Nvidia (NVDA) registra um dos menores múltiplos da última década; hora de comprar ou é ‘faca caindo’?
As ações daNvidia (NVDA) sobem na tarde desta segunda-feira (21) e acumulam uma valorização de 21% desde o começo do ano. No entanto, a queridinha do ramo de inteligência artificial (IA) pena em apresentar múltiplos convincentes.
Uma das métricas mais utilizads pelo mercado para empresas de tecnologia é o preço sobre lucros (P/E, na sigla em inglês), que nada mais é do que a capacidade de gerar retornos para os investidores. Ele é calculado dividindo o valor de mercado da empresa pelo seu lucro total.
Para o investidor, o P/E deve ser lido como um indicador de que a empresa está barata demais em relação aos seus lucros ou refletir expectativas de crescimento mais contidas — além de riscos maiores dos negócios e, em último caso, problemas gerenciais.
E, de acordo com o agregador Alpha Spread, a Nvidia está sendo negociada a um P/E de 28,3, valor 42% menor do que a média de 49 dos últimos três anos.
O agregador Barchart mostrou um cenário ainda mais complicado, com a Nvidia sendo negociada com um valuation mais barato em, pelo menos, uma década.
O que fazer com Nvidia (NVDA)?
Para Marcel Zambello, head de US Equities do BTG Pactual, o que estamos vendo hoje é uma dicotomia entre os fatores microeconômicos e macroeconômicos.
Para ele, o cenário de juros mais altos por mais tempo, somado às discussões sobre a segurança e sustentabilidade dos modelos de IA e ao petróleo em patamares elevados, pressiona os rendimentos de títulos do Tesouro (yields) para cima — tornando o ambiente menos favorável para ações, especialmente para empresas de crescimento.
“Por outro lado”, diz Zambello, “os fundamentos da Nvidia continuam bastante sólidos. O crescimento segue resiliente e os hyperscalers continuam revisando seus planos de capex (investimentos em bens de capital) para cima, sustentando uma demanda robusta por infraestrutura de IA”.
Com isso, o analista acredita que, no longo prazo, os fundamentos da empresa devem prevalecer, uma vez que o principal catalisador do preço das ações é a geração de lucros.
“No caso da Nvidia, o quadro operacional segue muito forte. No entanto, como o ambiente macroeconômico permanece desafiador, o mercado tende a limitar a magnitude dos movimentos de alta, mesmo diante de resultados e perspectivas bastante positivos”, afirma.
O momento da inteligência artificial
Na semana passada, o presidente-executivo da Anthropic, Dario Amodei, escreveu um ensaio compartilhado no X (antigo Twitter), pedindo às empresas de IA que diminuíssem o ritmo de avanço das capacidades dos modelos em meio a temores crescentes de uso indevido da IA.
Amodei escreveu, à época, que, em seis a 12 meses, agentes de IA “poderiam ser capazes de assumir o controle de toda a internet, causando potencialmente centenas de bilhões de dólares em danos”.
Entretanto, enquanto as falas do executivo da Anthropic têm ares humanistas, alguns analistas internacionais entendem que se trata de uma jogada para distensionar as expectativas envolvendo a própria inteligência artificial.
Não é de hoje que analistas e investidores vêm colocando seu dinheiro em teses cada vez mais arriscadas ligadas à IA. As receitas e investimentos vem acompanhando o ritmo do influxo de dinheiro, com projetos multibilionários projetados para além de 2035. Leia mais aqui.