Nubank (ROXO34): Lucro sobe 41% e vai a US$ 871 milhões no 1T26, abaixo do esperado; ações afundam em NY
O Nubank (ROXO34) apurou lucro líquido de US$ 871 milhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 41% em relação ao mesmo período de 2025, mostra balanço divulgado nesta quinta-feira (14).
Apesar da continuidade da alta do lucro, a cifra ficou abaixo da expectativa de analistas reunidos pela LSEG, que esperava US$ 980 milhões.
Já o retorno anualizado sobre o patrimônio líquido (ROE) atingiu 29%, alta de dois pontos percentuais, mas queda de quatro pontos ante os 33% do trimestre passado. Um número bem maior que o Itaú (ITUB4), que fechou o trimestre com ROE de 24%.
O diretor financeiro Guilherme Lago disse à Reuters que o lucro sofreu impacto do crescimento mais acelerado do crédito, o que obrigou a empresa a reconhecer provisões antecipadamente. A carteira de crédito total do Nubank aumentou 40% em relação ao ano anterior, atingindo US$ 37,2 bilhões.
Em Nova York, a reação foi imediata. As ações no after-market despencavam mais de 9% por volta das 18h17.
Inadimplência em alta
Em meio ao cenário macro difícil, a inadimplência se tornou a grande preocupação do mercado para o setor financeiro. E nesse linha, o roxinho seguiu o seu rival, o Inter, e viu seus indicadores piorarem.
O índice de inadimplência com prazo de 15 a 90 dias subiu para 5,0%, ante 4,1% no trimestre anterior. No ano, a alta foi de 0,2 ponto percentual.
Lago, no entanto, afirmou que o aumento refletia a sazonalidade do primeiro trimestre, e não uma piora na qualidade dos ativos.
O segundo fator de impacto foram as expansões intencionais em segmentos de maior risco, onde modelos de risco aprimorados deram ao Nu a confiança para conceder crédito com rentabilidade. O mix de produtos e outros efeitos menores explicam a menor parte restante.
A inadimplência com mais de 90 dias caiu ligeiramente, de 6,6% para 6,5%, porém.
Nubank: Outros números
As receitas aumentaram no mesmo ritmo do lucro, 42%, atingindo recorde de US$ 5,3 bilhões, à medida que a receita financeira líquida de juros (NII) aumentou 12% no trimestre. Trata-se de uma nova máxima histórica de US$ 3,25 bilhões
Por outro lado, a margem financeira líquida (NIM) Ajustada ao Risco fechou o trimestre em 9,5%, queda de 1,0 ponto percentual no trimestre, mas alta de 0,2 ponto no ano.
O índice de eficiência melhorou para 17,6% em relação aos 19,9% registrados no quarto trimestre, impulsionado pelo crescimento contínuo da carteira.
O Nubank encerrou março com 135,2 milhões de clientes, incluindo mais de 15 milhões no México, onde a empresa atingiu o ponto de equilíbrio pela primeira vez.
Em meio a parte do ceticismo do mercado, o Nu irá com calma em sua expansão nos Estados Unidos, com investimentos limitados a menos de 100 pontos-base de seu índice de eficiência consolidado, tanto em 2026 quanto em 2027.
IA vs Nubank?
Investidores também questionam os impactos da inteligência artificial para as operações do Nubank o que contribuiu para a queda do papel no ano. O roxinho soma tombo de 24%.
Fundador e CEO do Nubank, David Vélez, disse, porém, que a transformação em IA é a prioridade no Nu.
“Não estamos adicionando IA ao sistema financeiro, estamos reconstruindo o sistema financeiro em torno da IA. O NuFormer, nosso conjunto proprietário de modelos fundacionais, está em operação hoje para cartão de crédito no Brasil e no México, e para empréstimo sem garantia no Brasil”, afirmou.
Com informações da Reuters