‘O milho ganhou vida’: diretor da Inpasa diz que safrinha é símbolo da transformação do agronegócio brasileiro
O governo federal lançou, na manhã desta terça-feira (30), o Plano Safra 2026/2027 para a agricultura empresarial. Durante a cerimônia, o diretor de Relações Corporativas da Inpasa e ex-presidente da União Nacional do Etanol de Milho (Unem), Guilherme Nolasco, afirmou que o programa vai muito além da oferta de crédito e representa um instrumento de desenvolvimento para toda a cadeia do agronegócio.
Segundo Nolasco, a política beneficia desde pequenos e grandes produtores até cooperativas, impulsionando investimentos, pesquisa, inovação, indústria, logística e geração de empregos.
“O Plano Safra é quem planta, quem investe e quem trabalha. Do pequeno ao grande produtor, até as cooperativas. Ao apoiar o produtor, o Brasil apoia uma cadeia inteira de negócios, pesquisa, inovação, indústria, logística e emprego”, afirmou.
O milho como protagonista
O executivo também destacou que o avanço da agricultura brasileira foi resultado do desenvolvimento científico, liderado pela Embrapa e por centros de pesquisa, que tornaram possível a agricultura tropical e a expansão da produção no Cerrado.
Para Nolasco, o Brasil desenvolveu um modelo único de produção agrícola, capaz de realizar múltiplas safras na mesma área ao longo do ano, elevando a produtividade, reduzindo a pressão pela abertura de novas áreas e reforçando a segurança alimentar e energética.
Nesse contexto, ele classificou o milho de segunda safra como um dos principais símbolos dessa transformação.
“O milho segunda safra é um dos maiores símbolos dessa transformação. Uma cultura que deixou de ser complementar e que antes era integrada à soja apenas para efeito agronômico passou a ser base da expansão agrícola e da integração com a agroindústria. O que chamávamos de safrinha hoje responde por 80% da safra de milho do país”, disse.
O diretor da Inpasa também ressaltou o impacto da indústria de etanol de milho sobre o mercado do cereal. Segundo ele, até 2017 o Ministério da Agricultura e a Conab realizavam anualmente leilões de preços mínimos para garantir o escoamento da produção.
“Após a instalação da primeira planta de etanol de milho do Brasil, nunca mais foi feito um leilão. O milho ganhou vida e preço”, afirmou.
Apesar dos resultados positivos, Nolasco ponderou que o setor ainda enfrenta desafios, como ampliar a capacidade de armazenagem e agregar mais valor à produção nas regiões de origem.
“Ao transformar milho em etanol, proteína, óleo e outros produtos, multiplicamos valor, fortalecemos as economias locais e ampliamos as alternativas para o produtor. A transição energética é um desafio global e já é uma realidade no Brasil. Temos vocação para liderar essa transformação”.