Juros futuros recuam com eleições em foco
A curva de juros futuros recuou em quase todos os vencimentos nesta terça-feira (8), destoando dos títulos do Tesouro norte-americano, os Treasuries, com o cenário eleitoral local ditando o humor dos investidores.
A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, encerrou a 13,575%, de 13,571% do fechamento anterior, perto da estabilidade.
Já a taxa de DI para janeiro de 2029, de médio prazo, encerrou as negociações em 13,815%, ante 13,885% do fechamento anterior, recuo de mais de 7 pontos-base.
A DI para janeiro de 2036, de longo prazo, cedeu 19,5 pontos-base e terminou o dia a 14,015%, ante 14,200% do fechamento da última sexta-feira (6).
Nos EUA, o yield do Treasury de dois anos – mais sensível à política monetária – operava a 4,400%, ante 4,379% do ajuste anterior, por volta de 18h05 (horário de Brasília).
Já o retorno do título de 10 anos — referência para empréstimos imobiliários, financiamento de veículos e dívidas de cartão de crédito — subia para 4,792%, de 4,784% da última sexta-feira, no mesmo horário.
O que mexeu com os DIs hoje?
Divulgadas na segunda e nesta terça, respectivamente, as pesquisas Quaest e BTG/Nexus apontam a mesma tendência dos últimos levantamentos, com o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tecnicamente empatados em um eventual segundo turno.
Na Quaest, ambos aparecem com 41%. Na Nexus, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro registrou 46%, contra 45% do petista.
O economista-chefe da BGC Liquidez, Felipe Tavares, avalia que a reação positiva do mercado às pesquisas se concentra no embate entre os dois principais oponentes. “O driver é o mesmo da Bolsa e do dólar: Todo mundo olhando um melhor cenário estrutural do Brasil”, afirma Tavares, para quem a realização de reformas possibilitaria um alívio mais consistente nas medidas de risco-país.
“Temos visto mais gente do ‘sell side’ mudando o tom sobre o Brasil, ficando mais animado, e veio fluxo estrangeiro, mas o primeiro fator é o investidor nacional acreditando”, acrescenta Tavares, para quem o ambiente de aversão ao risco está melhorando, o que se reflete na percepção de instituições financeiras locais e de fora.
Nesta terça-feira, ao elevar a recomendação de ações do Brasil para compra, o Bank of America (BofA) afirmou que a desaceleração da atividade econômica e da inflação pode permitir um ciclo de afrouxamento monetário mais profundo.
O sócio-fundador da Eytse Estratégia, Sérgio Goldenstein, destaca que o Tesouro também vem aproveitando a janela mais favorável o mercado, decorrente da queda do prêmio de risco com a melhora da perspectiva eleitoral da oposição, para emitir mais papéis prefixados e atrelados à inflação.
“A posição técnica do mercado estava mais leve, o que abriu espaço para o aumento dos lotes ofertados nos leilões, que vêm sendo bem absorvidos”, disse.
No exterior
Com o avanço do conflito no Oriente Médio, a aversão a risco predominou nor mercados globais. Os houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, atacaram a infraestrutura energética da Arábia Saudita.
Consequentemente, pela manhã, os preços do petróleo chegaram a operar na faixa dos US$ 100. Diante da volta dos temores inflacionários, os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, os Treasuries, voltaram a subir.
*Com informações de Estadão Conteúdo