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Mercado Livre (MELI34): Movimento da Shopee beneficia gigante argentina e melhora ambiente competitivo, vê BBA

22 set 2026, 12:05
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(Imagem: Divulgação/Mercado Livre)

A Shopee elevou as taxas cobradas de vendedores no Brasil e o movimento é incrementalmente positivo para o Mercado Livre (MELI;MELI34), na leitura do Itaú BBA.

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A equipe de analistas da casa, liderada por Rodrigo Gastim, pondera que o aumento de taxas da Shopee reforça uma mudança mais ampla em direção à monetização e à rentabilidade no Brasil, em vez de buscar crescimento de participação de mercado a qualquer custo — uma das grandes questões da guerra do e-commerce.

A partir de 1º de outubro, a Shopee aumentará em R$ 0,50 a taxa fixa para itens com preço inferior a R$ 80, de R$ 4,00 para R$ 4,50, mantendo inalteradas as taxas de comissão, os subsídios ao Pix e todas as demais faixas de preços.

O ajuste está concentrado no que os analistas estimam ser a maior faixa de preços da Shopee Brasil, representando cerca de 60% do GMV (volume bruto de mercadorias) e aproximadamente 90% das unidades vendidas.

Assumindo um ticket médio de cerca de R$ 30 para a Shopee na faixa abaixo de R$ 80, a mudança implica um aumento de aproximadamente 170 pontos-base no take rate efetivo, de cerca de 33,3% para 35,0%, equivalente a um aumento de aproximadamente 5% na comissão média em dólares paga pelos vendedores nessa faixa.

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O BBA pontua que a mudança ocorre apenas algumas semanas depois de a Sea (controladora da Shopee) reiterar sua abordagem mais disciplinada e focada em rentabilidade no Brasil.

“É importante destacar que, apesar do aumento, a Shopee continua competitivamente posicionada em relação ao Mercado Livre, em que os take rates totais normalmente ficam, em média, em cerca de 31%-32% para o Meli em itens abaixo de R$ 50 (cerca de 29% para a Shopee) e cerca de 26% para ambas as empresas na faixa de R$ 50 a R$ 75″, dizem os analistas.

Em outras palavras, a Shopee está extraindo mais valor dos vendedores sem alterar de forma relevante sua proposta competitiva.

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Positivo para o Mercado Livre

Na visão do BBA, o movimento da Shopee mostra que a companhia está fazendo a coisa certa e tem efeito positivo para o Mercado Livre.

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Os investidores têm tratado consistentemente a competição no Brasil como o principal ponto de debate, e cada indicação adicional de comportamento racional por parte da Shopee ajuda a reduzir essa preocupação, avalia a casa.

“O fato de a Shopee estar implementando o aumento nas faixas de menor ASP (preço médio de venda) também sugere que a administração está confortável com as atuais tendências de crescimento, apesar dos investimentos contínuos do Mercado Livre”, dizem os analistas.

O BBA continua vendo o sinal de racionalidade como o principal ponto para o Mercado Livre, mas o movimento também reforça, de certa forma, que a Shopee ainda vê espaço para monetizar enquanto mantém um crescimento saudável.

Durante a divulgação dos resultados do segundo trimestre, a administração da Shopee destacou a melhora da monetização, o crescimento de 70% ano a ano da receita de publicidade, espaço para uma expansão adicional do take rate e o compromisso de investir de maneira “disciplinada e rentável”.

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Desde então, a Shopee voltou a escolher a monetização em vez de subsídios adicionais.

“A sequência de eventos é mais importante do que qualquer ajuste individual: a administração está dizendo que a rentabilidade importa, e as decisões de precificação do marketplace estão cada vez mais alinhadas a essa mensagem. Isso reduz a probabilidade de o ciclo competitivo no Brasil evoluir para uma guerra de subsídios sem fim, uma das principais preocupações entre investidores do MELI nos últimos 18 meses”, avalia o BBA.

O BBA tem classificação Outperform (equivalente à compra) para o Mercado Livre, com preço-alvo de US$ 2.250 para as ações MELI.

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Repórter
Formada em jornalismo pela Universidade Nove de Julho. Ingressou no Money Times em 2022 e cobre empresas, com foco em varejo e setor aéreo.
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