Economia

‘Nos resta uma última milha’, diz Durigan ao defender ajuste fiscal; ministro promete avanços nas contas públicas

24 jul 2026, 12:01
Dario Durigan Fazenda
Ministro da Fazenda, Dario Dorigan, durante entrevista à Reuters em Pequim 25 de junho de 2026 REUTERS/Maxim Shemetov

“Nos resta uma última milha de esforço.” Foi assim que o ministro da Fazenda, Dario Durigan, resumiu o desafio da equipe econômica para consolidar o ajuste fiscal no país.

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Durante participação na Expert XP, nesta sexta-feira (24), o ministro afirmou que o governo entra agora em uma etapa voltada ao fortalecimento da credibilidade das contas públicas, com foco na redução do endividamento e na criação de condições para a queda estrutural dos juros.

Segundo Durigan, o compromisso fiscal segue como o principal eixo da política econômica em um cenário global marcado por incertezas.

“O fiscal é a pedra de toque para que a gente deixe um país forte, mais robusto, em um momento em que o mundo nos promete incertezas. Cuidar das contas públicas é cuidar das pessoas”, afirmou.

O ministro reconheceu que a percepção do mercado em relação à trajetória da dívida pública ainda representa um desafio para o governo, mas argumentou que houve um ajuste estrutural das contas desde o início da atual gestão.

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“Nunca tiro a responsabilidade do Ministério da Fazenda e do governo da frente”, disse ao comentar o nível ainda elevado dos juros futuros.

Superávit de 0,5% e orçamento de 2027

Durigan afirmou que o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027 será enviado ao Congresso até 31 de agosto e reforçará o compromisso do governo com a responsabilidade fiscal.

Segundo ele, a equipe econômica trabalha com uma projeção de superávit primário de 0,5% do PIB no próximo ano. “Vamos construir um orçamento que mostre que 2027 precisa ser muito diferente de 2022”, disse.

Apesar da meta, o ministro afirmou que a intenção é entregar um resultado ainda melhor, caso as condições econômicas permitam. “Vamos seguir melhorando o fiscal, custe o que custar.”

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Ele também garantiu que o orçamento não incluirá programas sem fonte de financiamento definida nem despesas capazes de comprometer o equilíbrio das contas públicas.
Brasil como “porto seguro”

Na avaliação de Durigan, o ambiente internacional continua pressionando a inflação e mantendo os juros em patamares elevados em diversas economias, o que reforça a importância de o Brasil consolidar sua credibilidade fiscal.

“A política de juros dos Estados Unidos está entre as mais altas dos últimos 20 anos. A incerteza global tem causado inflação no mundo todo. Todos os países estão enfrentando desafios fiscais”, afirmou.

Para o ministro, esse cenário abre uma janela de oportunidade para o país atrair investimentos. “O Brasil precisa ser um porto seguro em um mundo de incertezas. É o lugar do futuro, onde vamos oferecer previsibilidade e segurança para atrair o capital privado.”

Agenda pós-eleições

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Ao comentar os próximos desafios da política econômica, Durigan indicou que uma das prioridades após o ciclo eleitoral será conter o avanço das despesas obrigatórias.

Segundo ele, o crescimento desses gastos reduziu o espaço para investimentos públicos nos últimos anos e precisará ser enfrentado para aumentar a capacidade de investimento do Estado.

“O primeiro desafio é diminuir o crescimento das despesas obrigatórias para abrir espaço para investimentos focalizados”, afirmou.

O ministro também voltou a defender um Estado mais eficiente e menos burocrático. “Precisamos de um Estado que não seja um estorvo para as pessoas, mas um Estado útil.”

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Durigan destacou ainda mecanismos de parceria entre o setor público e a iniciativa privada para impulsionar investimentos estratégicos. Entre as áreas citadas estão fertilizantes, inteligência artificial, baterias e infraestrutura.

Segundo ele, instrumentos de compartilhamento de risco já permitiram mobilizar cerca de R$ 150 bilhões em investimentos privados a partir de um volume significativamente menor de recursos públicos.

Para o ministro, o fortalecimento das contas públicas continuará sendo o principal caminho para reduzir os juros estruturais da economia, ampliar a confiança dos investidores e criar condições para um crescimento mais sustentável.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.

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