Nova corrida dos mísseis impulsiona setor global de defesa
Os mísseis balísticos estão entrando em uma nova fase de proliferação global, impulsionada pelas lições extraídas das guerras na Ucrânia e no Irã, além do fim do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário.
Em vigor entre 1988 e 2019, o acordo proibia Estados Unidos e Rússia de desenvolver armas com alcance entre 500 e 5.500 quilômetros e, de forma indireta, também desestimulava os aliados americanos a buscar sistemas semelhantes. Com a retirada dos Estados Unidos durante o primeiro governo Trump, abriu-se espaço para uma nova corrida tecnológica.
Desde 2022, a Rússia tem utilizado esses mísseis para pressionar e esgotar as defesas aéreas ucranianas, enquanto o Irã já teria lançado cerca de 2 mil projéteis desde fevereiro, provocando danos relevantes e reduzindo os estoques de interceptadores, que são caros e difíceis de repor.
Esse movimento já se traduz na expansão de programas militares ao redor do mundo. A Coreia do Sul apresentou o Hyunmoo-5, enquanto o Japão desenvolve mísseis capazes de transportar veículos hipersônicos.
Na Europa, seis países lançaram um programa conjunto de ataque de longo alcance, e a OTAN pretende destinar US$ 50 bilhões a esse tipo de armamento. Os Estados Unidos também se aproximam da entrada em operação do Dark Eagle, um sistema hipersônico com alcance de milhares de quilômetros.
Enquanto as defesas contra drones tendem a se tornar mais acessíveis e abundantes, a proteção contra mísseis permanece complexa, dispendiosa e tecnicamente desafiadora. Esse desequilíbrio amplia a vantagem ofensiva e torna o equilíbrio militar global mais instável.
Para o investidor, essa tendência continua criando oportunidades em empresas ligadas aos segmentos de defesa, aeroespacial e segurança nacional. ETFs temáticos, como o Select STOXX Europe Aerospace & Defense (EUAD), o Global X Defense Tech (SHLD) e o First Trust Indxx Aerospace & Defense (MISL), oferecem formas eficientes de capturar esse movimento por meio de uma exposição diversificada a companhias que tendem a se beneficiar do aumento estrutural dos gastos militares.
No mercado brasileiro, alternativas como o BDR do iShares U.S. Aerospace & Defense ETF (BAER39) e o SHLD39 cumprem função semelhante, permitindo acesso simplificado a essa temática.
Ainda assim, como em qualquer tese setorial, a disciplina de alocação permanece essencial. Exposições individuais entre 1% e 2,5% da carteira, com limite agregado próximo de 5% para o tema, tendem a oferecer um equilíbrio adequado entre potencial de retorno, diversificação e controle de risco, respeitando tanto o caráter estrutural da tese quanto a volatilidade inerente ao setor.