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O ano mais atípico da história do mercado brasileiro de fertilizantes, segundo a Keytrade

24 jul 2026, 12:07
china fertilizantes
(Imagem: cnsphoto via Reuters)

O mercado brasileiro de fertilizantes atravessa aquele que pode ser o ano mais atípico e desafiador de sua história, na avaliação da Keytrade, uma das principais tradings globais do setor.

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Em reunião com analistas do Bank of America (BofA), a companhia afirmou que a combinação de tensões geopolíticas, restrição ao crédito, relações de troca desfavoráveis e incertezas climáticas tornou o planejamento da cadeia de suprimentos excepcionalmente difícil em 2026.

A expectativa é de que as entregas de fertilizantes NPK no Brasil recuem cerca de 15% em relação ao ano passado, passando de 50 milhões para 42,5 milhões de toneladas. A queda deve ser puxada principalmente pelos fertilizantes nitrogenados e fosfatados, enquanto o consumo de potássio tende a registrar leve crescimento.

Os números das importações já refletem esse cenário. Entre janeiro e junho, as compras externas de fertilizantes nitrogenados caíram 15% na comparação anual, enquanto as de fosfatados recuaram 6%. Em contrapartida, as importações de potássio cresceram 5%.

Nitrogênio melhora, mas oferta ainda preocupa

O BofA destaca que a queda superior a 40% nos preços da ureia desde abril devolveu competitividade às compras de fertilizantes nitrogenados pelos produtores brasileiros.

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Com a commodity negociada novamente próxima de US$ 400 por tonelada, a relação de troca para o milho voltou a ser favorável, reduzindo em cerca de 7% os custos estimados da safrinha 2026/27 em comparação com as projeções de março.

Mesmo assim, a Keytrade avalia que o principal risco agora é a disponibilidade do produto. O Brasil ainda precisará importar cerca de 4 milhões de toneladas de ureia até o fim do ano para abastecer as lavouras de algodão e da segunda safra de milho.

Além disso, a oferta de sulfato de amônio pode ser limitada pelas novas cotas de exportação impostas pela China, aumentando as incertezas sobre o abastecimento.

Fosfatados seguem caros e desestimulam compras

Se o nitrogênio ficou mais barato, o mesmo não aconteceu com os fertilizantes fosfatados.

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Os preços permanecem elevados devido aos altos custos do enxofre, acumulando alta de cerca de 40% no ano e chegando próximo de US$ 890 por tonelada no mercado brasileiro.

Segundo a Keytrade, esse cenário deteriorou a relação de troca para os produtores de soja, reduzindo o ritmo das compras. Até agora, apenas 76% da demanda por fertilizantes da safra foi contratada, abaixo dos 82% registrados no mesmo período de 2025.

Na avaliação da companhia, parte das aquisições pode ficar para setembro — caso os produtores decidam comprar.

El Niño e crédito pressionam o produtor

Além da questão dos fertilizantes, a Keytrade chama atenção para outros dois fatores que aumentam a pressão sobre o setor.

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O primeiro é o risco de um clima mais seco no Centro-Oeste brasileiro durante o segundo semestre em razão do El Niño, o que pode comprometer o desenvolvimento das lavouras de soja e da segunda safra de milho.

O segundo é o aperto nas condições de financiamento. Segundo a empresa, a oferta de crédito para o agronegócio caiu cerca de 35% em relação ao ano anterior, com bancos, tradings de grãos e fornecedores de insumos reduzindo a concessão de recursos diante do aumento da inadimplência.

Esse cenário tem afetado principalmente os pequenos produtores, que vêm adiando a compra de insumos para os momentos finais da janela de plantio, aumentando ainda mais a imprevisibilidade do mercado de fertilizantes em 2026.

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Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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