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Nubank (NU) pode gastar até 20% do seu valor de mercado em uma fintech inglesa — e o mercado não gostou nada

28 set 2026, 13:15
Nubank
(Imagem: Divulgação)

Não é de hoje que o mercado questiona o aumento de gastos do Nubank (NU) e, mais uma vez, investidores não gostaram nada de uma possível aquisição ventilada na imprensa. Segundo informações do site britânico Sky News, o roxinho estaria de olho na fintech inglesa Monzo.

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Na bolsa de Nova York, a ação chegou a despencar 9% mais cedo. Por volta das 12h50, o papel caía 8,79%, a US$ 12,40. Nas entrelinhas, o valor da aquisição assusta: entre 8 bilhões e 10 bilhões de libras esterlinas, aproximadamente 16% a 20% da atual capitalização de mercado do Nubank, possivelmente financiada com dinheiro e ações da Nu.

O Sky News cita que as negociações entre a Monzo e a Nu Holdings estariam em estágio relativamente inicial, embora a empresa britânica já tenha contratado banqueiros de investimento do Morgan Stanley e da Qatalyst para assessorá-la.

Procurado nesta segunda-feira, o Nubank afirmou que não comenta rumores nem especulações. “Reafirmamos nosso compromisso em manter uma comunicação transparente, clara e ágil sobre qualquer assunto relevante para os nossos negócios”, disse o banco em comunicado.

‘Nubank da Inglaterra’

Na visão do Safra, o problema não é a qualidade da Monzo. A fintech possui 15,2 milhões de clientes e 10,4 milhões de usuários ativos mensais, enquanto 9% dos usuários ativos mensais de varejo do Reino Unido consideravam a Monzo seu banco principal.

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“Isso parece semelhante ao sucesso da Nu no Brasil, que pode ter sido um dos fatores que motivaram seu interesse em adquirir a Monzo”, escrevem os analistas Daniel Vaz e Rafael Nobre.

Ainda segundo o banco, a Monzo proporcionaria à Nu escala imediata no Reino Unido, uma plataforma bancária consolidada, uma marca confiável, serviços bancários para empresas e uma presença regulamentada pela UE na Irlanda.

A franquia também está crescendo: a receita do ano fiscal de 2026 cresceu 39% em relação ao ano anterior, o lucro bruto avançou 35% e os depósitos aumentaram 55%, atingindo £ 25,7 bilhões.

“A Monzo agregaria capacidade de distribuição, uma base de financiamento de depósitos de clientes de 25,7 bilhões de libras esterlinas, licenças e marca. A Nu poderia agregar capacidade de análise de crédito, vendas cruzadas, recursos de dados e disciplina operacional.”

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A equipe do JPMorgan também ponderou que a Monzo possui ativos valiosos, como escala operacional, uma grande base de depósitos, forte reconhecimento de marca e uma presença relevante em um mercado considerado escasso em oportunidades de aquisição. “Isso poderia acelerar a expansão global do Nubank, especialmente no Reino Unido.”

Na visão dos analistas do UBS BB, qualquer potencial transação estaria alinhada à estratégia de expansão global do Nubank e proporcionaria uma porta de entrada para o mercado do Reino Unido e, de forma mais ampla, para a Europa.

O movimento, acrescentaram, também seguiria uma tendência observada entre outras fintechs globais, incluindo o Revolut, que tem ampliado sua presença internacional por meio da obtenção de licenças e de aquisições.

“Dito isso, vale destacar que o modelo de negócios da Monzo difere do Nubank, com menor foco em crédito e maior orientação para serviços de carteira digital. Também acreditamos que o risco de execução seria um fator importante a monitorar, especialmente considerando os esforços atuais do Nubank para escalar sua operação nos Estados Unidos, lançada recentemente”, afirmaram em relatório a clientes.

O problema do preço

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Aqui é que mora a preocupação, segundo o Safra. De acordo com os cálculos dos analistas, a Monzo seria avaliada entre 6,2x e 7,8x o valor patrimonial do ano fiscal de 2026 e entre 6,6x e 8,3x o lucro bruto estimado para 2027 (assumindo um crescimento de aproximadamente 20% em relação ao ano anterior), em comparação com os 6,0x pelos quais a Nu é negociada atualmente.

“Embora a Nu possua bastante capital excedente, o que não representaria, de forma alguma, uma restrição, esses múltiplos exigem que os acionistas da Nu financiem os lucros futuros antecipadamente”, destacam.

Há ainda outro ponto a considerar. Esse possível gasto se somaria a outros, como os relacionados à expansão nos Estados Unidos. Além disso, o cenário do Brasil não é dos melhores, com um ciclo de crédito em deterioração e potenciais medidas macroprudenciais para conter o endividamento das famílias no país.

“Outras regiões geográficas ainda precisam amadurecer, e gostaríamos de ver maior rentabilidade no México e indicadores-chave de desempenho (KPIs) tangíveis nos EUA antes de vermos a Nu se expandir para outro continente.”

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O JPMorgan também questionou o timing e o valuation elevado da fintech. Segundo os analistas, o Nubank está sendo negociado perto de mínimas históricas em termos de múltiplos, enquanto o banco estaria saindo de um modelo baseado em crescimento orgânico para uma abordagem mais dependente de aquisições.

“Há risco de distração operacional, especialmente em relação às prioridades estratégicas atuais no México, Estados Unidos e Colômbia, devido aos desafios de integração. Nós ficaríamos surpresos”, afirmaram os analistas.

Com Reuters

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Editor-assistente
Formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, cobre mercados desde 2018. Ficou entre os jornalistas +Admirados da Imprensa de Economia e Finanças das edições de 2022, 2023 e 2024. Possui curso intensivo de mercado de capitais oferecido pelo Insper em parceria com a B3. É também setorista de bancos. Antes, atuou na assessoria de imprensa do Ministério Público do Trabalho e como repórter do portal Suno Notícias, da Suno Research.
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