Novo ‘tarifaço’ dos EUA deve ter impacto menor na bolsa brasileira, mas exige negociação, diz Azimut
A tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros entrou em vigor na quarta-feira (22) e colocou o Brasil na segunda posição entre os países com maior carga tarifária.
Segundo a Global Trade Alert, a taxa média efetiva aplicada ao Brasil é de 18,2%, atrás apenas da China, cuja tarifa média é de 27%. E o cenário pode piorar: há ainda a expectativa de uma nova rodada de tarifas, de 12,5%, para dezenas de parceiros comerciais dos EUA, incluindo o Brasil.
Para Eduardo Carlier, codiretor da Azimut Brasil Wealth Management, a nova rodada de tarifas contra o Brasil deve ter um impacto mais limitado sobre a bolsa brasileira do que o primeiro “tarifaço” direcionado ao país, que entrou em vigor em agosto do ano passado. Meses antes, em abril, o governo do presidente Donald Trump havia anunciado uma tarifa “universal” de 10%.
Para efeito de comparação, a tarifa adicional de 40% exclusiva para produtos brasileiros foi anunciada em 30 de julho de 2025 e, no dia seguinte, o Ibovespa (IBOV) fechou em queda de 0,68%. Desta vez, o novo tarifaço foi anunciado no dia 15 deste mês e, no dia seguinte, o IBOV registrou recuo de 1,24%.
“As consequências para a bolsa, desta vez, são menores. No primeiro anúncio, a taxa atingia quase todos os produtos que o Brasil exportava para os EUA. Agora, o número de itens tarifados é menor”, afirmou Carlier, em entrevista ao Money Times.
“A notícia não é boa, mas chama um ponto de atenção agora é como os governos vão encontrar um caminho para negociar isso de forma que seja mais positiva para o Brasil ao longo do tempo”, acrescentou.
Para o gestor, a principal preocupação não está nas tarifas anunciadas em si, mas na forma de como o governo brasileiro conduzirá as negociações com os EUA daqui para frente e em eventuais respostas. “O primeiro tarifaço foi, em certa medida, renegociado”, destacou Carlier.

A expectativa do mercado é de que o Palácio do Planalto acione instrumentos previstos na Lei da Reciprocidade, como medidas de restrição às importações e a suspensão de concessões, patentes ou remessas de royalties, além da aplicação de tarifas adicionais sobre os países-alvo de retaliação.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Rosa, por exemplo, já afirmou que a reciprocidade não é uma “vingança” e que será adotada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva contra a tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros quando isso for considerado adequado.
“O Brasil tem esse instrumento, vai usar esse instrumento, mas quando for adequado, quando for necessário”, disse o ministro em entrevista à Bandeirantes FM na última quarta-feira.
Para Carlier, da Azimut, a retaliação tarifária tende a ser pouco eficiente e pode dificultar um acordo entre os países, a exemplo da política adotada pela China no ano passado, que levou o governo Trump a elevar as tarifas sobre produtos chineses para 100% em meados de outubro, intensificando as tensões comerciais.
“Eu não acho que seja uma saída muito inteligente. A saída é da diplomacia e da negociação”, avaliou. “Retaliar parece ter pouca eficiência.”