Balanço de Motiva (MOTV3) agrada e ação sobe mais de 4%; o que dizem os analistas?
As ações da Motiva (MOTV3), antiga CCR, lideram a ponta do Ibovespa (IBOV) desde a abertura do mercdo nesta quinta-feira (30) em reação ao balanço do segundo trimestre (2T26).
Por volta de 11h50 (horário de Brasília), MOTV3 subia 4,73%, a R$ 14,83, na máxima intradia. Acompanhe o Tempo Real.
A companhia registrou lucro líquido ajustado de R$ 663 milhões no 2T25, alta de 67% sobre o desempenho do mesmo período do ano passado, acima do consenso da Bloomberg, de R$ 541 milhões (R$ 0,27 por ação).
O Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado somou R$ 2,37 bilhões, avanço de 30,1%, enquanto o lucro líquido ajustado alcançou R$ 663 milhões, crescimento de 67%. A margem Ebitda ajustada passou de 60,6% para 65,3%.
O que agradou os analistas?
Na avaliação de analistas, a concessionária reportou resultados “sólidos”, com receita líquida e Ebitda em linha com o esperado e surpresa positiva no lucro líquido, refletindo a evolução consistente da eficiência operacional.
“Na nossa visão, o segundo trimestre representa bem a nova fase da Motiva. Tanto a receita quanto o Ebitda vieram praticamente em linha com nossas estimativas, que já incorporavam uma sólida eficiência operacional no período. A única surpresa foi o lucro líquido, que ficou 7% acima da nossa projeção, já desconsiderando o único ajuste extraordinário, relativamente simples”, afirmaram os analistas Lucas Marquiori, Fernanda Recchia e Samuel Alkmim, do BTG Pactual.
“Até mesmo a inclusão do novo capex da concessão Fernão Dias (cerca de R$ 9 bilhões) na carteira de investimentos ocorreu conforme esperado”, acrescentou a equipe.
O BTG Pactual também destaca que a receita líquida, de R$ 3,74 bilhões (queda de 1,6% na base anual), foi impulsionada principalmente pela incorporação da concessão Minas_SP, antiga Fernão Dias, além do crescimento do tráfego comparável, reajustes tarifários e maior contribuição das novas concessões rodoviárias.
Já o Citi considera que a principal novidade foi a divulgação de mais detalhes sobre as expectativas de capex e opex da Minas_SP.
A empresa afirmou que o capex teve uma economia de 20% em relação ao estudo do governo: de R$ 7,7 bilhões em valores de março de 2023, ou R$ 8,82 bilhões na base do 2T26. O valor ficou ligeiramente acima da expectativa do Citi, de R$ 8,5 bilhões na base do 2T26.
“Embora a economia de 20% no capex tenha sido ligeiramente superior às nossas estimativas quando ajustada para a base do 2T26, a redução de 5% no opex pareceu marginalmente melhor do que nossa projeção”, avaliou o analista Filipe Nielsen, em relatório.
“A concessão deve começar com margens de Ebitda menores, mas evoluir para níveis de rentabilidade superiores aos esperados no longo prazo”, acrescentou Nielsen.
Bradesco BBI e Motiva
Na última terça-feira (28), a Motiva anunciou que o o Grupo Mover, controlado por Sucea e Sincro – que estão em recuperação judicial – , assinou documentos vinculantes e definitivos para vender sua participação integral de 14,86% na companhia, equivalente a 300.149.832 ações ordinárias, para o Bradesco BBI.
Como os demais integrantes do bloco de controle — Soares Penido, Itaúsa e Votorantim — optaram por não exercer o direito de preferência, o Bradesco BBI foi confirmado como comprador. A operação ainda depende do cumprimento de determinadas condições precedentes estabelecidas entre as partes.
Para o BTG, o anúncio representa um marco. “Pela primeira vez, uma construtora deixa de integrar o bloco de controle da companhia, eliminando um fator de incerteza que há muito pesava sobre a tese de investimento”, destacaram os analistas.
O Safra, por sua vez, considera o movimento como “evento administrável” para os acionistas minoritários. “A operação não aciona direitos de tag along nem implica uma oferta pública obrigatória, uma vez que não há mudança de controle da Motiva — apenas a substituição de um membro do bloco controlador por outro”, afirmaram os analistas.
Para eles, a notícia é marginalmente positiva, porque elimina uma fonte conhecida de pressão sobre a ação: “um vendedor em situação financeira fragilizada e sob recuperação judicial está deixando a
estrutura acionária por um preço que aparentemente não incorpora prêmio significativo de controle”.
Hora de comprar MOTV?
Após os resultados do 2T26, os analistas reiteraram a recomendação de compra para as ações.
Para o Safra, os resultados reforçam a capacidade da Motiva de combinar crescimento operacional com expansão de margens, mesmo em um cenário de investimentos relevantes e aumento da alavancagem.
Os analistas Luiz Peçanha e Arthur Godoy também avaliam que a empresa segue negociando a níveis considerados atrativos em relação aos títulos públicos indexados à inflaçã – o que reforça a tese de valor para investidores com horizonte de longo prazo.
A visão também é compartilhada pelo BTG Pactual. Para os analistas, os resultados também reforçam a consistente execução operacional da Motiva, evidenciada pela contínua expansão das margens, enquanto as tendências de tráfego permanecem resilientes.
“Olhando à frente, acreditamos que a companhia seguirá criando valor para os acionistas por meio de uma estratégia disciplinada de alocação de capital, especialmente em projetos brownfield, nos quais enxergamos um pipeline superior a R$ 20 bilhões, com uma atrativa relação entre risco e retorno”, destacaram os analistas.
Confira a recomendação e os preços-alvos dos bancos citados acima:
| BANCO | RECOMENDAÇÃO | PREÇO-ALVO | POTENCIAL DE VALORIZAÇÃO* |
| BTG Pactual | Compra | R$ 20,00 | 41,2% |
| Citi | Compra | R$ 16,20 | 14,4% |
| Safra | Compra | R$ 18,30 | 29,2% |
*potencial de valorização sobre o preço de fechamento do dia anterior. Em 29/07/2026, MOTV3 encerrou o dia cotado a R$ 1416.