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Nubank (ROXO34) vai bem no 4T25, ‘pero no mucho’; por que ações caem após lucro acima do esperado?

26 fev 2026, 13:25 - atualizado em 26 fev 2026, 13:25
Nubank
(Imagem: Divulgação/Nubank)

A novela se repete, agora com o Nubank (NU/ROXO34). Mesmo com lucro acima das expectativas, rentabilidade em alta e inadimplência controlada, o roxinho viu suas ações caírem mais de 5% no after-market de Nova York após a divulgação do balanço.

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Nesta quinta-feira, o papel abriu em queda de 5,89%, a US$ 15,67, ampliando as perdas para cerca de 8% no ano. Antes mesmo dos números, já havia ceticismo. Um relatório de uma casa de research nos Estados Unidos reacendeu temores de que a Inteligência Artificial possa afetar diversos setores — inclusive o financeiro.

Por tabela, a fintech acabou pressionada, tornando-se um dos piores desempenhos do setor na América Latina em 2026.

O que veio de bom no balanço?

No geral, os analistas reconheceram que os números operacionais foram fortes.

O lucro líquido chegou a US$ 894 milhões, com ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) de 33%, avanço de quatro pontos percentuais.

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A receita total somou US$ 4,6 bilhões, cerca de 2% acima das estimativas do Safra, impulsionada por juros e tarifas maiores.

A carteira de crédito cresceu 11% no trimestre, atingindo US$ 32,7 bilhões, com destaque para cartões de crédito e bom desempenho também dos empréstimos sem garantia, segundo o BTG Pactual (BPAC11).

Como consequência, a receita líquida de juros (NII) alcançou US$ 2,6 bilhões, alta de 50% na comparação trimestral e 5% acima das projeções do BTG. A receita de tarifas também surpreendeu positivamente, com maior volume total de pagamentos (TPV).

A XP Investimentos destacou a aceleração dos volumes de crédito, com níveis saudáveis de inadimplência de curto prazo, além da expansão da margem financeira (NIM) em 90 pontos-base trimestre contra trimestre, beneficiada por menor custo de funding e melhora no mix.

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Mas nem tudo agradou

O Bradesco BBI apontou que o lucro antes de impostos ficou 13% abaixo do esperado, refletindo provisões maiores (alta de 27% no trimestre) e despesas operacionais mais elevadas.

Parte do impacto foi considerada pontual — como ajustes de ativos fiscais diferidos (DTA), custos ligados ao retorno ao escritório e despesas associadas ao SOFIPO no México. Ainda assim, os analistas alertam que o aumento estrutural de investimentos em tecnologia, expansão global e estrutura interna pode limitar ganhos de eficiência no curto prazo.

O Safra também diz que este não foi um trimestre com surpresas positivas capazes de gerar reação favorável no mercado, diferente do terceiro trimestre, quando o banco se beneficiou de ECL (sigla para Perda de Crédito Esperada, em português) estruturalmente menor.

Segundo a XP, apesar da melhora na inadimplência, as provisões subiram 26% devido à estratégia de expansão de limites de crédito, pressionando a margem ajustada ao risco (Risk Adj. NIM).

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No campo das despesas, houve impacto adicional de US$ 22 milhões relacionado à transição para o modelo híbrido. Em novembro de 2025, o Nubank anunciou que, a partir de julho de 2026, cerca de 70% dos funcionários passarão a trabalhar presencialmente dois dias por semana.

O JPMorganobservou que o lucro acima das expectativas se deveu, em parte, a uma taxa efetiva de imposto menor que a prevista — ponto que pode alimentar a narrativa dos investidores mais pessimistas.

Já o Citigroup resumiu: receita forte e aceleração no crédito, mas custo de risco e despesas deixam o cenário mais nebuloso.

E a IA?

O tema inteligência artificial também apareceu na teleconferência. O CEO, David Vélez, afirmou que o núcleo do negócio do Nubank é reduzir fricções em serviços financeiros — algo que a IA tende a facilitar.

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Segundo ele, o crédito é um segmento mais defensável por ser intensivo em capital, o que cria barreiras naturais. A empresa monitora de perto os riscos de disrupção, mas vê mais oportunidades do que ameaças.

A estratégia é seguir investindo fortemente em IA para capturar ganhos de eficiência e fortalecer o posicionamento competitivo.

O que fazer com a ação?

Enquanto o Ibovespa avança no ano e bancos tradicionais como Itaú Unibanco (ITUB4) e Bradesco (BBDC4) acumulam altas relevantes, o Nubank ficou para trás — o que aumenta a frustração, especialmente considerando seu peso elevado no EWZ, ETF que replica ações brasileiras em Nova York.

O BTG avalia que o mercado está com tolerância quase zero a qualquer desvio das expectativas. Ainda assim, considera que o papel está barato.

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Pelos cálculos do banco, o Nubank negocia a cerca de 20x o P/L (preço sobre lucro) projetado para 2026 e 15x para 2027, múltiplos vistos como atrativos diante do crescimento.

Entre os pontos positivos destacados:

  • aceleração contínua da operação principal no Brasil;
  • tração em novas frentes, como crédito consignado, PMEs e alta renda;
  • ritmo encorajador no México;
  • potencial de expansão bancária nos EUA no longo prazo.

A dúvida, agora, não é sobre a qualidade do resultado — mas se o mercado está disposto a pagar por ele em um ambiente de maior aversão a risco e questionamentos sobre o impacto da IA.

Veja na tabela abaixo:

Casa Recomendação Preço-alvo Potencial
XP Neutra US$ 11,30 -16%
Safra Compra US$ 22 32%
BTG Compra US$ 22 32%

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Editor-assistente
Formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, cobre mercados desde 2018. Ficou entre os jornalistas +Admirados da Imprensa de Economia e Finanças das edições de 2022, 2023 e 2024. Possui curso intesivo de mercado de capitais oferecido pelo Insper em parceria com a B3. É também setorista de bancos. Antes, atuou na assessoria de imprensa do Ministério Público do Trabalho e como repórter do portal Suno Notícias, da Suno Research.
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