Minha Casa, Minha Vida turbinado: Três construtoras devem surfar nova onda de demanda
As mudanças recém-aprovadas para o Minha Casa, Minha Vida (MCMV) posicionam o setor de construção civil para mais um ano promissor em termos operacionais, segundo avaliação do BTG Pactual.
Em relatório, o banco afirmou que a demanda deve seguir forte diante das condições ainda mais favoráveis do programa habitacional, o que permitirá que as construtoras listadas em bolsa continuem crescendo com margens elevadas e retornos saudáveis.
As preferências do BTG
Na visão da instituição, os ajustes vão beneficiar principalmente empresas expostas a rendas mais baixas, em que o mercado potencial cresce de forma relevante. Nesse cenário, a Tenda (TEND3) é apontada pela casa como a principal vencedora.
Apesar disso, o BTG destacou que companhias com maior participação nas faixas intermediárias do MCMV, nas quais o poder de compra tende a avançar mais, também serão contempladas. Nesse caso, Cury (CURY3) e Direcional (DIRR3) foram eleitas pelo banco como os principais destaques.
Por volta das 14h30 (horário de Brasília), os papéis DIRR3 subiam 2,29% na bolsa de valores, enquanto TEND3 avançava cerca de 3,5% e CURY3, 2,9%.
O que mudou no MCMV
Na última terça-feira (24), o Conselho do FGTS aprovou novos limites de renda das famílias que se enquadram no Minha Casa, Minha Vida, permitindo que mais pessoas participem do benefício habitacional:
- Faixa 1: o teto da renda subiu de R$ 2.850 para R$ 3.200;
- Faixa 2: de R$ 4.700 para R$ 5.000;
- Faixa 3: de R$ 8.600 para R$ 9.600;
- Faixa 4: de R$ 12.000 para R$ 13.000.
Além disso, também houve aumento no valor máximo dos imóveis que podem ser financiados pelo programa:
- Faixas 1 e 2: o preço pode variar entre R$ 210 mil e R$ 275 mil, dependendo da localização;
- Faixa 3: subiu de R$ 350 mil para até R$ 400 mil;
- Faixa 4: subiu de R$ 500 mil para até R$ 600 mil.
Nova estrutura de financiamento
Além desses ajustes, o governo também prevê mudanças na estrutura orçamentária do programa, com conclusão prevista para o segundo semestre de 2026.
Isso porque o Ministério das Cidades estima que a ampliação das Faixas 1 e 2 exigirá cerca de R$ 500 milhões adicionais em subsídios — elevando o montante de R$ 12,5 bilhões para R$ 13 bilhões — a serem incluídos na revisão orçamentária de junho.
Para acomodar as atualizações, também foi indicada a necessidade de aumentar o orçamento total para habitação em R$ 3,6 bilhões este ano, para R$ 145,7 bilhões, com recursos vindos do Fundo Social.
Há ainda discussões avançadas para permitir o uso do Fundo Social no financiamento da Faixa 4 — hoje restrito à Faixa 3 — também a partir do segundo semestre de 2026, numa medida que, segundo o BTG, pode fortalecer estruturalmente o crédito habitacional no longo prazo.
As preferências da Empiricus
Para Caio Nabuco de Araujo, analista da Empiricus Research, essas atualizações trouxe um novo fôlego para as ações do setor imobiliário, com impacto positivo esperado nas vendas.
“Com mais famílias elegíveis e maior capacidade de financiamento, a tendência é de continuidade da demanda por imóveis. Isso permite às construtoras manter o forte ritmo de lançamentos”, afirmou.
Segundo ele, embora as mudanças já fossem parcialmente antecipadas, elas reforçam uma leitura positiva para o segmento de habitação popular.
“O cenário é favorável para empresas com maior exposição à baixa renda, que se beneficiam diretamente do aumento do público atendido, mas também para aquelas com atuação nas faixas intermediárias, em que o ganho de poder de compra foi relevante”, explicou.
Entre as preferências da Empiricus, Araujo destacou a Direcional (DIRR3), que considera bem posicionada e com ponto de entrada mais atrativo após a recente correção das ações – nos últimos 30 dias, os papéis da companhia recuaram cerca de 11% na bolsa de valores.
As preferências do Itaú BBA
Na mesma linha, analistas do Itaú BBA apontaram que, apesar de esperadas, as mudanças reforçam uma visão construtiva para o setor de baixa renda, com tendência de fortalecimento da demanda.
O banco calcula que o aumento dos limites de renda pode elevar o poder de compra das famílias entre 8% a 24%, o que tende a sustentar vendas mais fortes e volumes maiores de lançamentos.
“Esperamos que esses ajustes no MCMV comecem a refletir nos resultados operacionais já a partir do segundo trimestre (2T26)”, afirmou a casa, em relatório.
O BBA mantém preferência por empresas que, pelos seus cálculos, apresentam maior potencial de crescimento. A Tenda segue como a principal escolha do banco, negociando a cerca de 6,5 vezes o lucro estimado para 2026.
Na sequência, a instituição destaca a Direcional, com P/L projetado em 7,5 vezes para este ano, citando a perspectiva de aceleração das vendas, geração de caixa mais robusta e crescimento escalável — especialmente por meio da parceria com a Moura Dubeux (MDNE3) no Nordeste.
“Acreditamos que essas alterações devem se traduzir principalmente em comercialização mais forte. Além disso, com a melhora das condições de financiamento e dos subsídios, a acessibilidade tende a aumentar de forma relevante.”