da plataforma.
Renata Gerez, diretora de social commerce LATAM do Mercado Livre, conta que esse movimento teve início há quatro anos, com a plataforma de vídeos curtos incorporada ao aplicativo. O lançamento das lives, segundo a executiva, vem como forma de complementar a estratégia no segmento de social commerce.
“Nós compramos de uma forma completamente diferente hoje do que três anos atrás. A compra acontece muito mais por meio de conteúdo e não tanto de celebridades, é muito mais essa descoberta e a compra acontece nas redes sociais ou nas próprias plataformas, no que a gente fala que é o boca a boca democratizado”, disse em conversa com jornalistas.
Questionada pelo Money Times sobre o investimento realizado pela companhia na iniciativa, Gerez afirmou que o Mercado Livre não abre valores específicos, mas que a iniciativa está inclusa nos R$ 57 bilhões em investimentos no Brasil anunciados no início deste ano.
“Esse tipo de informação sobre investimento de novos lançamentos a gente não abre. Mas o que eu posso falar é que é uma grande aposta e que a gente acredita que vai ser muito importante para coroar tudo que a gente já vem fazendo e entregando com relação ao mundo que é o nosso ecossistema do social commerce”, disse ao Money Times.
Estúdio Mercado Livre
Pesquisa de 2023 realizada pela Opinion Box, em parceria com a All In, revelou que 72% das pessoas costumam consumir live commerce e em uma parcela de 28% dos consumidores que adoram o canal, 45% compram, de fato, produtos por lá.
Desde então, o TikTok Shop ganhou espaço no mercado brasileiro ao integrar descoberta, conteúdo e compra dentro do aplicativo de vídeos curtos.
Renata Gerez contou que o benchmark do Brasil comparado com outros países da América Latina é que realmente o país tem demonstrado uma boa adesão a esse formato.
O Estúdio, segundo o Mercado Livre, tem o intuito de ser um polo de produção de conteúdos para vendedores e o Programa de Afiliados e Criadores do Mercado Livre, que totaliza 9 milhões de inscritos na América Latina e registrou 208 vendas por minuto no Brasil, no segundo trimestre de 2026.
O espaço conta com estúdios individuais, outro multiuso e/ou para gravação de podcasts, além de arquibancada para pequenos eventos, totalizando nove locais independentes para transmissões, em 193 m². Mediante agendamento, o espaço está aberto para utilização.
“Como companhia, a gente quer continuar sendo um e-commerce mais relevante da América Latina e, sem dúvida, nos movimentar em relação ao social e-commerce é fundamental para que isso aconteça”, afirma a diretora de social commerce LATAM do Mercado Livre.
As diversas frentes do Meli
O core do Mercado Livre está no marketplace. No entanto, a presença da gigante argentina vai além dessa frente na busca por conexões com consumidores no universo do entretenimento, da moda e até dos esportes.
Em janeiro deste ano, por exemplo, a companhia anunciou a terceira edição do seu próprio festival de música, o Meli Music.
De acordo com as falas de Iuri Maia, diretor de estratégias de marca da companhia à época, o grande intuito era tangibilizar a marca e explorar o território do entretenimento para se aproximar dos consumidores.
No segundo trimestre de 2026, a companhia entregou resultados em linha com as expectativas do mercado, mas analistas chamaram atenção para o ritmo de recuperação das margens.
O Mercado Livre reportou lucro líquido de US$ 466 milhões no trimestre encerrado em junho, acima dos US$ 433 milhões esperados por analistas consultados pela LSEG.
A receita líquida atingiu US$ 10,2 bilhões, avanço de 50% — o maior em quatro anos —, superando a projeção de US$ 9,7 bilhões da LSEG. Já as vendas totais, medidas pelo GMV (Volume Bruto de Mercadorias), cresceram 36% em base neutra de câmbio.
Enquanto isso, o resultado operacional, ou Ebit (lucro antes de juros e impostos), somou US$ 683 milhões, queda de cerca de 17% na comparação anual, mas acima dos US$ 658 milhões projetados pelos analistas. A margem Ebit recuou para 6,7%, ante 12,2% um ano antes e 6,9% no primeiro trimestre.
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