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Nubank troca CFO e ações tombam mais de 7%; o que os analistas acharam?

02 jun 2026, 11:43 - atualizado em 02 jun 2026, 11:43
Nubank
(Imagem: Divulgação)

A troca do diretor financeiro do Nubank (NU; ROXO34) surpreendeu investidores e provocou uma forte reação do mercado nesta terça-feira (2).

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As ações da fintech chegaram a cair mais de 7% na Bolsa de Nova York após a companhia anunciar que Guilherme Lago deixará o cargo de CFO global e será substituído por Rob Livingston, executivo que vinha atuando como CFO da Visa para a América do Norte.



Embora os analistas reconheçam o currículo do novo executivo, a avaliação predominante é que a saída de Lago adiciona incerteza a uma tese de investimento que já vinha sendo questionada por parte do mercado devido à qualidade da carteira de crédito e aos planos de expansão internacional.

Lago deixará a posição após sete anos na companhia, sendo cinco deles como CFO. Ele permanecerá como assessor especial da administração e ajudará na transição até o fim de agosto. Livingston assume o cargo em 13 de julho.

BTG: mudança pegou investidores de surpresa

O BTG Pactual descreveu a troca como uma surpresa para o mercado.

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“Pelo grande número de mensagens que recebemos assim que a notícia se tornou pública, ficou claro que a mudança pegou o mercado de surpresa”, escreveram os analistas Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Antonio Pascale.

O banco destacou que Livingston reúne experiência relevante para a função, tendo ocupado posições de liderança financeira na Visa, além de quase duas décadas de atuação na Capital One.

Ainda assim, os analistas avaliam que a mudança ocorre em um momento delicado para a companhia.

“Em um momento de maior incerteza em relação à tese de investimento, especialmente por causa das preocupações com a expansão nos Estados Unidos e a qualidade dos ativos, a mudança adiciona mais uma camada de incerteza”, escreveram.

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O banco observa que muitos investidores acreditam que o Nubank precisará entregar mais alguns trimestres de melhora consistente nos indicadores de qualidade de crédito para recuperar plenamente a confiança do mercado. Nesse contexto, a troca do principal executivo financeiro aumenta o ruído no curto prazo.

Apesar disso, o BTG manteve recomendação de compra para as ações do Nubank e preço-alvo de US$ 21 em 12 meses.

Safra vê impacto negativo no curto prazo

O Safra adotou um tom mais cauteloso.

“Por enquanto, avaliamos a saída de Lago de forma negativa”, escreveram os analistas Daniel Vaz e Rafael Nobre. Segundo o banco, ele se tornou o principal interlocutor do Nubank junto ao mercado de capitais e acumulava uma trajetória relevante dentro da companhia.

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O relatório ressalta que Livingston chega com forte experiência internacional, mas sem conhecimento aprofundado do mercado brasileiro. Além disso, o Nubank ainda não anunciou quem assumirá uma nova posição criada especificamente para comandar as finanças da operação brasileira.

Segundo o Safra, o anúncio é especialmente sensível porque acontece enquanto investidores acompanham possíveis sinais de deterioração da qualidade dos ativos da companhia.

Ainda assim, o banco manteve recomendação outperform — equivalente a compra — para os papéis, com preço-alvo de US$ 22 por ação.

Transição natural

Já Bradesco BBI e Ágora adotaram uma leitura mais tranquila da sucessão. Em relatório, os analistas avaliaram a mudança de forma positiva e sem surpresa estratégica, destacando que Guilherme Lago deixa como legado a evolução financeira da companhia desde o IPO, com ganhos de escala, expansão para México e Colômbia e retorno sobre patrimônio próximo de 30% em 2025.

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Para as instituições, a chegada de Rob Livingston reforça a estrutura global de finanças do Nubank, especialmente em áreas como alocação de capital, liquidez e relações com investidores.

“Não vemos mudança nas prioridades estratégicas, que seguem focadas em crescimento nos mercados principais, avanço da agenda de inteligência artificial e expansão internacional disciplinada”, escreveram os analistas Marcelo Mizrahi (Bradesco BBI) e Renato Chanes (Ágora).

Expansão internacional pode explicar escolha

A contratação de Livingston pode ser vista como um passo alinhado à estratégia de internacionalização da empresa.

Em entrevista à agência de notícias Reuters, o CEO David Vélez afirmou que a estratégia de curto prazo segue concentrada em Brasil, México e Colômbia, mas que a ambição de longo prazo continua sendo a expansão global.

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Vélez destacou a experiência internacional do novo CFO, que acumulou passagens por operações nos Estados Unidos, Canadá, Europa e Ásia.

O Safra também interpreta a contratação como parte da preparação para uma instituição financeira cada vez mais global.

O que explica a reação das ações

A forte queda dos papéis sugere que o mercado está menos preocupado com as credenciais do sucessor e mais com a saída de um executivo considerado peça-chave na construção da narrativa financeira da companhia.

A avaliação predominante entre os analistas é que a troca não altera a estratégia nem indica problemas operacionais imediatos. O receio está relacionado à perda de visibilidade sobre uma empresa que atravessa um momento de maior escrutínio por parte dos investidores.

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Em outras palavras, a reação do mercado parece refletir a combinação de três fatores: uma sucessão inesperada, a saída de um executivo com forte credibilidade junto aos investidores e o aumento da incerteza em uma tese que já vinha sendo debatida por causa da qualidade do crédito e da expansão para novos mercados.

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É jornalista formada pela ECA-USP, com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais para Jornalistas pela B3. Tem mais de 25 anos de experiência e passagem pelas principais redações do país – entre elas, Estadão, Folha, UOL e CNN Brasil. Atualmente, é editora-chefe do Money Times.
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