Trabalho

“Vocês vão ter que arranjar outro emprego”: fala do “Véio da Havan” sobre escala 6×1 vira alvo do MPT

08 set 2026, 10:50
Luciano Hang, dono da Havan, véio da havan
(Imagem: Divulgação/Havan)

Luciano Hang, conhecido o como “Véio da Havan”, é investigado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) por suposto assédio eleitoral em discurso sobre o fim da escala 6×1.

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O episódio ocorreu durante a inauguração da 196ª unidade da Havan, em Caldas Novas, Goiás. Em reunião com funcionários da nova loja, Hang comentou sobre a PEC que prevê o fim do modelo de trabalho e que atualmente tramita no Congresso.

Nesse contexto, o empresário disse que a escala 5×2 reduziria o poder de compra da população e que, caso a proposta fosse aprovada, funcionários da Havan teriam de “arranjar outro emprego”. Ele também classificou a proposta como uma “medida eleitoreira” e afirmou que ela seria uma forma de enganar os trabalhadores.

Atualmente, o MPT apura o caso por meio de uma notícia de fato. O órgão investiga um possível caso de assédio eleitoral: quando alguém em posição de poder usa essa hierarquia para constranger, ameaçar ou induzir subordinados a votar de determinada forma.

O que foi dito pelo “Véio da Havan”

Em vídeo que circula nas redes sociais, Luciano Hang aparece em um palco diante de uma multidão de trabalhadores. O discurso começa com a declaração de que “a liberdade de trabalho é de vocês (trabalhadores), não é do Congresso Nacional”.

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Em seguida, sustenta que a escala 5×2 faria com que o custo da mão de obra crescesse proporcionalmente ao tamanho da empresa. No caso da Havan, segundo o empresário, esse custo poderia aumentar 15% com a mudança.

Na sequência, o “Véio da Havan” argumenta que essa diferença se refletiria nos preços dos produtos e que, caso os salários permanecessem os mesmos, os trabalhadores teriam um “poder de compra menor”.

Como consequência, diz que “vocês vão ter que arranjar outro emprego” e menciona a possibilidade de um subemprego, sem registro em carteira e sem benefícios como 13º salário e férias.

Por fim, Luciano Hang declara que os trabalhadores “vão ter que trabalhar mais para comprar o que estão comprando hoje”. Ele também classifica a proposta como um “estelionato eleitoral” e que os políticos estariam interessados em conquistar os votos dos trabalhadores em outubro para, depois, permanecer no poder.

Assédio eleitoral por Luciano Hang?

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O MPT foi acionado pela deputada federal Sâmia Bomfim (Psol-SP) para investigar o ocorrido.

Segundo a parlamentar, as falas do “Véio da Havan” sobre o fim da escala 6×1 são mentirosas, configuram assédio eleitoral e refletem uma reação dos setores patronais contra a garantia de direitos trabalhistas.

As falas de Luciano Hang são apuradas pelo MPT, que investiga se elas de fato configuram assédio eleitoral. O órgão analisa se a associação entre a eventual aprovação da PEC e alguns possíveis impactos aos trabalhadores pode ter explorado uma relação de emprego marcada pela desigualdade hierárquica.

A investigação ainda está em etapa inicial e, por enquanto, não significa uma conclusão sobre eventual irregularidade cometida por Luciano Hang.

‘Véio da Havan’ já respondeu por assédio eleitoral antes

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O episódio deste ano coloca em xeque um acordo firmado entre a Havan e o MPT em 2025. Pelo termo, Luciano Hang e a empresa se comprometeram a não tentar influenciar o voto dos funcionários nem realizar pesquisas de intenção de voto entre os empregados.

O acordo foi firmado após o empresário ser condenado por assédio eleitoral durante as eleições de 2018, quando foi um dos principais apoiadores do então candidato Jair Bolsonaro. Naquele período, o MPT recebeu denúncias relacionadas à realização de reuniões e manifestações de cunho político dentro da empresa.

Em 2024, Luciano Hang e a Havan foram condenados pela Justiça do Trabalho ao pagamento de R$ 1 milhão por danos morais coletivos e de R$ 1 mil de indenização individual a empregados que mantinham vínculo com a companhia até outubro de 2018.

Considerando também as multas previstas na decisão, o valor provisório da condenação chegou a R$ 85 milhões.

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*Sob supervisão de Ricardo Gozzi.

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Jornalista em formação pela Faculdade Cásper Líbero, em São Paulo. Atualmente, estagiária de redação do Money Times e do Seu Dinheiro.
Jornalista em formação pela Faculdade Cásper Líbero, em São Paulo. Atualmente, estagiária de redação do Money Times e do Seu Dinheiro.

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