Negociações entre EUA e Irã começam neste domingo (21) na Suíça, segundo Paquistão
O Irã e os Estados Unidos se preparam para uma rodada de negociações sobre o acordo de cessar-fogo na guerra no Oriente Médio prevista para começar neste domingo (21). Na véspera, a delegação iraniana e o vice-presidente dos EUA, JD Vance, partiram para a Suíça.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores do Paquistão, as conversas ocorrerão em Burgenstock, no âmbito do Memorando de Entendimento de Islamabad.
Antes de partir, Vance afirmou que os enviados americanos Jared Kushner e Steve Witkoff já estavam no local para tratar de “elementos técnicos” do diálogo. O vice-presidente dos EUA acrescentou estar “muito confiante” de que Washington e Teerã conseguirão manter o cessar-fogo em vigor.
Já a delegação do Irã é liderada pelo negociador-chefe Mohammad Baqer Qalibaf e incluiu o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, além de altos funcionários das áreas de segurança, do banco central e do setor petrolífero, informou a mídia iraniana.
Estreito de Ormuz
No sábado, a Guarda Revolucionária Islâmica de Teerã havia declarado o Estreito de Ormuz fechado, o que pareceu elevar riscos antes das negociações, já que ambos os lados buscam avançar em um acordo provisório mediado pelo Paquistão e assinado na quarta-feira (17) pelo presidente dos EUA, Donald Trump, e pelo presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, para pôr fim à guerra que já dura mais de três meses e meio.
O Irã alertou os navios para que não se aproximassem da via navegável, um canal vital para o abastecimento global de petróleo e gás, citando o que chamou de “crimes” israelenses no Líbano e uma violação dos compromissos dos EUA de estabelecer um cessar-fogo. A Guarda afirmou que a segurança das embarcações estaria em risco caso se aproximassem do estreito.
O Comando Central dos EUA, no entanto, informou que 55 navios mercantes haviam transitado pelo estreito no sábado, transportando grandes quantidades de carga e mais de 17 milhões de barris de petróleo para os mercados globais, e que as forças americanas garantiriam a continuidade do tráfego marítimo.
Mohammad Mokhber, assessor do líder supremo iraniano, o aiatolá Mojtaba Khamenei, acusou os EUA em X de não cumprirem a primeira cláusula do acordo provisório de 14 pontos com o Irã, que inclui um cessar-fogo “em todas as frentes”, incluindo o Líbano.
Ele afirmou que, enquanto o acordo permanecer apenas no papel, o fluxo de energia do Oriente Médio continuará interrompido.
Fora das negociações para cessar a guerra, Israel afirma que continuará com a ocupação no Líbano, enquanto os combates entre as forças israelenses e o grupo Hezbollah prosseguem.
*Com informações de Estadão Conteúdo e Reuters